Governo Lula: saiba quais são os nomes já cotados para assumir ministérios
Rafael Fonteles, Geraldo Alckmin, Camilo Santana, Fernando Haddad e outros aliados aparecem entre os cotados para os principais ministérios de Lula
A montagem do quarto governo Lula (PT) começa a ganhar forma, com nomes já disputando os postos mais importantes da Esplanada. A principal definição será o Ministério da Fazenda, em meio à pressão do mercado por uma sinalização de responsabilidade fiscal após a forte reação negativa dos ativos à reeleição.
O governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT), ganhou força para a pasta. Aos 41 anos, matemático e ex-secretário da Fazenda do Estado, ele é visto por investidores e auxiliares de Lula como um quadro com capacidade técnica, experiência fiscal e peso político.
Fonteles também participou da coordenação da campanha presidencial no segundo turno e se aproximou do núcleo de Lula. Segundo relatos de aliados, aceitaria deixar o governo do Piauí se recebesse missão para comandar a Fazenda, embora tenha declarado publicamente que essa possibilidade “nem passa pela cabeça” e que não discutiu cargos com Lula.
Outro nome considerado é o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB). Economistas avaliam que ele seria bem recebido no mercado: perfil fiscalista, participou das negociações econômicas do atual governo e defende equilíbrio das contas públicas sem que o ajuste recaia sobre os mais pobres. Ele diz, porém, que não recebeu convite.
Na Casa Civil, Camilo Santana (PT-CE) aparece como favorito. O senador ganhou espaço após assumir papel importante na reorganização da campanha de Lula entre os dois turnos. Fernando Haddad também é citado como alternativa.
A articulação com o Congresso deverá ganhar atenção especial diante do avanço da direita na Câmara e no Senado. Para a Secretaria de Relações Institucionais, aliados defendem um nome do Centrão. Um dos cotados é Silvio Costa Filho (Republicanos-PE), ex-ministro de Portos e Aeroportos.
João Campos (PSB) aparece como favorito para Ciência e Tecnologia, pasta ocupada por seu pai, Eduardo Campos, no primeiro governo Lula. André Janones (Rede-MG), responsável pelo canal “Exército do Lula” e pela estratégia digital da campanha, é citado para a Secretaria de Comunicação ou para a Secretaria-Geral.
No Planejamento, a tendência é de permanência de Bruno Moretti.
Lula poderá indicar 10 ministros
Reeleito para um quarto mandato, o presidente Lula poderá indicar ao menos 10 ministros para as duas principais cortes do País até 2030.
No STF, quatro vagas devem ser abertas. Uma já está disponível desde a aposentadoria de Luís Roberto Barroso. Luiz Fux deixará a Corte em 2028, Cármen Lúcia em 2029 e Gilmar Mendes em 2030, quando completarão 75 anos.
No STJ, Lula deverá fazer pelo menos seis indicações, também em razão de aposentadorias compulsórias. Se preencher as quatro vagas do STF, Lula terá escolhido sete dos 11 integrantes da Corte ao longo de seus mandatos. Todos os indicados ao Supremo e ao STJ precisam passar por sabatina e aprovação do Senado.
Possíveis mudanças nos ministérios
Fazenda
- Rafael Fonteles: Governador reeleito do Piauí, matemático e ex-secretário estadual da Fazenda. Ganhou força entre aliados de Lula e investidores.
- Geraldo Alckmin: Vice-presidente reeleito. Tem boa interlocução com o mercado e perfil fiscalista. Disse que ainda nao recebeu convite.
- Gabriel Galipolo: Presidente do Banco Central. Também aparece entre as alternativas para comandar a área econômica.
Casa Civil
- Camilo Santana: Senador e ex-ministro da Educação. Ganhou espaço na reta final da campanha e aparece como favorito.
- Fernando Haddad: Também é lembrado para a Casa Civil ou outro posto de destaque no quarto mandato.
Secom ou Secretaria-Geral
- André Janones: Teve papel central na estratégia digital da campanha e comandou o canal Exército do Lula.
Relações institucionais
- Silvio Costa Filho: Ex-ministro de Portos e Aeroportos. Tem bom trânsito no Congresso e entre partidos do Centrão.
Ciência e Tecnologia
- João Campos: Ex-prefeito de Recife e presidente do PSB. É apontado como favorito para a pasta.
Planejamento
- Bruno Moretti: A tendência é que permaneca no cargo. Tem a confiança de Lula.
Aceno a governadores de direita por pacificação
O presidente reeleito Lula pretende abrir rodada de conversas com governadores eleitos e reeleitos, inclusive adversários políticos, como parte da estratégia de pacificação e de construção de governabilidade para o quarto mandato.
A intenção é começar pelos gestores alinhados ao governo federal, com discussões sobre projetos e programas que dependem de apoio da União. Depois, Lula deverá receber governadores considerados mais moderados, como Raquel Lyra, de Pernambuco, e Cleitinho Azevedo, de Minas Gerais.
Em uma terceira etapa, a previsão é chamar ao Planalto nomes que apoiaram Flávio Bolsonaro no segundo turno, entre eles Tarcísio de Freitas, de São Paulo, Douglas Ruas, do Rio de Janeiro, e Luciano Zucco, do Rio Grande do Sul.
A avaliação no entorno presidencial é de que o diálogo com os estados pode ajudar a reduzir a tensão política e facilitar a execução de projetos que dependem de cooperação entre União e governos estaduais.
Lula tem afirmado que não pretende conduzir o novo mandato com revanchismo e que buscará diálogo tanto com aliados quanto com opositores. Como não deverá disputar outra eleição presidencial, o petista pretende fazer da pacificação uma das marcas do último mandato.
O Presidente também sinalizou que poderá conversar com candidatos derrotados no primeiro turno para conhecer propostas que possam ser incorporadas ao governo. Entre os nomes citados estão Augusto Cury, Renan Santos e Ronaldo Caiado.
No Planalto, o resultado do primeiro turno também é tratado como um alerta sobre a avaliação do terceiro mandato. A leitura é de que Lula precisará fazer mudanças no governo e ampliar o diálogo político para recuperar apoio junto a parcelas do eleitorado que se afastaram da atual gestão.
Centrão sente baque, mas já projeta participação
Partidos do Centrão já projetam participação no quarto governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), apesar de parte das legendas ter apoiado Flávio Bolsonaro no segundo turno. A aposta é que Lula negocie diretamente com alas de cada partido, sem exigir adesão integral das bancadas.
PSD, MDB, Republicanos e a federação União Brasil-PP estão entre as siglas que podem participar das articulações. O PSD, que manteve neutralidade no segundo turno, espera ampliar espaço na Esplanada. No Republicanos, dirigentes avaliam que a minoria do PT no Congresso obrigará o governo a buscar novos aliados.
Já MDB e União Brasil-PP podem encontrar mais dificuldades por causa do apoio de setores importantes a Flávio. Mesmo assim, grupos regionais que fizeram campanha por Lula, especialmente no Norte e Nordeste, devem manter canais abertos com o Planalto.
A negociação também passa pelo comando do Congresso. União Brasil e governo podem convergir na reeleição de Davi Alcolumbre para a presidência do Senado, enquanto o Republicanos aposta na permanência de Hugo Motta à frente da Câmara.
No terceiro mandato, PSD, União Brasil e MDB chegaram a ocupar três ministérios cada, mesmo sem integrar formalmente a base governista.
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