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"Vi mortos no caminho", conta 1º capixaba que escalou Everest

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"Vi mortos no caminho", conta 1º capixaba que escalou Everest


No rosto, feridas na pele causadas por um frio de -37ºC, além de um semblante de cansaço, uma grande barba grisalha por fazer. No corpo, 10 quilos a menos. Ainda assim, muitos sorrisos e lágrimas por voltar para casa com muitas histórias para contar.

O empresário Juarez Gustavo Soares volta para casa e é recebido com festa por amigos e familiares no Aeroporto de Vitória (Foto:  Leone Iglesias/AT)
O empresário Juarez Gustavo Soares volta para casa e é recebido com festa por amigos e familiares no Aeroporto de Vitória (Foto: Leone Iglesias/AT)

O caminho para Juarez Gustavo Soares, 48 anos, se tornar o primeiro capixaba a chegar ao cume do Everest, no Nepal, foi tenebroso. O alpinista e empresário presenciou a morte de perto, antes de alcançar o feito no ponto mais alto do mundo, no último dia 21 de maio. Na atual temporada, 11 alpinistas já morreram no local.

“Infelizmente, vi mortos no caminho. A gente passou pelo corpo de um búlgaro que tinha falecido dois dias atrás. Foi a partir de 7.800 metros”, lembra Juarez, que não se abateu e seguiu até os 8.848 metros de altitude.

O capixaba foi o 24º brasileiro a atingir o topo da montanha. Lá no alto, teve cegueira causada pela neve. Temporária, mas que ainda prejudica cerca de 30% da visão do empresário. Na tarde de , foi recepcionado no Aeroporto de Vitória por familiares e amigos, após cerca de 50 horas de viagem.

O que sentiu quando chegou ao topo do mundo, com a bandeira do Espírito Santo?

A emoção é muito forte. Só que no momento da escalada a gente está muito focado na tarefa, no cuidado, nos riscos, então não dá para ter aquela enxurrada de emoções. Tinha uma montanha toda para descer ainda, com os cuidados que demandam.

O que viu lá de cima e por quanto tempo ficou no cume?

A gente faz essa preparação toda e não fica mais do que 20 minutos lá em cima. É o tempo de tirar algumas fotos, abraçar, agradecer aos companheiros e a Deus. A gente chegou muito cedo, às 3h11 (do horário local), e tinha em função da luz da lua todo o contorno das montanhas e das encostas gigantes do Everest e do Himalaia. Uma noite memorável, muito linda. Estávamos eu e o “sherpa” (nativo) que me acompanhava, mas subi em um grupo com 12 alpinistas.

Você teve uma cegueira provocada pela neve e congelamento nas pálpebras. Como foi descer com a visão prejudicada?

Assim que o sol nasceu, percebi que enxergava só “borrões”. Isso comprometia porque eu não enxergava direito os meus pés e não tinha sentido de perspectiva, de profundidade, de distância, então tinha que pensar e calcular muito em cada passo. O desgaste físico e emocional dessa descida foi muito grande. Mas não tinha pressão de tempo, fui passo a passo com o “sherpa” que estava me acompanhando e, assim, chegamos ao acampamento 4.

Foi divulgada uma foto impressionante com uma fila de alpinistas. Essa superlotação é uma das causas de tantas mortes no Everest?

O “ciclo do cume”, normalmente, vai do dia 12 ao dia 25 ou 27 de maio. Mas neste ano as “janelas” eram muito curtas, de dois dias. A minha janela estava muito congestionada. A estratégia foi fugir desse congestionamento na ida, mas a gente pegou todo esse congestionamento na volta. De fato, é perigoso e traz riscos a mais. Talvez não seja o causador de alguma tragédia, mas isso faz com que a pessoa fique mais exposta ao frio e mais sujeito a algum problema.

Você caiu e machucou a coluna e a costela. Em algum momento pensou em desistir?

Pensar em desistir, não. Mas o momento crucial foi quando eu machuquei porque eu tinha muito pouco tempo para me recuperar. Então, a gente estabeleceu um cronograma. Me machuquei em uma queda, indo a uns dos ciclos de aclimatação, às 3h30, saindo do acampamento base. São 10 minutos de caminhada. Pelo horário, os cascalhos ficam congelados e eu escorreguei.

Sua aventura no Everest vai virar livro ou documentário?

Em todas as viagens eu faço anotações, não só de registro dos fatos, mas também um pouco das minhas percepções e sentimentos. Por enquanto não tenho planos de um livro, mas de fato tem um belo material.

Saiba mais

Montanha mais alta do mundo

  • Com 8.848 metros de altitude e localizada no Nepal, o Everest é a montanha mais alta do mundo
  • Aos 48 anos, Juarez Gustavo Soares se tornou, no último dia 21, o primeiro capixaba — e o 24º brasileiro — a chegar ao cume
  • A temperatura no pico pode chegar a -70ºC
  • O frio extremo causa, por exemplo, enfraquecimento dos músculos, mal funcionamento do cérebro e risco de edema nos pulmões

Alpinista quer voltar ao Alasca para completar os sete picos

É um erro pensar que um aventureiro como Juarez Gustavo Soares está satisfeito depois de chegar ao topo do mundo. O capixaba já esteve em todos os “Seven Summits”, como são conhecidos os sete picos mais altos do mundo. São eles: Everest (8.848 m), no Nepal; Aconcágua (6.962m), na Argentina; Denali (6.194m), no Alasca; Kilimanjaro (5.891m), na Tanzânia; Elbrus (5.642m), na Rússia; Vinson (4.892m), na Antártida; e o Carstensz (4.884m), em Papua.

Entretanto, o único onde ele não alcançou o cume foi o Denali. Juarez ficou, em 2014, oito dias no acampamento, mas o tempo impossibilitou a subida devido aos fortes ventos. Por isso, ele garante que vai voltar ao Alasca.

E acompanhado dos amigos César Saade e Guiliano Santos, com quem organizou a expedição “Capixabas no Everest” — a dupla o acompanhou no Nepal até o Monte Lobuche (6.119m). “Tenho que voltar ao Alasca em algum momento para terminar”, afirma .

Filhos

Os próximos desafios, porém, serão em terras brasileiras. O alpinista quer subir os 10 picos mais altos do Brasil, com os filhos Davi Nacif, de 19 anos, e João Nacif, 15.

Faltam quatro: Pico da Neblina (2.994m), na Serra do Imeri no Amazonas; 31 de Março (2.972,7m), na mesma região; Pedra da Mina (2.798m), na divisa entre Minas Gerais e São Paulo; e Pico dos Três Estados (2.665 m), entre Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo. “A gente tem o objetivo de subir pelo menos mais um no Brasil, ainda neste ano”, conta o filho Davi, na recepção ao pai.

Depois de 60 dias de muito frio na aventura no Everest, Juarez Gustavo Soares foi recebido com muito calor humano no aeroporto de Vitória, ontem à tarde. O capixaba ganhou um beijo da sua mulher, Juliana Nacif, e abraços apartados de familiares e amigos.

Os pais do empresário, Juarez Soares, 76, e Leila Pascoal Soares, 70, também estiveram na recepção. Dona Leila, por sinal, deu um “puxão de orelha” no filho. “Isso não é coisa que se faz com mãe (risos). É muita apreensão, muitas noites sem dormir”, brincou. “Coisa de mãe, né? (risos)”, divertiu-se Juarez.

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