Cooperativas agropecuárias reúnem 50 mil capixabas e movimentam R$ 6,5 bi
Cooperativas agropecuárias do Espírito Santo somam quase 50 mil cooperados, crescem em faturamento e ganham força em café e leite.
As cooperativas agropecuárias ganharam protagonismo no Espírito Santo e no Brasil ao reunir milhares de produtores rurais em torno do trabalho coletivo. Com atuação em diferentes segmentos e responsáveis por boa parte dos alimentos que chegam à mesa dos brasileiros, elas vêm ampliando espaço e resultados econômicos.
De acordo com o Anuário do Cooperativismo Brasileiro, lançado pelo Sistema OCB, o País possui 1,2 mil cooperativas que integram o Ramo Agropecuário. Juntas, elas reúnem mais de 1,1 milhão de cooperados, pessoas do campo que encontraram nesse modelo benefícios como assistência técnica, cursos, capacitações e melhores condições de acesso a insumos e tecnologia.
Força do cooperativismo agro no Espírito Santo
No Espírito Santo, o cooperativismo segue a mesma tendência. O Estado conta com 25 cooperativas agropecuárias que refletem a diversidade do agronegócio capixaba, com atuação em segmentos como café, leite, hortifrutigranjeiros, heveicultura e aquicultura, entre outros.
Em 2025, essas cooperativas registraram movimentação econômica de R$ 6,5 bilhões, um crescimento de 3,2% em relação ao ano anterior. Para a liderança do setor, esse desempenho reforça o papel estratégico do cooperativismo para pequenos e médios produtores.
O presidente do Sistema OCB/ES, Pedro Scarpi Melhorim, destaca o peso econômico do segmento.
"O Ramo Agro já é o segundo maior quando o assunto é faturamento do cooperativismo capixaba. A atuação dessas cooperativas é pujante. Na prática, elas fazem a diferença e geram impacto positivo, aumentando a força dos produtores cooperados e ampliando as suas oportunidades"
Quase 50 mil cooperados e milhares de empregos
O Anuário do Cooperativismo Capixaba 2026, que traz o recorte de dados do Espírito Santo, aponta aumento de 7,7% no número de cooperados no Estado, que atingiu a marca de 49.541 em 2025. Considerando o período entre 2023 e 2025, o crescimento foi de 21,5%.
Além de reunir produtores rurais, as cooperativas agropecuárias também geraram e mantiveram postos de trabalho, somando 2.972 colaboradores. Desse total, 89,9% são contratados pelo regime celetista, reforçando o impacto do cooperativismo na renda e na formalização do emprego no campo.
Produtores rurais encontram mais oportunidades nesse modelo, com o Ramo Agropecuário se consolidando como o segundo maior em faturamento no Estado.
Números do cooperativismo agro capixaba
Os principais indicadores do cooperativismo agropecuário no Espírito Santo mostram a dimensão do setor:
- 25 cooperativas agropecuárias em atividade;
- 49.541 cooperados em 2025;
- 2.972 colaboradores contratados;
- R$ 6,5 bilhões de movimentação econômica em 2025.
Café e leite puxam o desempenho das cooperativas
A cafeicultura e a cadeia leiteira se consolidaram como segmentos produtivos de destaque dentro do cooperativismo no Espírito Santo. Em 2025, as cooperativas foram responsáveis pela comercialização de quase 1,8 milhão de sacas de café conilon e cerca de 310 mil sacas de café arábica nos mercados interno e externo.
O valor obtido com as vendas de café para o mercado interno chegou a R$ 3,3 bilhões, um crescimento de 134,8% no triênio 2023–2025. Ao todo, 30 países, distribuídos pelos cinco continentes, receberam café comercializado pelas cooperativas capixabas em 2025, o que reforça a presença internacional do produto.
Na cadeia produtiva do leite, o modelo cooperativista foi responsável por 63,3% do total de leite captado no Espírito Santo em 2025. Do volume captado pelas cooperativas, de 147,6 milhões de litros, 73,8% foram destinados à industrialização própria.
Quando se analisa o faturamento total com produtos lácteos industrializados, o leite longa vida se destaca, respondendo por 48,5% do total. Em seguida aparecem requeijão, muçarela e demais queijos, com 24,7%; leite em pó, com 8,6%; manteiga, com 5,5%; e iogurtes e bebidas lácteas, com 2,5%, evidenciando a diversidade da produção das cooperativas.
A venda de café para o mercado interno, por sua vez, atingiu o patamar de R$ 3,3 bilhões no ano passado.
Cooperativismo alimenta estudantes e fortalece a agricultura familiar
A agricultura familiar também integra de maneira decisiva o cooperativismo capixaba. Além da oferta direta de produtos à sociedade, as cooperativas que atuam nesse segmento são aliadas de governos municipais e estaduais e contribuem diretamente para a alimentação de estudantes da rede pública de ensino.
Em 2025, essas cooperativas comercializaram mais de R$ 19,5 milhões por meio de programas governamentais de aquisição de gêneros alimentícios. Foram mais de mil toneladas de produtos fornecidos por cooperativas de agricultura familiar que abasteceram 369 escolas públicas e beneficiaram diretamente mais de 94 mil alunos.
Entre os itens comercializados estão frutas, legumes, tubérculos, peixes, leite e derivados, verduras e ovos, mostrando a diversidade de alimentos que chegam às mesas das escolas por meio do cooperativismo.
Para o diretor-executivo do Sistema OCB/ES, Carlos André Santos de Oliveira, a presença das cooperativas no dia a dia da população é um dos principais diferenciais do modelo.
"As cooperativas entregam produtos orgânicos, sustentáveis e de qualidade para estudantes da rede pública. Assim, promovem a nutrição e auxiliam no desenvolvimento dessas crianças e adolescentes. Ajudam, também, os próprios cooperados, porque, sem a cooperativa, eles teriam mais dificuldade de comercializar por meio desses chamamentos"
A avaliação reforça como o cooperativismo agropecuário conecta produção, renda no campo e políticas públicas de alimentação escolar, alimentando o futuro de milhares de estudantes capixabas.
Produtos das cooperativas foram destinados a quase 370 escolas, ampliando o acesso a alimentos variados e de qualidade.
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