Polícia identifica mulher filmada fazendo saudação nazista após votar no RJ
Mulher que aparece em vídeo fazendo saudação nazista após votar em Botafogo, no Rio, é identificada pela polícia e será ouvida na investigação.
A Polícia Civil do Rio de Janeiro identificou a mulher filmada fazendo uma saudação nazista no Colégio Santo Inácio, local de votação em Botafogo, na zona sul da cidade, no domingo (25), dia do segundo turno das eleições. Ela seria Erica Marques Pinho, 46.
Um eleitor judeu gravou a cena com o celular. Segundo o registro de ocorrência, ele havia acabado de votar quando encontrou uma amiga no pátio externo do colégio. Assustada, ela contou ter visto uma mulher fazer a saudação ao entrar no prédio. Pouco depois, ao sair, a mulher repetiu o gesto.
O eleitor então a questionou: "É isso mesmo? Uma saudação nazista?". De acordo com o relato à polícia, ela confirmou e perguntou se ele era comunista. Ele negou e disse que era judeu. "Pior ainda", respondeu a mulher.
A reportagem procurou Erica Marques Pinho por telefone e por mensagens, mas ela não respondeu. Em outros dois registros de ocorrência em que ela figura como vítima de assaltos, ela se identificou como professora e informou que tem ensino superior.
Em uma publicação de 2020 em rede social, Erica pediu intervenção militar. Quando um internauta disse que aquilo era crime, ela respondeu: "apologia ao crime é ladrar Lula livre". Na sequência, escreveu em inglês "The only good communist is a dead communist" (o único comunista bom é um comunista morto) e pregou a morte da esquerda. Na foto de seu perfil no Instagram, ela aparece em uma montagem ao lado do ex-presidente Jair Bolsonaro.
No registro na delegacia, o eleitor descreve a mulher usando uma camiseta amarela com a frase "meu partido é o Brasil" e um boné vermelho com a inscrição "make america great again", slogan associado ao presidente dos EUA, Donald Trump. O vídeo circula nas redes sociais.
O caso foi registrado na 10ª DP (Botafogo), e a mulher será chamada para depor. O crime é tratado como injúria por preconceito.
A Fierj (Federação Israelita do Estado do Rio de Janeiro) classificou o gesto como "absolutamente inaceitável". A entidade afirmou que vai acompanhar a investigação e cobrar medidas na Justiça.
O vereador Flávio Valle (PSD), presidente da Frente Parlamentar de Combate ao Antissemitismo da Câmara Municipal do Rio, encaminhou o episódio ao MPRJ (Ministério Público do Rio de Janeiro) e pediu que o órgão acompanhe a apuração. Ele defende que a eleitora responda por crime de racismo.
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