Museu revela como viviam os imigrantes em Santa Leopoldina.
Casarão centenário reúne objetos históricos, enquanto desfile de bonecos gigantes é uma das atrações do Carnaval da cidade
No centro de Santa Leopoldina fica o Museu do Colono, que conta histórias e costumes dos imigrantes que chegaram na região.
“Até o início do século XX, Santa Leopoldina era a cidade mais importante do Espírito Santo. No século XIX, era a terceira colônia mais rica do Brasil. Então, temos muitas histórias para contar”, explica a diretora do museu, Bianca Legora.
A parte debaixo do museu, onde fica a galeria, era uma casa de comércio, anteriormente. As exposições que ficam por lá mudam periodicamente, trazendo sempre novidades e outras curiosidades.
O Museu do Colono funciona em um casarão centenário, de 1870, que pertencia à tradicional família austríaca Holzmeister. A parte de cima da estrutura era a casa onde eles moravam.
No final da década de 1960, o casarão foi vendido para o governo do Espírito Santo. Depois de restaurado, virou museu. Porém, a estrutura, o assoalho e os afrescos (técnica de pintura mural) foram todos preservados.
O acervo conta com mais de 600 peças entre objetos, louças, móveis, documentos e fotos. Tudo isso ajuda a entender a vida dos europeus que vieram para Santa Leopoldina.
Uma das curiosidades do museu é em relação a um dos integrantes da família Holzmeister.
“Foi aqui que tivemos o primeiro milionário documentado em todo o Brasil. Quando o Johann Holzmeister, um dos filhos da família, resolveu voltar para a Áustria, ele pediu ao governo brasileiro um passaporte, onde na parte da profissão constava que sua ocupação era 'milionário' ”, contou Bianca.
Em relação aos objetos do século XIX, época em que a casa foi inaugurada e passou a ser habitada pela família austríaca, o museu ainda guarda uma rica coletânea, que ajuda a entender como era o cotidiano naquela época.
Uma das peças é o berço de madeira onde os bebês eram colocados. “Os berços são maiores do que os de hoje pois, naquela época, os bebês ficavam mais de um mês apenas dentro dos quartos”, explicou a diretora do museu.
Outro objeto é o realejo, instrumento musical mecânico, criado há mais de 200 anos, que toca melodias ao girar uma manivela.
Bonecos gigantes no Carnaval
Tradições, sotaques e memórias constroem a identidade única de Santa Leopoldina e se encontram em um momento: o tradicional Carnaval do município.
Na festa, há uma atração que chama atenção de quem passa: o desfile dos bonecos gigantes, que toma conta das ruas.
Por trás deles está o artista plástico Bebeto Pereira, que desde os anos 1980 transforma isopor, tinta e criatividade em personagens para o desfile.
“Eu sempre gostei de Carnaval, sempre me fantasiei e criei adereços para desfilar. Um dia, vi os bonecos de Olinda na televisão e resolvi trazer a ideia para cá”, contou Bebeto.
Ele explicou que foi a primeira vez mexendo com esses materiais e fazendo esse tipo de estrutura.
“E foi um sucesso danado. Comecei a melhorar a produção, buscando sempre retratar a história de Santa Leopoldina com os bonecos”, afirmou Bebeto.
Cada ano, o desfile tem um tema. Em 2026, a inspiração de Bebeto foram as profissões.
“Fiz bonecos representando policiais e garis, por exemplo. Em outros anos já fiz desfiles com temas de agricultura familiar e esporte”, lembra o artista.
A tradição ajuda a mostrar, para quem vem de fora, os costumes e as representações de Santa Leopoldina.
“Os bonecos chamam atenção nos desfiles e ajudam a representar figuras importantes que participam do desenvolvimento da cidade”, defendeu Bebeto.
Objetos históricos do museu
Lampião, berço e engomador de roupa
Realejo
- Instrumento musical mecânico, criado há mais de 200 anos, que toca melodias ao girar uma manivela.
Berços
- Os berços são maiores que hoje pois, naquela época, os bebês ficavam mais de um mês dentro dos quartos.
Rádio
- O museu abriga o primeiro rádio de Santa Leopoldina. Prefeitos, juízes, promotores, padres e outros cidadãos iam até a casa dos Holzmeisters para ouvir as notícias da 1ª Guerra.
Eletrola
- Ao começarem a ter acesso à energia elétrica, os moradores do casarão passaram a usar uma eletrola, em que conseguiam sintonizar diversos canais de rádio.
Louças
- Muito presentes no cotidiano da família, as louças utilizadas no casarão estão conservadas até hoje. Por elas, é possível entender um pouco mais sobre os costumes nas horas das refeições.
Lampião
- É um objeto portátil ou fixo destinado à iluminação. Utilizado na época em que a energia elétrica ainda não existia na região.
Engomador de roupa
- Conhecido hoje em dia como ferro de passar roupa, era utilizado para desamassar as peças.
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