Tecnologia nos distancia do amor e nos aproxima da violência

Celular… Essa maquininha veio com a promessa de aproximar as pessoas, mas está fazendo exatamente o contrário. Cada dia aumenta mais a distância entre os corações humanos. É na convivência com as pessoas que a gente aprende a amar, cresce e evolui. Se não existe a convivência, o amor não se desenvolve e o que sobra é essa violência que assusta todo mundo e parece já estar sem controle.

Por mais que os governos se esforcem para aumentar o policiamento, isso não vai resolver, porque a violência está nascendo é no coração das pessoas.

Para mudar a situação, será preciso promover uma grande reforma nos corações humanos. Será preciso restabelecer a convivência entre seres da mesma espécie para que o amor floresça e derrote a violência.

Não é a sociedade que muda, são os indivíduos. A mudança terá que vir de dentro para fora. Cada um de nós deve se conscientizar de que precisamos voltar a conviver como antes. É preciso olhar as pessoas nos olhos, ter mais tempo para as coisas essenciais da vida.

Tais como: visitar um amigo que não vemos há tempos, ouvir as pessoas sem pressa, acariciar o filho que está perdendo para as agendas sociais, dar mais atenção aos pais que já estão partindo, compreender mais o companheiro ou a companheira que fala em discutir a relação quando, na verdade, está suplicando por um pouquinho de amor.

O mundo está faminto de amor. A depressão, que aumenta sem parar, é a prova mais contundente da miséria espiritual em que o ser humano está mergulhado.

E a tecnologia tem muita responsabilidade nisso porque não está cumprindo o propósito inicial de diminuir a distância entre os seres humanos.

O que vemos hoje são pessoas isoladas, cada vez mais ansiosas, impacientes, raivosas, cada uma no seu quadradinho, querendo saber tudo do mundo e nada a respeito delas mesmas.

Conheço pais que sabem de cor as sandices do presidente dos Estados Unidos, mas não sabem qual é o sonho do filho que mora no quarto ao lado.

A violência cresce na proporção da nossa negligência com o que realmente importa nesta vida, que é o amor. Quanto mais praticarmos o amor, mais estaremos contribuindo para a derrocada da violência.

Com os olhos grudados no celular, indiferentes ao que acontece em nossa casa, na nossa família, estaremos fazendo exatamente o contrário: contribuindo para que a distância entre os corações humanos aumente, fazendo explodir os índices da violência.

Experimente passar um dia sem ligar o celular e vai se surpreender com a sua qualidade de vida.

Eu deixei de usar celular há 14 anos e minha vida mudou. Hoje amo melhor as pessoas, ouço-as com atenção, estou 100% em todas as ações. Vivo o aqui e o agora, larguei o passado no passado e não me preocupo nem um pouco com o futuro – sei que ele será o resultado das minhas ações agora no presente.

Conforme amamos, somos amados – é assim na lei da vida. Se você quer viver num mundo mais humano, precisa começar a construí-lo agora, de forma real, não virtual. Ou você assume a responsabilidade sobre o seu destino ou continuará assistindo à degradação da espécie humana, até que a violência bata na sua porta.

Cada um de nós é responsável pelo que acontece hoje no planeta, não adianta transferir essa responsabilidade para o poder público. Restabelecer a convivência entre os seres humanos é tática de sobrevivência, representa a nossa própria salvação.

Jane Mary é jornalista, consultora de marketing, autora do livro Tudo é perfeito do jeito que é


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