Cookies não suportados!

Você está utilizando um navegador muito antigo ou suas configurações não permitem cookies de terceiros.


Assine agora e tenha acesso ao conteúdo exclusivo do Tribuna Online!

esqueceu a senha? Assinar agora
Cookies não suportados!

Você está utilizando um navegador muito antigo ou suas configurações não permitem cookies de terceiros.

Veteranos: os quarentões que estão com a bola cheia

Esportes

Esportes

Veteranos: os quarentões que estão com a bola cheia


Loco Abreu defendeu o 28º clube na carreira e ainda não pensa em pendurar as chuteiras (Foto: Daniel Pasti/ Rio Branco)
Loco Abreu defendeu o 28º clube na carreira e ainda não pensa em pendurar as chuteiras (Foto: Daniel Pasti/ Rio Branco)

Além da posição em campo, Loco Abreu e Ademilson têm mais um ponto em comum. Os dois atacantes continuam balançando as redes após os 40 anos, mostrando que a longevidade no esporte é possível, com alguns cuidados essenciais.

Aos 42 anos, Loco Abreu foi o artilheiro do Rio Branco no Capixabão, com seis gols. O Capa-Preta caiu na semifinal, diante do Real Noroeste, no último sábado.

O uruguaio foi monitorado pelos setores de fisiologia e nutrição do clube, mas também se esforçou fora do horário dos treinos para se manter em forma.

Loco Abreu fez academia e teve cuidado especial com a alimentação. Por isso, dá dicas para prolongar a carreira. “Tem muita coisa. Você faz teste de sangue para saber que alimentação é compatível e avalia essa alimentação com nutricionista. Faz avaliação com pesos, exercícios funcionais e de coordenação, na academia. E o treino no campo”, disse ele, que completou.

“É uma ajuda para você ter um melhor desempenho, prevenção de lesões e uma regularidade no ano muito boa para poder curtir o futebol do jeito que a gente quer”, conclui o uruguaio, que está no livro dos recordes por já ter atuado em 28 clubes.

Neste ano, Ademilson foi artilheiro do Tupinambás/MG no Campeonato Mineiro, com quatro gols, e virou até “meme”.

Depois do time aplicar uma goleada por 5 a 1, o torcedor João Otávio, do Vila Nova/MG, questionou em entrevista que viralizou: “Tomar dois gols de Ademilson, 44 anos? Eu estou é chateado demais!”.

“Ele estava meio bravo (risos). Achei bacana porque é fruto de um trabalho. Eu me cuido dentro e fora de campo. Enquanto eu estiver conseguindo treinar bem e jogar bem, não penso em aposentadoria!”, disse o atacante.

Brasileirão

Aos 40 anos, o goleiro Fernando Prass, do Palmeiras, será um dos três quarentões a disputar o Brasileirão de 2019. Além dele, a competição contará com o lateral Léo Moura, do Grêmio, 40, e o zagueiro Léo Silva, do Atlético/MG, que completa 40 anos em junho.

“Acredito que a mentalidade do jogador brasileiro esteja mudando. Faço 41 anos em 2019 e me sinto realmente muito bem”, afirmou Prass.


Ana Cláudia começou a remar em 1991 e ainda tem força nos braços para ser a única atleta com mais de 40 anos a competir no Estadual de Remo (Foto: Antonio Moreira/AT)
Ana Cláudia começou a remar em 1991 e ainda tem força nos braços para ser a única atleta com mais de 40 anos a competir no Estadual de Remo (Foto: Antonio Moreira/AT)

Veterana no remo capixaba

Aos 44 anos, Ana Cláudia Borges é a única mulher acima de 40 anos a competir no Estadual de Remo.

Na primeira regata do ano, no dia 31 de março, a remadora do Álvares Cabral conquistou a medalha de prata na prova skiff (barco individual) peso-leve, perdendo apenas para Cássia Brito, do Saldanha, que tem 26 anos.

“Ela é uma menina, mas fui para cima! Mas só de estar participando, aos 44 anos, já é muito bom para mim. As meninas que me inspiravam na época pararam de remar há muito tempo e eu continuo. Então, é só curtir!”, conta Ana Cláudia, que é professora universitária.

No Estadual, a cabralista venceu duas regatas em 2011, uma em 2012 e duas em 2016.

As conquistas também acontecem na categoria master. Em 2018, ela e Claiton Silva Júnior conquistaram a medalha de ouro no Mundial Master, na Flórida, nos Estados Unidos. Neste mês, ela voltou do Sul-Americano Master, no Paraguai, com uma medalha de ouro, três de prata e uma de bronze.


Walmyr não abre mão do esporte (Foto: Kadidja Fernandes/AT)
Walmyr não abre mão do esporte (Foto: Kadidja Fernandes/AT)
Disposição e fôlego de sobra no triatlo aos 77 anos

Do futebol para o remo. Do remo para a natação. Das piscinas à corrida de rua. Da corrida ao triatlo. E do triatlo ao vôlei adaptado. O esporte é o melhor remédio para o capixaba Walmyr Zanotti.

Mesmo aos 77 anos, o aposentado tem fôlego de sobra para correr, pedalar e nadar, no triatlo, e também não se cansa de conquistar medalhas. Já são mais de 700.

“É preciso ter uma alimentação mais controlada, com menos açúcar, mas não parei com minha 'cervejinha' (risos)”, brinca.

Tudo começou com o futebol, quando criança. Em 1964, virou atleta de remo do Álvares Cabral. O contato com o mar fez Walmyr migrar para a natação.

Depois, resolveu esticar as pernas nas corridas de rua. Até que Walmyr pegou a bicicleta e decidiu fazer triatlo, em 1985. Ele compete nas categorias por idade e sempre sobe ao pódio, geralmente em primeiro lugar. “Sei que sou exemplo para muita gente. Tem atleta hoje do triatlo que fala que é meu fã e que perdia para mim quando começou”.

A nova diversão dele é o vôlei adaptado, para atletas da terceira idade, e Walmyr é o mais velho do time.

O porte físico invejável para a idade mostra que o esporte faz muito bem a ele, que não tem nenhuma doença e não faz uso diário de medicamentos.

“Não vou parar nunca! Quero competir no triatlo até os 80 anos, mas não vou parar de fazer atividades físicas. Independentemente da idade, praticando esporte você está tranquilo!”, garante Walmyr.

Ricardo bate recorde no vôlei de praia brasileiro

Aos 44 anos, Ricardo se tornou o homem mais velho a vencer a temporada do Circuito Brasileiro de Vôlei de Praia (Foto: Wander Roberto/Inovafoto/CBV)
Aos 44 anos, Ricardo se tornou o homem mais velho a vencer a temporada do Circuito Brasileiro de Vôlei de Praia (Foto: Wander Roberto/Inovafoto/CBV)
Em 2004, então com 29 anos, Ricardo conquistou a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Atenas. Depois de 15 anos, ele continua fazendo história no vôlei de praia brasileiro. Na última sexta-feira (12), o baiano se tornou o atleta mais velho a vencer uma temporada do Circuito Brasileiro Open de vôlei de praia, aos 44 anos.

O feito foi conquistado após a classificação dele e do parceiro Álvaro Filho (PB) às oitavas de final da etapa de João Pessoa, na Paraíba, o que garantiu o título da dupla na temporada pela soma de pontos.

O paranaense Emanuel, ex-parceiro de Ricardo, era o detentor do recorde anterior, por ter vencido a temporada 2014/2015, aos 41 anos.

“Devo muito aos profissionais com quem trabalhei por todos esses anos, o fato de me manter competitivo atualmente e sem lesões sérias. É normal que em alguns aspectos exista uma queda. Não sou tão veloz como era antes, talvez também não tenha a mesma força física, mas fui me adaptando, criando formas de jogar", comemorou o veterano.

Ricardo e Álvaro Filho (BA/PB) participaram de cinco das seis etapas anteriores e venceram duas: São Luís (MA) e Natal (RN). Eles também foram prata em Fortaleza (CE) e bronze em Vila Velha, aqui no Estado.

Além do recorde, Ricardo comemorou o sétimo título no Circuito Brasileiro Open, que ele também conquistou em 2002, 2003, 2006, 2008 e 2014/2015, ao lado de Emanuel (PR), e em 2013/2014, ao lado de Márcio Araújo (CE).

"A experiência é uma dádiva, você passa a entender e enxergar melhor o jogo. E por ter sido bem treinado, bem assessorado, ter me cuidado, isso facilitou para seguir prolongando minha carreira. É bom me sentir bem em quadra, competitivo, independente da minha idade. Ainda me divirto lá dentro”, concluiu Ricardo.

Outros quarentões em alta no Estado 

Bodyboarding: Neymara Carvalho e Maylla Venturin têm 43 anos e continuam em alta no bodyboarding capixaba. Elas são referências no esporte e estão sempre conquistando títulos. Em 2018, Neymara venceu seu nono título estadual e neste ano começou forte na disputa pelo décimo troféu, vencendo a primeira etapa. Nesta temporada, ela também busca seu décimo título brasileiro e o sexto no mundial. Já Maylla foi campeã brasileira de bodyboarding, em 2017, e soma sete títulos estaduais.

Remo: Ana Cláudia Borges é a única mulher acima dos 40 anos a competir no Estadual. Entretanto, cinco homens quarentões disputam a competição: Wagner Silva Neto, 48, Frederico Coledetti, 45, e Bruno Conceição Merçon, 43, pelo Álvares Cabral, e Carlos Eduardo Arias, 52, e Marcelo Zamprogno, 49, pelo Saldanha da Gama.

Kickboxing: Renato Fiorese Dalvi é o único quarentão inscrito no Campeonato Capixaba de Kickboxing 2019. Aos 41 anos, Renato vai disputar a medalha na categoria K1 adulto, 91 kg.

Basquete: A tabela da Copa Espírito Santo de Basquete 2019 ainda não foi definida. Entretanto, as participações de Aldo Júnior, de 50 anos, e Cachorrão, 45, são praticamente certas. No ano passado, eles competiram por Domingos Martins e Álvares Cabral, respectivamente. Aos 41 anos, o capixaba Alessandro Casé também continua em alta no basquete. Em fevereiro, ele conquistou com a Seleção Brasileira o Mundial Master 3x3, em Cancún, no México. Com a amarelinha, ele já tinha sido campeão do Mundial Master, em 2012, e do Pan-Americano Master, em 2018.

Fisiculturismo: Seis homens continuam com o corpo em forma para as competições estaduais de fisiculturismo, na categoria Bodybuilding: Luiz Carlos Sarmento, de 52 anos, Emerson Almeida, 45, Hatila Silva, 45, Flaviano Coelho, 42, Sergio Lopes, 42, e Marconde Bispo, 41.

Automobilismo: No barródromo de Jacaraípe, na Serra, cinco quarentões continuam pisando fundo e conquistando títulos no Campeonato Capixaba de Velocidade na Terra e no Torneio de Verão da modalidade. Betinho Sartório, 57 anos, e Liliu, atual campeão do Torneio de Verão, de 44, são grandes nomes da categoria Turismo Graduado. Campeão em 2018, Eudimar Panthersom, 46, tem na categoria Turismo Light a companhia de Maurício Lempe Filho, 48. Já Sandro Cibien compete nas duas categorias, aos 42 anos.
 

Análise de Helvio Affonso, fisiologista de alta performance e preparador físico: “Perspectivas para atletas com mais de 40 anos são positivas”

A repetição e grandes volumes de treinos eram comuns, o que reduzia o “tempo útil” dos atletas. Hoje, alguns pontos pautados em congressos e grupos de pesquisas são: controle, monitoramento e individualização das cargas de treinos, assim como treinamentos mais específicos e curtos. São ações aplicadas na busca pela longevidade.

A tecnologia também tem seu papel nesse contexto. Dinamômetros, GPS, plataformas instrumentadas, potenciômetros, acelerômetros, câmeras e softwares de análise de movimento favorecem a performance e minimizam os impactos no corpo. Outro recurso é o biomonitoramento, capaz de identificar desgastes em nível molecular.

A cargo da fisiologia fica o monitoramento. No geral, as perspectivas para atletas com mais de 40 anos são positivas. Hoje temos condições de monitorar cargas de treinos, identificar os impactos e necessidades de recuperação em cada etapa. Podemos “economizar a máquina” e gerar alta performance sem desgastes excessivos.


Olá, !

Esse é o seu primeiro acesso por aqui, então recomendamos que você altere o seu nome de usuário e senha, para sua maior segurança.



Manter dados