Dia de Doar

 

 

 

 

 

 

 

 

 

por: Robson Melo

 

"Ao doarmos o que está ao nosso alcance, humanizamos e enobrecemos a sociedade"

 

Em meio a tantas datas comemorativas, todas com sua relevância e oportunidade, destaco uma criada recentemente: o Dia de Doar, celebrada neste ano em 28 de novembro. Lançada para fazer um contraponto ao dia de consumir, o Black Friday, ela se propõe a despertar e promover a cultura da doação, no Brasil e no mundo.

O Dia de Doar nasceu nos Estados Unidos com o nome Giving Tuesday, exatamente para contrabalançar o desejo do corpo de consumir com o do coração de partilhar.

Uma iniciativa bastante oportuna nos dias de hoje, quando o mundo sofre pelo excesso e pela falta. Há desperdício de comida em algumas regiões e fome em outras. Educação, saúde, lazer e saneamento, condições de rotina para alguns, são ausência para outros.

É fundamental, assim, que estejamos atentos ao abismo entre esses dois extremos. E cada um de nós, não há dúvidas, tem papel relevante na construção de um caminho que reduza essas disparidades.

Esperar que o poder público dê conta de todas as demandas sociais é impossível. Mesmo que desejasse, ele não teria pernas, pelo menos de imediato, para assistir a todos, especialmente em tempos de crise econômica.

Resumo da ópera: somos nós cidadãos, individualmente ou como empresa, com nossas doações para as organizações sociais existentes, que podemos assistir aos inúmeros públicos carentes das mais diversas políticas públicas espalhados em todo o Espírito Santo.

São as doações, sejam elas de recursos financeiros, inteligência, tempo ou afeto, ferramentas essenciais para chegarmos a áreas que hoje não são alcançadas pelo Estado.

Muitos sabem dessa relevância e se mobilizam, continuamente, para a doação. Esses filantropos aparecem em pesquisas como uma recente, divulgada pelo Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social, IDIS, e que revela como pensa o brasileiro na doação.

O estudo evidencia dados animadores. Mostra, por exemplo, que, para 70% dos brasileiros doadores, o ato de doar faz a diferença; que a maioria das pessoas acha que a doação deve ser desinteressada e silenciosa e que o fato de pagar impostos não deve ser justificativa para não doar.

No Espírito Santo, assim como no resto do Brasil, as organizações sociais desempenham um papel importante no auxílio das políticas públicas. E aqui, também, a maioria delas – especialmente as sem fins lucrativos focadas em assistência social, atenção à saúde e defesa dos direitos – é custeada e mantida por doações de pessoas e empresas.
Outra parcela é beneficiada pela destinação de parte dos impostos, mediante as leis de incentivo fiscal. Em ambos os casos, a contribuição só acontece se, antes, houver a decisão de doar, seja por parte de uma pessoa, grupo ou empresa.

Cabe a cada um de nós, assim, refletirmos sobre essa prática para a adotarmos no nosso dia a dia. Ao doarmos o que está ao nosso alcance, humanizamos e enobrecemos a sociedade. E isso é tarefa de todos nós.

Aos gestores públicos cabe a necessidade e a urgência de se doarem na melhoria das políticas da agenda social; a nós, da Fundaes, advogar por estas causas, do crescimento das doações e da destinação legal das renúncias fiscais; ao cidadão, buscar a melhor forma de também compartilhar. Coletividade importa, soma e deve ter a participação de todos.

 

Robson Melo é presidente da Federação de Fundações e Associações do Espírito Santo (Fundaes)

 

A seção Tribuna Livre é publicada diariamente no jornal A Tribuna. Colaborações para a coluna devem ser enviadas para [email protected]


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