Governador eleito promete pacto estadual para combater o feminicídio
Governador eleito Lorenzo Pazolini promete pacto estadual contra o feminicídio e ampliar atendimentos de saúde em horários alternativos no ES.
Um pacto estadual para combater o feminicídio está entre as primeiras medidas anunciadas pelo governador eleito do Espírito Santo, Lorenzo Pazolini (Republicanos).
A proposta é reunir instituições públicas e diferentes setores da sociedade para ampliar a proteção às mulheres.
Nesta segunda-feira (26), ele cedeu uma entrevista à TV Tribuna/Band. Confira:
TV Tribuna - O senhor foi eleito governador do Espírito Santo após uma trajetória de oito anos na política. O que já pode anunciar para o governo a partir de janeiro?
Lorenzo Pazolini - Tem uma coisa que incomoda muito os capixabas e que nos tira o nosso sono, que é a questão dos feminicídios.
Estive pensando muito nisso ontem, após o resultado das eleições. Nós vamos fazer um pacto estadual envolvendo toda a sociedade capixaba, as instituições, o terceiro setor, os meios de comunicação, a imprensa, enfim, um pacto para que esse tipo de coisa não aconteça mais. São crimes covardes, mulheres que estão perdendo a vida, e esse é o nosso propósito.
Acho que, a partir de janeiro, temos que estar prontos para anunciar, mas, principalmente, para termos políticas públicas eficientes e eficazes.
Foi o que fizemos aqui em Vitória. Há pouco tempo, Vitória era a cidade mais violenta do Brasil para as mulheres. Na nossa gestão, ficamos 653 dias sem feminicídio.
Agora, vamos levar isso para os 78 municípios, para virarmos essa página definitivamente.
Outra questão que preocupa os capixabas é a saúde pública, principalmente a espera por consultas, exames e procedimentos especializados. Como o senhor pretende enfrentar esse problema nos 78 municípios?
O fundamental é termos planejamento. Ou seja, aquele mesmo trabalho que iniciamos em 2021, em Vitória.
Vamos buscar os filantrópicos, a rede privada, fortalecer o SUS estadual, para que tenhamos capacidade de atender as pessoas.
Em Vitória, nós atendemos aos sábados, domingos, feriados, no período da noite e da madrugada. Por isso deu certo. Conseguimos tirar 180 mil pessoas da fila. Tinha gente há três, quatro anos esperando por exames, consultas e procedimentos de especialidades.
O desafio, claro, é maior. Temos que reconhecer isso, porque agora envolve os 78 municípios, mas é possível fazer.
Vamos dialogar com os servidores da saúde, com os prefeitos, com os vereadores e deputados, para buscarmos essas soluções. Isso não acontece do dia para a noite, mas o fundamental é começarmos.
Pretende utilizar no Estado o modelo de atendimentos em horários alternativos que foi adotado em Vitória?
Quando iniciamos essa série de atendimentos, muita gente acreditava que não haveria demanda. E eu dizia: “Você vai marcar um exame, um procedimento, uma cirurgia às 23h, à meia-noite, e as pessoas vão, porque elas estão na fila. É só terem oportunidade”.
E vamos agregar isso à tecnologia da informação. Por exemplo, o que deu muito certo aqui em Vitória: você recebe todo o seu protocolo de saúde, recebe o aviso do horário de atendimento, tudo pelo smartphone.
Imagina isso no Espírito Santo. Você vai saber a hora, o dia e o local do atendimento. E você não falta. Assim, diminui o absenteísmo.
São coisas simples, mas que dão um resultado extraordinário.
Foi difícil tomar a decisão de deixar a Prefeitura para disputar o governo do Estado?
Foi uma decisão muito difícil a renúncia. Mas eu tinha uma fé em Deus inabalável e tenho uma crença na sociedade capixaba. Acho que foi isso que trouxe esse resultado.
Então, obrigado a você que participou do processo, independentemente da sua escolha, de ter votado, de não ter votado, de não ter ido às urnas. Nós vamos governar para todos. Vamos governar para os capixabas.
Em que momento surgiu o desejo de entrar na vida pública? A experiência como delegado influenciou nessa decisão?
A experiência na Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) foi muito forte, porque víamos como a ausência de políticas públicas tirava a vida de crianças e, principalmente, tirava oportunidades das pessoas e das famílias.
Imagina uma mãe, um pai, que tem um filho, às vezes vítima de abuso sexual e que não encontra amparo em lugar nenhum.
Essas famílias e essas pessoas começaram a me procurar e a me incentivar, dizendo: “Você precisa ser candidato, nós acreditamos no seu trabalho”.
Tem uma passagem interessante que falo dela para poucas pessoas.
Um dia, fui a um show de Amado Batista. Quando cheguei, o show já tinha começado. Fui como espectador, igual a todo mundo que estava ali na plateia.
E as pessoas formaram uma fila para tirar fotos, me abraçar. Aquilo me mostrou algo e tocou meu coração. Eu já tinha esse desejo naturalmente, mas, naquele dia, saí dali com a convicção de que tinha uma oportunidade na vida e que Deus estava me mostrando um caminho.
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