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A importância de acolher o paciente com câncer

| 30/01/2020, 08:14 08:14 h | Atualizado em 30/01/2020, 08:16

Receber um diagnóstico de câncer não é uma notícia fácil para ninguém. Ainda hoje, apesar dos avanços nos tratamentos e nas pesquisas médicas, a doença ainda é associada a uma sentença de morte.

É por isso que o cuidado com os pacientes deve ter como premissa o lado humano, de entender que do outro lado há uma pessoa com sentimentos, mas que está em busca da cura. E a palavra-chave para nós, profissionais da saúde – médicos, técnicos de enfermagem, enfermeiros, técnicos de radiologia –, é acolhimento.

Vamos falar de radioterapia. No geral, a pessoa que chega à clínica vem encaminhada por especialistas, como mastologistas, oncologistas clínicos, urologistas, neurologistas, entre outros.

É na clínica que cai a ficha: agora é hora do tratamento. E muitas vezes essa constatação vem acompanhada de angústia, tristeza, ansiedade, sentimentos normais de quem está com medo de enfrentar algo desconhecido.

O acolhimento desta pessoa até a alta médica é um exercício diário de se colocar no lugar do outro, porém tendo em mente que nosso papel é oferecer a melhor alternativa de tratamento para cada caso. O paciente é orientado sobre os procedimentos e preparo para cada etapa que irá enfrentar e conversa semanalmente com o rádio-oncologista e com a enfermeira.

Esses encontros são importantes por duas razões: acompanhar a evolução da radioterapia e tirar todas as dúvidas que podem surgir durante esta fase. Elas não são poucas: vão da queda do cabelo à redução da imunidade.

Neste período de acolhimento, são muitas as histórias de pacientes que chegam à clínica, tristes, que, à medida que o tratamento avança, se sentem mais fortalecidos e esperançosos.

É neste trabalho que o profissional da saúde percebe quando o paciente não está bem e precisa de um apoio específico. Há casos em que o acompanhamento com um psicólogo se faz necessário.

Estudos mostram que estar bem com a saúde mental aumenta as chances de sucesso no tratamento do câncer, pois quando uma pessoa está bem consigo mesma, ela consegue o equilíbrio e força necessários para superar a doença. O organismo responde mais rápido e faz toda a diferença no resultado.

E não são apenas os adultos que enfrentam os desafios da doença. O câncer também acomete a criança e é preciso acolhê-la da melhor maneira possível.

Em algumas circunstâncias, ela precisa usar uma máscara no local onde irá receber a irradiação. Uma ideia simples, de um técnico de radiologia, tornou essa experiência mais agradável para os pequenos: eles levam seus bonecos favoritos para a radioterapia e uma máscara similar é feita especialmente para os brinquedos. Com isso, eles fazem o tratamento junto com seus “parceiros” de brincadeira.

Como símbolo desse acolhimento, ao final do tratamento, o paciente é presenteado pela equipe com a árvore da vida, que representa a renovação da esperança.
Um sorriso, uma palavra de encorajamento não custam nada aos profissionais da saúde que cuidam de pessoas com câncer. Temos conhecimento para ajudar, mas ter empatia é fundamental.

Carlos Rebello é médico rádio-oncologista

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