Uma roda-gigante de possibilidades!

 (Foto: Reprodução)
(Foto: Reprodução)

A roda-gigante é um brinquedo de parque de diversão e nem preciso dizer o quanto sou fascinada por parques. Porém, em muitos lugares do mundo, ela é construída para que as pessoas possam ter, lá do alto, uma visão panorâmica. Dependendo de onde esteja instalada, é possível avistar uma cidade inteira. Por isso, é atração turística em muitos países.

Na prática – Mas foi em Vila Velha que eu pude ter novamente muitas sensações que eu vivia na infância, como alegria, emoção, expectativa, risco, insegurança e principalmente a sensação do medo, talvez por isso o fascínio por este brinquedo.

Toda criança necessita do medo, do risco para descobrir e para crescer. No meu caso, adulta, preciso do risco para me fortalecer e me sentir capaz.

Os perrengues – E quando o assunto é acessibilidade, que muitas vezes não sabemos se “dá ou não”, me sinto uma heroína depois de vencer o medo exposta aos riscos (das barreiras físicas, digo).

A roda é nossa! Eis que para minha surpresa a roda-gigante instalada no Shopping Vila Velha é acessível às pessoas com deficiência.

Desde a chegada até a entrada do brinquedo é dada toda assistência de que precisamos. Ah, pessoas com deficiência não pagam! Mas o acompanhante, sim!

Da cabine – O cadeirante tem uma cabine reservada em que é retirado um banco e com isso sobra um espaço para a cadeira de rodas.

No entanto, uma cadeira maior terá dificuldade. A não ser que o cadeirante passe para o assento da cabine e deixe sua cadeira aguardando lá embaixo... É uma opção.

Como a minha cadeira é pequena, passei para o banco da cabine e consegui levar a cadeira do meu ladinho. Fiquei mais confortável e segura. Ah! Nesta cabine você vai com mais uma pessoa – se quiser.

Mas se for com uma galera, tem outra que comporta mais pessoas e terá que deixar sua cadeira guardadinha lá embaixo mesmo. O que também é superseguro.

Inclusão à prova – O mais legal de tudo isso é perceber o quanto este empreendedor – da brilhante ideia da roda-gigante – teve uma visão ampliada do que significa incluir a todos quando se trata de direito ao lazer. Do olhar de que as pessoas com deficiência são, antes de tudo, PESSOAS.

Pessoas como quaisquer outras, com protagonismos, peculiaridades, contradições e singularidades.
Pessoas que lutam por seus direitos, que valorizam o respeito pela dignidade, pela autonomia individual, pela plena e efetiva participação e inclusão na sociedade e pela igualdade de oportunidades.

A gente nunca esquece – A primeira vez na roda- gigante como cadeirante foi tão legal que voltei com uma galera ainda maior de noiva, cunhadas e sobrinhos.

Lá fui eu de novo experimentar novas histórias, me colocar em situação de risco. Senti-me puxada pela vida para mais um processo de transformação e descobertas.

E fatalmente, esses processos nos impulsionam em direção à realização de nossos projetos.

E na parada eletrizante bem pertinho do céu, aproveito para apreciar a paisagem, me sentir livre, e gritar: Uhuu!


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