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Feche a boca e abra os braços
Tribuna Livre

Feche a boca e abra os braços

por Jane Mary de Abreu

"O abraço é terapêutico, tem efeito calmante, pode curar uma pessoa"

Tenho predileção pelo abraço. Ele permite que um coração repouse sobre outro coração, fazendo dessa junção um encontro lindo, completamente sagrado. Se Deus habita os corações humanos, um abraço representa na verdade o encontro de dois pequeninos deuses. É mais do que um gesto de carinho, é uma reverência mútua que fazemos ao Deus que habita em nós.
O abraço é terapêutico, tem efeito calmante, pode curar uma pessoa. Penso que se todo médico recebesse seus pacientes com um abraço, metade dos desconfortos desapareceriam na entrada dos consultórios e não haveria necessidade de tanta medicação.
Os médicos com formação holística, que enxergam além do físico, já sabem que na verdade não é o corpo que adoece, é a alma. Tudo que se manifesta no exterior, tem sua causa primária no interior da pessoa. O corpo apenas reproduz o que está se passando na alma. Toda doença é na verdade um pedido de amor.
A coisa é simples, mas como o tempo tem andado depressa demais e a grande maioria resolveu acompanhar a loucura dos relógios, hoje quase ninguém mais se dá ao trabalho de olhar nos olhos de quem está diante de si. Abraço, então, virou uma raridade, coisa do passado, nostalgia pura.
Todos estão com pressa e sem tempo para as coisas essenciais da vida. E se você pede um abraço, corre o sério risco de ser mal interpretado. A coisa está esquisita. Como dizia a minha avó, está esquisita a ponto de a vaca não reconhecer o bezerro no pasto. E pelo andar da carruagem, daqui a pouco, o distanciamento entre as pessoas vai ser tão grande que olhar nos olhos vai ser considerado assédio sexual grave, passível de ação judicial.
Eu fico me perguntando o seguinte: se o mundo chegou aonde chegou sem o celular, por que ele agora é considerado o oxigênio das novas gerações? Virou doença e já tem nome: Nomofobia, a síndrome em que o paciente fica dependente do celular ou da internet. Ela não costuma aparecer sozinha, geralmente está associada aos transtornos da ansiedade – síndrome do pânico, transtorno bipolar, estresse pós-traumático, entre outras. Assim dizem os médicos.
E o incrível é que todos ficam grudados naquele quadradinho para obter informações que não acrescentam nada na vida de ninguém, é um mexerico danado, uma fofoca coletiva institucionalizada.
Conheço muitos pais e mães que se gabam de saber o que está acontecendo neste momento no mundo, mas se perguntarem a eles qual é o sonho do próprio filho que mora no quarto ao lado, certamente vão ter dúvida ou nem saber. Isso pode ser até moderno, saudável não é. Penso que não é de mais conhecimento que o ser humano precisa, e sim de mais amor, mais sabedoria.
Madre Teresa de Calcutá dizia que neste mundo não podemos fazer grandes obras, apenas pequeninas coisas com grande amor. Eu rezo nesta cartilha, há muito tempo deixei de focar minha atenção no macro, hoje me ocupo do micro, das pequeninas coisas que são a essência das grandes felicidades. A vida tem me provado isso.
Dizem que conselho a gente não deve dar, mas eu discordo disso. Entendo o conselho como um cuidado extra, uma preocupação antecipada com a felicidade do outro. Sendo assim, fica aí o meu conselho: Não importa se você ou o outro está com a razão, não interessa quem vai ganhar a discussão, o importante mesmo, o fundamental para a elevação espiritual, é ter sabedoria para, no meio do conflito, fechar a boca e abrir os braços.
Jane Mary de Abreu é jornalista, consultora de comunicação e marketing, autora do livro “Tudo
é perfeito do jeito que é”

 

A seção Tribuna Livre é publicada diariamente no jornal A Tribuna. Colaborações para a coluna devem ser enviadas para opiniao@redetribuna.com.br.


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