ES deve produzir 1 em cada 4 sacas de café da safra recorde do Brasil
Uma em cada quatro sacas do grão colhidas no País deverá sair do Espírito Santo, que também lidera a produção de conilon
O Espírito Santo deverá produzir praticamente uma em cada quatro sacas de café da safra recorde prevista para o Brasil neste ano. Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o País deve colher 67,6 milhões de sacas de 60 quilos, alta de 19,6% sobre 2025 e maior volume da série histórica da companhia.
No Espírito Santo, a produção estimada soma cerca de 16,5 milhões de sacas, sendo 12,1 milhões de conilon e 4,38 milhões de arábica. O volume equivale a 24,4% de toda a produção brasileira. Em outras palavras, de cada quatro sacas de café colhidas no País, praticamente uma deverá sair de lavouras capixabas.
O peso do ES é ainda maior no conilon. Ele segue como principal produtor brasileiro da variedade e deve responder por cerca de 62% das 19,4 milhões de sacas previstas para o Brasil neste ano.
O recorde nacional é favorecido pela bienalidade positiva, sobretudo nas lavouras de arábica, e também pelo aumento da área em produção e da produtividade. A área produtiva de café no País deve crescer 5,1%, alcançando 1,95 milhão de hectares. Já a produtividade média sobe 13,8%, de 30,4 para 34,6 sacas por hectare.
A Conab destaca ainda o maior uso de tecnologias no manejo e condições climáticas mais favoráveis nas regiões produtoras. O arábica, que representa cerca de 70% da produção brasileira de café, deve alcançar 48,2 milhões de sacas, 34,8% a mais que em 2025.A colheita está praticamente encerrada, com 99% da área já colhida.
O bom momento também aparece nas exportações. Em agosto, o Brasil embarcou 3,8 milhões de sacas, maior volume da série histórica para o mês, com alta de 43,2% em relação a agosto de 2025.
No acumulado de janeiro a agosto, porém, as exportações somaram 24,6 milhões de sacas, queda de 6,6% ante o mesmo período do ano passado. Para o ciclo mundial 2026/27, o Departamento de Agricultura dos EUA projeta produção recorde de 189,7 milhões de sacas e consumo de 179,7 milhões.
A Conab avalia que a entrada da safra brasileira no mercado, a proximidade da colheita no Vietnã e o aumento sazonal da produção colombiana pressionam as cotações internacionais. Mas os estoques baixos e a expansão do consumo mundial limitam quedas mais acentuadas nos preços.
Queda na produção de conilon
Apesar de participar com quase um quarto da safra recorde brasileira, o Espírito Santo terá redução de 5,4% na produção total este ano. A queda é puxada pelo conilon, enquanto o arábica apresenta recuperação. A produção capixaba de conilon está estimada em 12,1 milhões de sacas, 14,3% abaixo da safra anterior.
Segundo a Conab, o resultado está ligado à florada irregular nas lavouras, causada pelas baixas temperaturas registradas nas regiões produtoras. Ainda assim, o Estado continua como principal produtor de conilon do Brasil.
Como a produção nacional da variedade é estimada em 19,4 milhões de sacas, o Espírito Santo responde por cerca de 62% desse volume. No arábica, o cenário é oposto. A produção capixaba deve alcançar 4,38 milhões de sacas, alta de 33% sobre 2025.
A Conab atribui o avanço às boas condições climáticas, à expansão de 4,9% da área em produção e ao ciclo de bienalidade positiva.
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