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Vamos dar as mãos
Painel da Folha de São Paulo

Vamos dar as mãos

A exemplo do acordado na Câmara dos Deputados, o governo deverá encaminhar nos próximos dias projeto de lei para a abertura de crédito suplementar de cerca de R$ 4,5 bilhões para irrigar ministérios e atender à demanda de senadores com entregas em suas bases eleitorais.

O pedido foi encaminhado pelo presidente da Casa, Davi Alcolumbre (DEM-AP), que teria alertado o Palácio do Planalto não ser possível tocar tantas matérias polêmicas ao mesmo tempo sem oferecer contrapartida.

Olha a fila - Caberá ao Senado, nas próximas semanas, avalizar a indicação do novo procurador-geral, Augusto Aras, aprovar a reforma da Previdência e analisar o nome de Eduardo Bolsonaro, filho do presidente, para comandar a embaixada do Brasil nos EUA.

Fecha a conta - O combinado é que o crédito extra seja liberado antes de a indicação do filho 03 chegar ao parlamento.

E passa a régua - Senadores têm especial interesse em direcionar verbas de programas como Minha Casa Minha Vida e Luz para Todos. A ideia é reunir recursos dispersos em emendas e aumentar o volume disponível para programas como estes, permitindo que os parlamentares indiquem prioridades. O pedido por cargos também não se esgotou.

Cara a cara - Após conversas que o indicado à PGR, Augusto Aras, teve no fim de semana com Davi Alcolumbre (DEM-AP) e Simone Tebet (MDB-MS), ficou a impressão de que a relatoria de sua nomeação no Senado está entre dois Eduardos: ou Eduardo Braga (MDB-AM) ou Eduardo Gomes (MDB-TO).

No papel - Com as queixas por Bolsonaro ter apontado nome de fora da lista tríplice para a PGR, auxiliares do presidente defendem que o tema seja agora discutido em lei, para deixar claro quais são os limites do presidente na escolha.

Mudando de assunto - Políticos alinhados à pauta conservadora acreditam que, após a censura na Bienal, o prefeito do Rio, Marcelo Crivella (PRB), ressuscitou para a opinião pública e pode angariar apoio com vistas à eleição de 2020.

Mudando de assunto 2 - Com a gestão mal avaliada, Crivella volta-se ao conforto da pauta de costumes, apontam seus adversários. De quebra, ele expõe alinhamento às ideias de Bolsonaro, ferrenho crítico de políticas de identidade de gênero, e que ainda não definiu candidato na eleição do Rio.

Passa mais tarde - Atrasou de novo o início do prometido pente-fino nas contas do INSS, que tinha como objetivo reduzir fraudes e poupar recursos no momento em que é aprovada a reforma da Previdência. A Dataprev havia se comprometido em entregar em agosto um sistema de auditoria, adiou para setembro e agora informa que o aparato só ficará pronto no fim de novembro.

Passa mais tarde 2 - Com isso, os cerca de R$ 2,5 bilhões que o governo estimava economizar neste ano com a devassa devem ficar para 2020. Isso porque os suspeitos têm 30 dias para se defender antes que o corte do benefício seja feito. Na melhor das hipóteses, em janeiro.

Me ajuda a te ajudar - O atraso provocou troca de acusações em reunião de representantes da Dataprev, INSS, CGU (Controladoria Geral da União) e peritos na última semana. Sem o pente-fino, a categoria também não receberá o bônus de desempenho prometido (e já reservado), de R$ 223 milhões.

Homônimos - Informações que chegaram à chefia da Polícia Federal em Brasília dão conta de que o Helio Negão que é alvo de investigação da Superintendência do órgão no Rio é na verdade um homem que já morreu, e não o deputado homônimo, amigo de Bolsonaro.

Dois em um - Para a cúpula, os responsáveis pelo inquérito do caso sabem disso, fato que reforça a desconfiança da direção da corporação de que a investigação só foi aberta para desgastar Ricardo Saadi, agora ex-superintendente da PF carioca.

Meu guri - Cresce na chamada ala ideológica do governo a defesa do nome do chefe da Abin, Alexandre Ramagem Rodrigues, que é delegado da PF, para comandar a corporação no lugar de Maurício Valeixo, caso a troca se confirme. Ramagem atuou na segurança de Jair Bolsonaro na campanha de 2018.

TIROTEIO

"Com estas revelações, a operação já merece ser rebatizada: Lama Jato. E os membros da quadrilha, todos processados."

Do senador Jaques Wagner (PT-BA), sobre conversas que põem em xeque tese de que ex-presidente Lula agiu para evitar prisão em 2016.

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