Capacitação promove transformação social

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

por: Gracimeri Gaviorno

 

"Tais propostas mostram uma quebra de paradigma para aproximar comunidade e agentes de segurança"

 

Uma tendência na educação contemporânea é o envolvimento de pessoas em rodas de conversas voltadas ao processo decisório. A utilização dessa ferramenta promove mudanças comportamentais e fortalece competências.

A Secretaria de Segurança Pública do Estado iniciou em 2016 o Projeto Capacitar para Transformar, que começa com um convite às lideranças comunitárias e às forças de segurança pública para reflexão sobre gestão de segurança e prevenção primária da violência.

A parceria com a Escola de Serviço Público evidencia que é possível inovar na prestação de serviço à sociedade. A proposta central desafia tradições, valores e comportamentos pautados por hierarquias rígidas e transferências de responsabilidades.

Para além dos limites de associação entre a teoria e prática, propostos pelo Filósofo John Dewey, aposta-se na construção de soluções coletivas. Tais propostas mostram uma quebra de paradigma com objetivo de aproximar comunidade e agentes de segurança, mas também de aproximar órgãos governamentais para um bem coletivo.

De modo mais intenso, são evidenciados a autonomia e o envolvimento dos entes sociais em colaboração, com a devida compreensão sobre o dever do Estado e a responsabilidade de todos na construção da Paz Social. Oportunizar que a comunidade assuma papel de empoderamento, trabalhando em conjunto, viabiliza a evolução no pensamento e execução da segurança pública.

O experimento inicial dessa trilha de aprendizagem começou na Serra. Foram quatro momentos distintos. No primeiro, representantes da sociedade passaram por uma capacitação realizada na sede de uma associação de moradores. Depois, foi a vez dos agentes de segurança passarem por capacitação equivalente.

No terceiro momento, as duas turmas estiveram juntas para discutir temas afetos à segurança pública e à vida em comunidade, compartilhando experiências, apresentando propostas e lapidando ideias. Por fim, como produto final de aprendizagem, os cursistas realizaram uma ação comunitária, organizada e executada por eles próprios, colocando em prática o desafio do convívio e construção coletiva.

O legado é a reintegração do espaço e da ordem pública por meio da soma dos esforços. Os cursistas literalmente vestiram a camisa de agentes de transformação social, elegendo prioridades, compartilhando responsabilidades e promovendo o desenvolvimento local, assumindo protagonismo do meio que atuam, vivem e compartilham. Mostraram que com empenho e dedicação, todos juntos podemos construir um mundo melhor.

Na segunda etapa do processo, que acontece em Vila Velha, os resultados foram repetidos e ampliados. Hoje, outro grupo conclui esta etapa e inicia uma nova, de aplicação no dia a dia. Ambas as experiências abrem portas para que outras construções sejam edificadas.

Assim, o governo do Estado, por meio da Secretaria de Segurança Pública do Espírito Santo e a Esesp, espera contribuir para que a sociedade tenha compreensão do papel que a polícia desempenha, mas também participe no processo da construção de uma sociedade de paz.

 

Gracimeri Gaviorno é subsecretária de Integração Institucional da Secretaria de Estado da Segurança (Sesp) e delegada de polícia

 

A seção Tribuna Livre é publicada diariamente no jornal A Tribuna. Colaborações para a coluna devem ser enviadas para [email protected]


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