Um domingo no museu

Adoro quando o fim de semana se aproxima. Quem não gosta, não é? Poder acordar sem o despertador e sem muitos compromissos profissionais.

É chegada a hora do lazer e todos sabem que um passeio nos relaxa, clareia a mente, tira o estresse e nos proporciona muito bem-estar.

Mas em alguns casos, os passeios nos trazem conhecimentos também. E o programa escolhido para o nosso domingo foi o Museu da Vale.

O museu — Ele está situado na antiga Estação Pedro Nolasco da ferrovia Vitória-Minas, no bairro de Argolas, às margens da baía de Vitória. O Museu Vale foi inaugurado em 15 de outubro de 1998, sendo um projeto realizado pela companhia Vale do Rio do Doce.

Sua arquitetura eclética foi preservada na época da restauração, entre 1996 e 1997.

O que tem lá? — O edifício-sede abriga o acervo permanente com 133 itens (84 peças e 49 fotografias) que contam a história da Estrada de Ferro Vitória a Minas.

A Sala da Construção, a Sala de Manutenção e a Sala das Estações são espaços para exposição que apresentam a história da ferrovia.

Um diálogo entre o passado e o presente que contribui para o desenvolvimento da nossa sociedade.

O museu conta também com o Centro de Memórias, que possui um precioso patrimônio arquivístico.
Já disse aqui que a minha família — quase — toda foi funcionária da empresa e nesse patrimônio vi muitas histórias vividas por meu pai. Confesso que tem fotos dele lá também. Eu segurei a emoção.

Ah!! A Maria-Fumaça! Locomotiva a vapor vinda da Filadélfia (Estados Unidos), foi adquirida em 1945 pela Companhia Vale. Ela é a atração mais querida da criançada.

Está em perfeito estado e é possível entrar e curtir mais um pouco do passado lá dentro. Aliás, cadeirantes não entram.

Uma pena, pois a solução seria bem simples e todos poderiam curtir juntos. Sabemos que a acessibilidade plena não existe em nosso cotidiano e que é preciso construí-la.

A construção da acessibilidade passa pela remoção de barreiras instaladas nas mais diversas áreas dos museus.

Meus olhos brilharam! E é exatamente sobre a acessibilidade que quero falar. Fiquei surpresa ao voltar ao museu depois de tanto tempo e perceber que todas as rotas estão acessíveis! De um galpão ao outro, no restaurante e por toda a área externa. Parabéns!

Mas atenção — Apesar desses muitos esforços em relação à acessibilidade arquitetônica, as ações ainda são muito tímidas para efetivamente permitir a criação de uma relação afetiva entre o visitante com deficiência e o museu ou o patrimônio.

Por exemplo: inexistência de réplicas, maquetes ou outros recursos táteis para pessoas com deficiência visual, ausência de legendas ou sinalizações em braile; falta de funcionários treinados para a comunicação na Língua Brasileira de Sinais (Libras) com pessoas com deficiência auditiva; inexistência de equipamentos de audiodescrição para pessoas cegas ou de visitas guiadas para grupos de pessoas com deficiência; barreiras físicas como mobiliário inadequado ou não sinalizado etc.

E tem mais! Lá também tem obras de artistas que pertencem à história da arte contemporânea nacional e internacional.

Elas ficam no Galpão de Exposições, um antigo armazém de cargas adaptado para exposições de grande porte. Aproveitem para visitar uma exposição que se chama “Penumbra”. É linda!

Depois de respirar arte, conhecimento, e claro, observar sobre a acessibilidade no museu, eu e minha família fomos saborear um delicioso almoço e com direito a um cafezinho bem de frente para a baía de Vitoria.

Tomara que esses espaços incorporem cada vez mais a cultura inclusiva para que consigamos tão logo avançar nessa temática. Não perca o trem! Boa quarta!

Mariana Reis é consultora em acessibilidade e educadora física


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