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Tecnologia ameaça acabar com profissões dos sonhos de jovens

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Tecnologia ameaça acabar com profissões dos sonhos de jovens


Médico, professora, engenheiro, administradora de empresas, atleta, advogada, mecânico, psicóloga. Essas são algumas das profissões dos sonhos de 600 mil jovens de 15 anos em 79 países e territórios, entre eles o Brasil, de acordo com o Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) 2018.

Os dados foram divulgados ontem pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), com a publicação do relatório “Empregos dos sonhos? As aspirações de carreira dos adolescentes e o futuro do trabalho”.

Entretanto, o relatório da OCDE, apresentado durante o Fórum Econômico Mundial, na Suíça, revelou que 39% das profissões mais almejadas pelos jovens correm o risco de não existirem dentro de 10 a 15 anos, devido ao uso de robôs e de inteligência artificial para substituir trabalhadores.

O órgão divulgou apenas as 10 profissões mais citadas pelos jovens e, entre elas, estão com o futuro ameaçado pela automação as funções de advogado e mecânico.

Segundo o estudo, a maioria das carreiras mais populares, como profissionais de saúde e sociais, culturais e legais, tende a ter baixo risco de automação.

De acordo com a OCDE, o índice varia entre os países, de acordo com as características de cada mercado de trabalho. Em alguns países, a possibilidade de automação chega a 50% para as carreiras citadas, segundo a os dados.

“As pesquisas mostram que muitos adolescentes ignoram ou desconhecem os novos empregos que estão surgindo, principalmente como resultado da informatização”, disse o diretor de Educação da OCDE, Andreas Schleicher.

Para a diretora de Comunicação da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH), Larissa Aquino, ao mesmo tempo em que profissões vão perder espaço no futuro, outras ganharão relevância.

“Não acho que vá haver um rompimento, e as pessoas ficarão sem ter o que fazer. À medida que surgirem novas profissões, elas vão mostrar as habilidades requeridas. Todos precisam se preparar.”

Futuro incerto?

O estudante de Ciências Contábeis Daniel Sarmento Tatagiba (Foto: Acervo pessoal)
O estudante de Ciências Contábeis Daniel Sarmento Tatagiba (Foto: Acervo pessoal)
Especialização
O estudante de Ciências Contábeis Daniel Sarmento Tatagiba, de 25 anos, salientou que está atento ao futuro da profissão e se preparando para a automatização no mercado de trabalho. Segundo a OCDE, a função de contador é uma das ameaçadas pela tecnologia.

“Eu já faço estágio na área, e sei que o tipo de função que desempenho atualmente vai acabar por causa da automação. Mas pretendo continuar na área de Contabilidade, e me especializar em outras tarefas.”

Máquina nenhuma supera a criatividade, diz especialista

Os jovens precisam estar atentos às novas habilidades requeridas pelo mercado de trabalho para buscarem oportunidades frente à automação das mais diversas profissões. Foi o que afirmou a diretora de comunicação da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH), Larissa Aquino.

“Apesar das mudanças, o que vai continuar sendo importante é a disposição para o aprendizado e para a resiliência. É preciso ter essa posição para buscar informação e criar um ciclo de aprendizado” afirmou a diretora.

Segundo ela, muitas profissões que estarão em alta em breve ainda sequer existem, e o mercado de trabalho vai evoluir e mudar à medida que essas funções forem surgindo.

“Muitas rotinas terão máquinas, mas uma máquina nunca poderá substituir a criatividade, o poder de análise do que não for tão objetivo, daquilo que precisa de sensibilidade, especialmente na parte de relacionamento”, concluiu a diretora da ABRH. 

As profissões dos sonhos para jovens de 15 anos

Entre as meninas
1º Médica
2º Professora
3º Administradora de empresas
4º Advogada
5º Enfermeira ou parteira
6º Psicóloga
7º Designer
8º Veterinária
9º Policial
10º Arquiteta

Entre os meninos
1º Engenheiro
2º Administrador de empresas
3º Médico
4º Profissional de TI
5º Atleta
6º Professor
7º Policial
8º Mecânico de veículos
9º Advogado
10º Arquiteto

Essas carreiras vão continuar a existir?

  • A maioria das carreiras nas áreas médicas e sociais tendem a ter baixo risco de serem substituídas por máquinas no curto prazo, segundo a OCDE. No entanto, para além de alguns dos trabalhos mais cobiçados, “muitos jovens selecionaram (em suas aspirações) trabalhos que correm alto risco de automação”, aponta o relatório.
  • No total, 39% dos trabalhos citados pelos participantes do Pisa, em média, correm o risco de serem automatizados ao longo dos próximos cinco ou dez anos.
  • Quase 50% das empresas entrevistadas pelo Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, preveem que a automação provocará demissões de seus empregados até 2022.
  • Ao mesmo tempo, 38% das empresas esperam contratar mais gente para funções que elevem sua produtividade, gerando outro tipo de emprego com exigências de outro tipo de qualificação.
  • Em 2022, as empresas preveem que nada menos que 54% de todos os funcionários vão precisar de um significativo aumento de suas habilidades.

Como se preparar para as novas demandas?

  • A OCDE destaca a importância de os jovens aprenderem não apenas conteúdo, mas habilidades socioemocionais que lhes permitam transitar com mais facilidade pelo ambiente profissional futuro.
  • A nova geração de cidadãos exige não apenas fortes habilidades acadêmicas, mas também curiosidade, imaginação, empatia, empreendedorismo e resiliência, diz o relatório.
  • Os jovens vão precisar de autoconfiança e determinação para criar seu próprio emprego e gerenciar suas carreiras de novas formas.

Fonte: “Empregos dos sonhos? As aspirações de carreira dos adolescentes e o futuro do trabalho”, relatório da OCDE.

SAIBA MAIS 

Profissões em risco pela automação
O relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) não detalha quais profissões escolhidas por jovens estão mais sob risco de automação, mas outras pesquisas já haviam se debruçado nesse assunto.

Futuro do Emprego

  • O relatório Futuro do Emprego 2018, do Fórum Econômico Mundial (WEF, na sigla em inglês), lista funções que tendem a se tornar cada vez mais redundantes à presença da Inteligência Artificial e, por isso, correm o risco de serem substituídas por robôs, drones ou algoritmos.
  • Algumas delas são: caixa de lojas; operador de telemarketing; vendedor porta a porta; estoquista; secretário executivo; contador; mecânico; motorista; bancário; trabalhador de fábrica; auditor; advogado; analista financeiro; agentes e corretores de vendas e funcionário de serviços postais.
  • Os empregos considerados em ascensão pelo relatório do WEF são analistas e cientistas de dados; especialistas em TI ou Big Data; desenvolvedores de softwares; especialistas em redes sociais e comércio digital; especialistas em desenvolvimento organizacional; profissionais de inovação; engenheiros de robótica; estrategistas de marketing digital, entre outros.

Fonte: “Futuro do Emprego 2018”, relatório do Fórum Econômico Mundial.

“Sentenças serão dadas por robôs”

O uso de mecanismos de inteligência artificial já começou a mudar a rotina de escritórios de advocacia e tribunais brasileiros e terá grande impacto na solução de milhões de processos. É o que afirma o presidente da Associação dos Advogados de São Paulo (AASP), Renato Cury, em entrevista à Folha de São Paulo.

Na avaliação dele, o julgamento virtual é necessário em razão do grande volume de processos em andamento num tribunal.

“Nem todos os processos demandam julgamentos presenciais, e isso permite que os desembargadores consigam se debruçar naqueles casos mais complexos. Não houve prejuízo na qualidade das decisões, que dependem mais do perfil de quem está julgando do que da modalidade, presencial ou virtual”, defendeu.

Cury disse que a inteligência artificial já é uma realidade no campo do Direito. No Paraná, por exemplo, um juiz desenvolveu robôs que analisam os casos novos, verificam se ele já julgou processos semelhantes e trazem as decisões que já foram dadas.

Considerando que são mais de 100 milhões de processos em tramitação no País, Renato Cury destacou que é “humanamente impossível” ter uma análise detalhada de cada um dos casos.

“Sentenças em um futuro muito próximo serão dadas por robôs. É claro que os juízes terão muito cuidado, pois continuarão sendo obrigados a assinar as sentenças. Não pode ser uma linha de produção, a interação humana ainda vai ser necessária, até para que seja feita uma conferência, porque aquela sentença pode impactar a vida de um cidadão”, ponderou.

Atualmente, já existem sistemas utilizados por escritórios de advocacia no qual o robô acessa o sistema do tribunal diariamente e identifica a propositura de ações contra os clientes do escritório. Em alguns casos, o robô também já sugere a realização de acordos.

Direito 4.0 com o auxílio de inteligência artificial

Presidente do Tribunal Regional Eleitoral do Estado, o desembargador Samuel Meira Brasil, disse que a evolução da inteligência artificial é digna de nota, mesmo dentro da área do Direito.

“A sentença aplica a lei, mas aplica de uma forma humana e justa, então é preciso mais pesquisas nessa área para que um robô seja capaz de atuar”, destacou.

O juiz Anselmo Laranja disse que a inteligência artificial só pode ser usada para tarefas repetitivas. “A IA e a automação podem ser usadas pela Justiça, mas não em substituição à sensibilidade do juiz, ainda mais quando se tratar de direitos fundamentais da pessoa humana.”

Para o presidente da OAB no Estado, José Carlos Rizk Filho, a tecnologia aumentou o rol de ação dos advogados. “A advocacia 4.0 está aí, se reinventando”, defendeu.

Segundo o coordenador-geral do Sindibancários-ES, Jonas Freire, os bancos têm investido em automação, mas a rede bancária também tem expandido com correspondentes externos que desempenham a mesma função.


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