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“Temos de reconhecer o criminoso”, disse inspetora da tropa de elite da Sejus, Adriana Camponez

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Polícia

“Temos de reconhecer o criminoso”, disse inspetora da tropa de elite da Sejus, Adriana Camponez


A violência contra a mulher tem ganhado números alarmantes. No Estado, há uma média de 39 casos por dia de ocorrências, de acordo com dados da Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp).

Adriana, em palestra:  “A intuição funciona como um instinto protetor” (Foto: Divulgação )
Adriana, em palestra: “A intuição funciona como um instinto protetor” (Foto: Divulgação )
Pesquisadora do perfil de criminosos dentro e fora dos presídios, inspetora da Diretoria de Operações Táticas (DOT), a tropa de elite da Secretaria de Estado da Justiça (Sejus), Adriana Camponez, de 35 anos, defende que toda mulher tem de saber reconhecer o perfil de um homem criminoso.

Além de professora de cursos de treinamento tático com armas de fogo, Adriana desenvolveu uma pesquisa sobre três perfis comuns de criminosos. Em suas palestras, ensina como reconhecer e como se proteger desses perfis.

A Tribuna – Como surgiu a pesquisa dos perfis de criminosos?
Adriana Camponez – Já trabalho e dou aula de Gerenciamento de Crise há um tempo e, nesse contexto, trabalhamos o perfil criminoso dentro do presídio. Então, decidi fazer uma pesquisa ampla sobre os perfis criminosos antes de eles chegarem até lá.

Para fazer a pesquisa, conversei com diversos profissionais da área, como coronel da PM, gerenciador de crises da PM, delegado da Polícia Civil. No meu trabalho, meu diretor da Diretoria de Operações Táticas me ajudou, psicólogos da área, e vi estudos fora do País.

Separei três tipologias: o criminoso comum, o emocionalmente perturbado e o fanático religioso. É um conteúdo amplo de pesquisa, mas consegui fazer de forma mais objetiva em uma palestra porque acredito que, com isso, consigo ajudar muitas mulheres.

A Tribuna – Como são esses perfis?
Adriana Camponez – Na minha palestra, cito nomes conhecidos no mundo do crime para exemplificar. O Marcola, que é um criminoso comum; o Ted Bundy, que tem um seriado sobre sua história e é o perfil do emocionalmente perturbado; e o Charles Manson, que é o fanático religioso.

O Marcola, por exemplo, faz parte de uma organização criminosa, é extremamente estrategista, frio, sabe o que vai fazer, muito inteligente. O Ted Bundy, que é um criminoso voltado para psicopatia contra as mulheres, o feminicídio, é galanteador.

Falo das formas que ele aborda, que consegue se aproximar das mulheres para cometer crimes.

O Manson, que apesar de ser um fanático religioso com seita na década de 1960, podemos achar que não tem nada a ver com mulheres, mas ele recrutava meninas órfãs, que não tinham amparo, um carinho familiar, com intenção de tê-las subordinadas de forma sexual.

A Tribuna – Tem um perfil mais perigoso para a mulher?
Adriana Camponez – Sim. O perfil do emocionalmente perturbado, voltado para psicopatia, como o Ted Bundy, que acreditava que uma voz na cabeça dele falava contra as mulheres.
Esse é o perfil mais parecido na forma que agem. A capacidade de simulação é enorme.

Geralmente, eles cuidam da aparência física, do corpo, são extremamente educados, sabem como conquistar uma mulher. Mas a intenção é psicopata, de matar mulheres em série.

Então, digo que as mulheres têm de ficar atentas, nunca estar sozinhas diante de uma abordagem, por exemplo. Quase sempre há uma insistência em alguma coisa ou situação que a mulher sabe que não é verdade, mas mesmo assim vai, para parecer educada.

A Tribuna – Como a mulher reconhece esses perfis de criminoso?
Adriana Camponez – Toda mulher tem de saber reconhecer um homem criminoso. A mulher tem uma visão tão romântica, de conto de fadas e tudo mais que é ensinado para ela desde pequena, mas isso atrapalha muito nessa visão crítica, social.

Claro que não há só psicopatas homens, mas eles são a maioria, então acabo falando mais do masculino.

É preciso observar a forma como agem, o histórico anterior de relacionamentos, tanto pessoais como afetivos. As mulheres têm de observar o tanto que aquela pessoa está obcecada a sair com elas ou levar a algum lugar que ninguém possa acompanhar, desconfiar do porquê disso.

Esse perfil será uma pessoa extremamente agradável, carismática. A mulher tem de ter consciência de que tem de se cuidar, que não pode dar essa liberdade toda para quem não conhece, que não sabe o que fez da vida antes. Parece paranoia, mas não. A mulher tem de se proteger.

Por exemplo, a pessoa que tem psicopatia cria dívidas emocionais. Consegue criar intrigas com muita facilidade, porque é muito inteligente.

É um jogo de manipulação, em que ele usa ferramentas para persuadir a vítima muito rápido. Como ele vive e respira para cometer crimes, sabe muito bem agir assim. Então, a pessoa que não sabe, tem de tomar cuidado.

A Tribuna – Qual o tipo de vítima desse perfil psicopata?
Adriana Camponez – Não tenho perfil certo, mas, geralmente, eles escolhem vítimas que não sejam tão fortes a ponto de revidar quando forem pegas. Mulheres menores, com o cabelo mais comprido, que possa amarrar no braço, que esteja andando sozinha, adolescentes.

Eles também são bem estrategistas, sempre vão pela facilidade em buscar a vítima.

Então, não se iluda e fique atenta. Tenha em mente que as aparências enganam. Sempre leve em consideração a sua intuição, ela funciona como um instinto protetor. Tome cuidado com pessoas excessivamente encantadoras. Não caia na ilusão de consertar o que não tem conserto.


PERFIL


Adriana Camponez
> É inspetora da Diretoria de Operações Táticas (DOT) da Sejus.
> Policial penal há 10 anos, certificada em cursos na Polícia Civil, Guarda Municipal e Polícia Federal.
>  É instrutora de armamento e tiro e doutrinas de operações táticas.
> Pesquisadora e palestrante, é graduada em Comunicação Social na Ufes e pós em gestão de Segurança Pública.

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