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Opinião Internacional

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Colunista

José Vicente de Sá Pimentel

Trump e a frenética agenda

Confira a coluna de domingo (23)

José Vicente de Sá Pimentel | 24/03/2025, 14:44 h | Atualizado em 24/03/2025, 14:44

Imagem ilustrativa da imagem Trump e a frenética agenda
José Vicente de Sá Pimentel, nascido em Vitória, é embaixador aposentado |  Foto: A Tribuna

Donald Trump não sai do noticiário. Em 7 de março, numa entrevista à Fox News, em resposta à pergunta sobre as tarifas, reconheceu que os homens de negócios “estão sempre querendo saber, sempre pedindo clareza”, mas não prestou maiores esclarecimentos.

Quatro dias depois, o Wall Street Journal estampou na primeira página matéria em que Mike Wirth, CEO da Chevron, reclamava da “falta de políticas consistentes e duráveis”.

A crítica foi, porém, logo minimizada por outros empresários. Quando não é o presidente, são seus assessores que provocam notícias esquisitas.

Um dos mais assíduos alvos dos jornalistas é o secretário da Saúde Robert Kennedy Jr, conhecido por sua posição negacionista com relação às vacinas e a outros tipos de tratamentos cientificamente comprovados.

Diante da disseminação da influenza aviária na Califórnia e em outros estados americanos, Kennedy Jr sugeriu, em 8 de março, que, ao invés de segregar as aves infectadas, os criadores deveriam permitir que o vírus grassasse nos rebanhos, para assim identificar e preservar os indivíduos imunes.

O secretário da Agricultura, Brooke Rollins, aprovou a estratégia, que aliás não é nova e conta com decidida oposição da comunidade científica, uma vez que o vírus H5N1 já evoluiu com mutações genéticas e recombinações várias, e assim a resistência baseada na seleção das espécies seria um risco sanitário de elevado grau.

Elon Musk é outro personagem cuja trajetória vem sendo esquadrinhada pela imprensa. Dezenas de automóveis Tesla foram incendiados em 17 de março, em Las Vegas. Ao tratar do assunto, o londrino Financial Times avaliou que, por essas e outras, o empresário mais rico do mundo já perdeu 116 bilhões de dólares desde dezembro.

Por sua vez, o New York Times manteve Elon no olho do furacão, ao publicar, na sexta-feira, que ele manteve uma reunião de 80 minutos com a alta cúpula do Pentágono. O secretário da Defesa, Pete Hegseth, tratou de esclarecer que a conversa tinha se limitado a medidas para cortar gastos da Defesa, mas os vínculos da Space X e da Starlink com a Nasa tornam no mínimo imprópria uma reunião tão longa, num ambiente tão reservado.

A reportagem do Times vai além, contudo, ao denunciar que Musk teria sido informado sobre planos secretos de guerra contra a China, país com que tem polpudos negócios.

Musk prometeu usar os seus poderes tecnológicos e financeiros para descobrir quem vazou a notícia, o que tem ampliado a sua repercussão. Os assessores se esforçam, mas quem ocupa a ribalta diariamente é mesmo o chefão.

O Kennedy Center é uma referência cultural de Washington. Inaugurado em 1971, está situado às margens do rio Potomac e dispõe de três imensas salas, para concertos, óperas, ballet, teatro e as artes, em geral.

Embora o governo contribua com apenas 16% do orçamento anual (o resto vem de patrocinadores e da venda de ingressos – cerca de 2 milhões são vendidos por ano), o presidente da República recebe, estatutariamente, o título de diretor.

Há 53 anos, presidentes republicanos e democratas respeitaram a importância cultural do empreendimento, mas Trump inovou. Em 17 de março, defenestrou 18 dos 36 diretores do Centro, reuniu a imprensa e anunciou que “assumimos o controle disso aqui”.

Mais tarde, revelou num tuíte que tem “uma visão de ouro para a cultura e a arte americanas”. Não faltou quem fizesse comparações com a Kulturkampf, com que Hitler pretendia purificar a cultura alemã.

A academia não foi poupada. Ameaçada com um corte de repasses orçamentários da ordem de 400 milhões de dólares, caso não fossem tomadas medidas para reprimir os protestos contra os ataques do exército israelense a Gaza, a Universidade de Columbia capitulou.

Na sexta-feira, deu a público que mudou a chefia do departamento de Oriente Médio, impôs novas regras para disciplinar manifestações políticas no campus e contratou pessoal para fortalecer o Instituto para Estudos Judaicos.

O ritmo é frenético. Mais do que o radicalismo da agenda, impressiona a rapidez com que Trump toca o seu expediente. Poucos esperavam tal performance, poucos se prepararam para enfrentá-la. O Congresso está dominado, o Judiciário se mantém discreto, somente a imprensa parece reunir forças para uma luta que promete ser dura.

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