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Cidades

Morre Isaias Raw, pesquisador brasileiro e ex-diretor do Butantan

O pesquisador e médico brasileiro morreu aos 95 anos


Imagem ilustrativa da imagem Morre Isaias Raw, pesquisador brasileiro e ex-diretor do Butantan
Isaias Raw morreu aos 95 anos |  Foto: Divulgação / Butantan

O pesquisador e médico brasileiro Isaias Raw morreu na noite desta terça-feira (13) aos 95 anos em São Paulo.

A informação da morte foi confirmada pela assessoria do Instituto Butantan, ao qual o médico era associado.

Conhecido por sua trajetória acadêmica, Raw formou-se em medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) em 1950, com mestrado e doutorado em bioquímica na mesma universidade em 1954. Foi professor livre-docente em 1957 e, depois, professor titular no departamento de bioquímica da mesma faculdade.

Durante os anos da ditadura militar (1964-1985), foi cassado pelo AI-5 e teve de sair do Brasil, período no qual foi professor visitante da Universidade Hebraica de Jerusalém, em Israel, e das universidades Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), Harvard e do Centro Biomédico de Educação da City College (Nova York).

De volta ao país, no final dos anos 1980, dedicou-se ao desenvolvimento científico e tecnológico de vacinas no Instituto Butantan, ajudando a construir a capacidade de produzir 200 milhões de doses entregues ao plano nacional de imunizações no instituto.

Foi diretor do Instituto Brasileiro de Educação, Ciência e Cultura (Ibecc, 1952), que fazia parte da Unesco, e também do Instituto Butantan (1991-1997). Presidiu a Fundação Butantan, entidade privada que administra os recursos do instituto de mesmo nome, de 2005 a 2009.

Raw era membro titular da Academia Brasileira de Ciências (ABC) desde 1987. Em seus mais de 70 anos de vida acadêmica, trabalhou em pesquisas científicas de extrema importância, como na descoberta de enzimas que atuavam no ciclo do tripanossomo, agente causador da doença de Chagas, e na presença de fragmentos de RNA mensageiro em organelas no núcleo celular.

Além disso, criou os kits "O Cientista", com tarefas para fazer em casa, fundou a Editora das Universidades de São Paulo e Brasília, foi diretor da Fundação Brasileira para o Desenvolvimento do Ensino de Ciências (Fundeb) e unificou os vestibulares de medicina de São Paulo (com Walter Leser).

Para o avanço da ciência no estado de São Paulo, criou ainda, em 1964, a Fundação Carlos Chagas para incentivo na formação e seleção de profissionais das áreas de ciências biomédicas, e o Curso Experimental de Medicina da USP.

Por seu mérito científico notável e grande contribuição para o avanço do ensino em ciências, recebeu a Ordem Nacional do Mérito Científico em 1994, o título de Comendador da Ordem Nacional do Mérito Científico em 1995 e foi considerado grão-cruz da mesma ordem em 2001, a mais alta condecoração científica no país.

Recebeu também os prêmios José Pelúcio Ferreira, em 2006, o Prêmio Fundação Conrado Wessel de Ciência e Cultura, em 2004, e de Ciência Geral, em 2005, e o prêmio em Saúde Pública e Medicina Preventiva da Fundação Bunge, em 2010.

Nos últimos anos, como professor emérito de medicina da USP, estava afastado da docência, mas continuava atuando nas pesquisas de vacinas no Butantan, incluindo a da dengue.

Durante sua presidência na Fundação Butantan, denúncias de desvios exercidas por funcionários dentro da fundação no período de 2005 a 2008 que somaram R$ 35 milhões provocaram seu afastamento da diretoria, em 2009. Segundo o Ministério Público Estadual, que investigou as denúncias, porém, não havia indícios de que Raw teria se beneficiado dos desvios.

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