Mais Selic, menos poupança
A taxa Selic é um "remédio" amargo necessário para combater uma "doença" chamada inflação
Usada como referência para todas as taxas de operações de crédito da economia brasileira, a Selic sofreu mais um aumento. O novo patamar de 14,25% ao ano se iguala à taxa básica de 2016 e só perde para os quase 20% de juro de 20 anos atrás.
Nesse novo cenário, muitas aplicações financeiras ficam ainda mais atrativas e outras, menos (como a poupança).
A taxa Selic faz parte da chamada política monetária, de responsabilidade de um comitê específico. No seu papel, o Comitê de Política Monetária (Copom) decide a meta Selic a cada 45 dias como forma de controlar a alta dos preços ou estimular a atividade econômica.
Na prática, a taxa Selic impacta negativamente a demanda por bens e serviços como forma de controlar a alta dos preços. Trata-se de um "remédio" amargo necessário para combater uma "doença" chamada inflação. Como "efeitos colaterais" temos: esfriamento da atividade econômica, dificuldade de acesso ao crédito, aumento da taxa de desemprego e muitos outros fatores negativos para a economia no curto ou médio prazo.
Mas, afinal, como isso afeta nossos investimentos?
No patamar atual de juro, a rentabilidade mensal da poupança é calculada pela soma da alíquota de 0,5% mais a Taxa Referencial (TR). Embora essa taxa seja influenciada positivamente pela alta da Selic, sua variação não é tão expressiva. Em outras palavras, o aumento da taxa básica de juro influencia no aumento da TR, mas favorece muito mais investimentos com rentabilidade atrelada à Selic (como o Tesouro Selic, disponível na Plataforma do Tesouro Direto).
Outros produtos também atrativos nesse cenário são os CDB, LCI ou LCA pós-fixados. A rentabilidade dessas opções de investimentos é atrelada ao CDI, que por sua vez é comumente muito próximo à taxa Selic.
Por meio de bancos ou corretoras de investimentos, os clientes conseguem acessar esses produtos com taxas ainda melhores, ao abrirem mão da chamada liquidez (disponibilidade do recurso). Ou seja, caso o investidor opte por adquirir um CDB de 1 ano, por exemplo, ele poderá rentabilizar melhor o seu capital com o compromisso de não resgatar antes desse prazo.
É sempre recomendado que, antes de alocar seus recursos, o investidor converse com profissionais certificados, como assessores de investimentos e consultores financeiros.
MARCEL LIMA é head de dados e tendências macroeconômicas do Ibef-ES
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