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Homero Massena, genial e rebelde

09/09/2021 11:17:07 min. de leitura

Teve a sua arte exposta na galeria Rembrandt, em Paris, no período de 1906 a 1909, e em 1930. Noticiava a imprensa em 1939: “Poucas vezes tivemos a oportunidade de nos deleitar num ambiente de pura arte como a que ora se apresenta. Homero Massena, nome consagrado na vida nacional, como uma de suas impressões de mais alto e honesto valor, pondo em seus quadros pedaços do Brasil que ele vai vendo e que sabe fazer ver como verdadeiro artista que é”.

O genial e rebelde Homero Gabirobetz Massena (1886-1974) é o expoente máximo no cenário das artes da nossa Vila Velha do Espírito Santo. Nasceu em Barbacena, Minas Gerais, mas adotou Vila Velha como sua cidade preferida e com certeza foi reconhecido por amar tanto a nossa terra, tendo recebido o título de cidadão espírito-santense e muito carinho dos admiradores de sua produção artística.

Sua arte explode nas pinceladas, que em um primeiro momento podem parecer despreocupadas com o primeiro plano, mas transmitem ao espectador várias imagens, dependendo do ângulo e distância da obra.

A crítica da época era unânime em afirmar: “Massena surpreende, no que o termo valha na maior força e significação tanto aos leigos quanto aos entendidos em arte.
Artista de processos simples, e por isso mesmo, legitimamente belo, as suas pinceladas são precisas, largas e limpas. Não existem distorções para reverenciar o inédito. Tampouco se oferecem “chromos” para enternecer o vulgar”.

Kleber Galveas, um dos idealizadores do Museu Atelier Residência Homero Massena, artista plástico capixaba e seu pupilo afirma: “a obra de Massena possui unidade, que é produto de uma sensibilidade que se mantém por mais de um século, que transcende ao dualismo vertical-horizontal da tela, e ganha profundidade no espírito do intelectual como no mais rude observador, não é apenas um patrimônio histórico da nossa cultura, é universal, é Arte”.

Galveas luta para a manutenção do acervo e divulgação das obras de mestre Massena, hoje é um grande especialista na restauração dos muitos “Massenas” que recebe, necessitando de cuidados, em seu atelier, na cultural Barra do Jucu, terra dos tambores de Congo e imortalizada pela “Madalena do Jucu”, música de Martinho da Vila.

Os visitantes poderão contemplar pequenos detalhes da vida do Massena, quando a casa onde viveu, transformado em museu, reabrir após a sua restauração. Lá estarão: os seus óculos, seus pincéis, inúmeras cartas, livros, diplomas, e as camas do casal separadas por causa da idade e da doença, onde ele e a sua Edy dormiam, separados mas tão juntos, dando a impressão que eles ainda habitam este lugar.

As marcas do amor do casal estão espalhados por toda a casa, nos afrescos das paredes, nos diversos pássaros desenhados sobre finas rachaduras nas paredes, genialmente aproveitadas como galhos de imaginárias árvores. Simplesmente genial!

Manoel Goes é escritor.