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Viver em paz é aceitar que sou humano
Tribuna Livre

Viver em paz é aceitar que sou humano

Michelli Possmozer, jornalista e mestre em Ciências Sociais. (Foto: Divulgação)
Michelli Possmozer, jornalista e mestre em Ciências Sociais. (Foto: Divulgação)
Nesta época de excessos, uma das principais metas do ser humano é alcançar uma vida equilibrada. Grande parte das pessoas deseja: acordar cedo diariamente, correr, malhar, dançar, ser bem-sucedido no trabalho, ser boa mãe ou bom pai, sair com os amigos, acompanhar as notícias diárias, fazer ioga, ter uma alimentação saudável, cozinhar a própria comida, consumir orgânicos e, ainda, postar tudo nas redes sociais.

Mas, quem consegue ser/fazer tudo isso? Esse excesso de positividade, como disse o filósofo Byung-Chul Han, autor do livro A Sociedade do Cansaço, está matando nossa sanidade mental.

O filósofo Mário Sérgio Cortella, no livro Viver em paz para morrer em paz, afirma que ter equilíbrio “É ir aos extremos e não se perder (...). É ser capaz de vivenciar os múltiplos territórios da vida sem neles se ancorar”. Lembrei-me da frase de Nietzsche “torna-te quem tu és”, pois se o homem é capaz de se tornar convicto do que constitui o seu eu, pode pertencer a vários grupos e ter diversos hábitos sem que eles o pertençam e o tenham. E, como também disse Cortella, “equilíbrio não está em vivenciar tudo e qualquer coisa, mas em saber fazer escolhas”. O desafio, então, é saber escolher em meio a tantas possibilidades e ofertas.

Neste mundo em transição, que passamos de tradições e conversas face a face para uma modernidade líquida, como diagnosticou Bauman, o que temos para o amanhã? Que tipo de futuro se espera para uma sociedade que não lê e que adquire seus valores e conhecimento por meio de vídeos de youtubers e de coachings de vida, que pregam uma vida sem obstáculos e plenamente feliz em 10 passos? Não seria essa busca insana que alavancou o consumo de antidepressivos, o qual aumentou em 74% no Brasil, segundo pesquisa divulgada pela OMS no ano passado?

Outro ponto de reflexão é sobre como nos constituímos em sociedade. Segundo Cortella, “Eu sou aquilo que eu faço, relaciono, convivo com outros.” Acredito que uma grande amiga, Jeanne Bilich, acrescentaria outro verbo à frase: “eu sou aquilo que faço, leio, relaciono, convivo com os outros” e, pensando na atualidade, poderíamos cambiar para “eu sou aquilo que vejo no Youtube, relaciono nas redes sociais, convivo no mundo virtual”? Que tipo de conteúdo pode nos preencher na virtualidade? Que tipo de pessoa nos tornaremos se nos deixarmos ser absorvidos nessa sociedade Black Mirror?

Uma sociedade na qual o que importa é ter likes e milhares de visualizações no Youtube e não, de fato, ser importante para alguém. Aliás, para se chegar ao verdadeiro sentido de ser importante, como disse o Cortella, aquela pessoa que a gente “leva para dentro”, são necessários encontros, estabelecer vínculos de amizade, trocar experiências, dedicar tempo ao outro que um dia irá te fazer falta.

Para finalizar, um último aprendizado: aceitar que “a felicidade contínua é uma impossibilidade”, assim como o é a perfeição, o prazer interminável, o acordar bem todos os dias, o estar sempre disposto, o ser sempre amável, o ser sempre paciente, o ser sempre equilibrado, além de tantos outros estados que nos cobramos diariamente. Afinal, como disse Nietzsche, “tudo posso ser, minha alma errante e meu espírito livre me dizem somente uma certeza: sou humano, demasiadamente humano.”

Michelli Possmozer, jornalista e mestre em Ciências Sociais.


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