Em sabatina na TV Tribuna/Band, Pazolini diz que quer segurança unificada no ES
Ele propõe integrar guardas municipais ao Ciodes, reduzir cargos comissionados e ampliar consultas para fins de semana e feriados
O candidato a governador do Espírito Santo Lorenzo Pazolini (Republicanos) foi entrevistado ontem nos estúdios da TV Tribuna/Band e falou sobre suas pretensões, caso eleito.
Entre os temas abordados, ressaltou que deseja unificar as forças de segurança do Estado com os municípios, além de ter citado disponibilizar consultas médicas fora do horário comercial.
Rede Tribuna - Candidato, seu programa de governo trata, entre outros temas, das filas de espera para consultas. Como pretende mudar a realidade?
Lorenzo Pazolini - Em Vitória, nós zeramos a fila de exames. Sentamos à mesa com a rede privada, fizemos concurso para o SUS, nomeamos servidores efetivos, qualificamos esses profissionais e concedemos aumentos acima da reposição inflacionária.
Além dessa valorização dos servidores, fomos buscar na rede privada aquelas vagas que não existiam no setor público. O que fizemos na capital? Oferecemos atendimento em todos os horários.
Aproveitamos os horários ociosos e contratamos atendimentos para garantir esse serviço também aos fins de semana. Da mesma forma, faremos no Estado: vamos zerar a fila por meio da integração da rede de atendimento, fundamental para garantir consultas com dia e horário marcados, inclusive nos fins de semana e feriados.
Muita gente não consegue ir naquele horário tradicional, das 8h às 18h. Quando abrimos essa oportunidade, as pessoas ficam felizes.
O adversário do senhor vem fazendo, na reta final da campanha, uma série de discursos sobre sua vida privada. Qual sua avaliação sobre isso?
Esse tipo de postura é lamentável. Quem não tem proposta ataca a honra. Quem não pensa na vida dos mais pobres, ataca. Quem não pensa no Estado e não tem em seu DNA o cuidado com as pessoas faz isso.
Tenho muito orgulho de ser neto de uma costureira e de um taxista, de ter estudado e trabalhado. Perdi meu pai muito cedo, mas minha mãe sempre trouxe em seu DNA os ensinamentos que ouvi e aprendi.
Ela sempre me pediu para trabalhar para vencer. É essa a política que praticamos. Infelizmente, quem pratica a política do coronelismo, a velha política, não tem sido bem recebido pelas pessoas.
Ideologicamente, o projeto que o senhor representa é o oposto do apresentado pelo seu adversário no primeiro turno, Helder Salomão (PT). Mesmo assim, há expectativa de que o senhor consiga alguma parcela dos votos dele?
As pessoas conhecem o Lorenzo Pazolini. Sabem da nossa forma de gestão. Sempre abrimos espaço para todos. Construímos escolas em tempo integral, saímos de quatro para 50, humanizamos a gestão pública. É nisso que confiamos.
Foi por isso que deu certo: as pessoas estão avaliando o que foi feito. Não são promessas eleitoreiras, que aparecem quando a eleição se aproxima. Estamos trabalhando com a verdade, mostrando o que fizemos e onde evoluímos.
Mas, candidato, especificamente sobre o eleitorado de Helder, é possível atraí-lo para sua base?
Nós dialogamos com todos. Temos uma política pública de assistência social muito forte. Quase 14% dos capixabas estão em situação de insegurança nutricional.
Vitória abriu um restaurante popular. Por qual motivo quem está lá não se preocupou com isso? Por que não foi prioridade? Por que as pessoas passam fome em um Estado rico e com oportunidades?
O eleitorado está olhando para o que foi feito na prática, para a história de vida e as entregas realizadas. O resultado do primeiro turno demonstrou isso. Nosso compromisso é expandir os restaurantes e as creches. Apenas 35% das crianças capixabas de zero a três anos têm acesso a creches nessa primeira infância, a fase mais importante da nossa vida.
Falando sobre seu plano de governo na área da segurança, o programa propõe implantar um sistema de videomonitoramento. Como funcionaria?
Um exemplo prático: na nossa gestão, em Vitória, tínhamos por volta de 25 câmeras funcionando. Só na capital dos capixabas, hoje, temos mais de 1.200 câmeras com reconhecimento facial e Inteligência Artificial.
Isso significa proteção, mas é preciso haver integração. Por que só a Guarda de Vitória está no Ciodes? Por que não há as de Vila Velha, Cariacica, Serra e demais municípios, que fazem um trabalho extraordinário? Falta integração.
Nosso compromisso é integrar e fazer com que a central de monitoramento funcione efetivamente para todos os capixabas. Por que Vitória reduziu tanto os índices de violência? Porque integramos as forças de segurança.
Infelizmente, essa porta não foi aberta para as guardas municipais. Nós vamos fazer isso e levar as guardas para a Secretaria de Segurança. Vamos unir as polícias penal, civil, militar e científica, ou seja, todas as instituições de segurança. Essa prática deu resultado em Vitória e dará no Estado.
O programa do senhor propõe modernizar os terminais do Sistema Transcol e integrar diferentes meios de transporte. Na prática, o que muda para o usuário do transporte público do Espírito Santo?
Há pontos fundamentais. Reportagens recentes da TV Tribuna/Band mostraram pessoas armadas dentro dos terminais. Não podemos aceitar esse tipo de coisa. Imagine você chegar ao terminal com um familiar, uma criança, e encontrar pessoas portando armas de fogo. Isso não pode acontecer e não vai acontecer.
A conservação dos terminais está muito ruim. Você vai ao banheiro e ele está completamente precarizado, em condições difíceis de uso, especialmente para as mulheres. Há ainda a questão da frota, que está sucateada. Vários ônibus circulam sem ar-condicionado.
Nosso compromisso é fiscalizar intensamente as empresas que prestam esse serviço e melhorar a qualidade dos terminais.
O senhor tem dito que pretende diminuir o quadro de servidores comissionados. Também há a ideia de reduzir o número de secretarias?
Quando chegamos à prefeitura, tínhamos mil servidores comissionados. Hoje, são 500: reduzimos pela metade. Qualificamos a ocupação dos cargos públicos e economizamos mais de R$ 150 milhões, utilizados na construção de escolas, unidades de saúde, políticas públicas e equipamentos nas comunidades.
Precisamos fazer o mesmo no governo: qualificar os cargos públicos, verificar os excessos e identificar quem não entrega resultados à sociedade. A gestão pública não pode ser cabide de emprego.
Lorenzo Pazolini (Rep.)
É natural de Vitória e formado em Direito pela Faculdade de Direito de Vitória (FDV), com pós-graduação em Gestão de Segurança Pública.
Antes de entrar na política, foi auditor de controle externo do Tribunal de Contas do Espírito Santo (TCE-ES) e delegado da Polícia Civil.
No primeiro turno, obteve 49,65% dos votos válidos.
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