Fim da recuperação judicial e alta da ação
Americanas encerra processo iniciado em 2023, após dívida de R$ 43 bi, e prevê no fim do ano mais crédito e 3 mil contratações
As ações das Lojas Americanas saltaram ontem depois que a Justiça do Rio de Janeiro decretou, na véspera, o encerramento do processo de recuperação judicial da varejista, iniciado em 2023.
Os papéis da Americanas fecharam em alta de 15,58% na B3, cotados a R$ 6,90. Mais cedo, os papéis chegaram a ser negociados a R$ 7,50, aproximando-se do fechamento máximo registrado em 2026, de R$ 7,61, em abril, tendo disparado mais de 20%. Os papéis movimentaram R$ 55,2 milhões, mais de cinco vezes os R$ 9,7 milhões registrados na véspera.
A Americanas entrou em recuperação judicial em janeiro de 2023, com dívidas de R$ 43 bilhões, após a revelação de inconsistências contábeis de cerca de R$ 20 bilhões. Desde então, a varejista reduziu operações, reformulou sua atuação no e-commerce e concentrou esforços na recuperação das lojas físicas.
Aprovado em fevereiro de 2024, o plano de recuperação completou dois anos e, portanto, poderia ser encerrado caso todas as obrigações previstas fossem cumpridas, não dependendo da consolidação de todos os credores.
No comunicado compartilhado pela empresa na última segunda-feira, informou que a oficialização do fim da recuperação “representa um marco importante na trajetória da Companhia e inaugura uma nova etapa de seus negócios”.
“Com a conclusão dessa etapa, a Companhia segue comprometida com o crescimento de suas operações, o fortalecimento sustentável do seu modelo de negócio e o desenvolvimento da experiência de seus clientes.”
Em entrevista ao jornal Valor Econômico, o diretor-presidente da Americanas, Fernando Soares, destacou que o fim do processo judicial deve ampliar o acesso da companhia a linhas de crédito.
Também informou que a empresa se encontra em um momento de crescimento e está contratando 3 mil pessoas para lojas e centros de distribuição antes da Black Friday e do Natal.
Fernando Soares afirmou que a companhia implementou um plano de readequação nos últimos dois anos e o ganho operacional aumentou R$ 500 milhões no período, enquanto a empresa registrou crescimento de 9,3% no primeiro semestre de 2026 e alta de 10,3% na receita bruta por metro quadrado no mesmo intervalo.
Casas Bahia confirma pedido
Os acionistas do Grupo Casas Bahia aprovaram a ratificação do pedido de recuperação judicial da companhia, mostra comunicado enviado ao mercado na noite da última segunda-feira. A empresa reforça que a aprovação foi realizada em conjunto com suas subsidiárias.
“Até a presente data, o juízo não se manifestou sobre o deferimento do processamento do Pedido de Recuperação Judicial, e não há garantia de que este será deferido nos termos requerido”, diz a empresa.
Enquanto isso, a varejista afirma que permanecem em vigor os efeitos da tutela de urgência deferida em 28 de agosto de 2026, conforme divulgado em 31 de agosto de 2026. O grupo pediu recuperação judicial com R$ 17,3 bilhões em dívidas no dia 17 de agosto após ficar seis anos sem registrar lucro.
Em 2020, o Grupo Casas Bahia registrou lucro líquido de R$ 1 bilhão. No entanto, a companhia não conseguiu fechar nenhum ano no azul desde então. Em 2021, a companhia teve prejuízo de R$ 297 milhões. Em 2022, o prejuízo foi de R$ 342 milhões. Já em 2023, o prejuízo subiu para R$ 2,6 bilhões.
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