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Tato, o olho da pele humana
Doutor João Responde

Tato, o olho da pele humana

Doutor João Evangelista, médico e colunista de A Tribuna (Foto: Arquivo/AT)
Doutor João Evangelista, médico e colunista de A Tribuna (Foto: Arquivo/AT)
O tato é o idioma do corpo. Vendo, ouvindo, cheirando, apalpando e sentindo sabores, percebemos o meio que nos cerca. Ao processar esses estímulos em nosso cérebro, nós os interpretamos, sejam como sinais de perigo, sensações agradáveis ou desagradáveis, etc. Em seguida, respondemos, interagindo com eles.

Recebemos informações sobre o ambiente através dos cinco sentidos: visão, audição, paladar, olfato e tato.

O sentido que costumamos chamar de tato é constituído por cinco sistemas distintos: contato físico, pressão, calor, frio e dor. Logo, o tato é constituído por cinco sensações cutâneas diferentes.

O ato de tocar é um comportamento que contém elementos fundamentais para o desenvolvimento do ser humano, proporcionando bem-estar físico, emocional e social.

As experiências sensoriais táteis proporcionam um elo entre as pessoas, sendo a base das relações humanas. O contato físico entre os indivíduos é tão significativo porque ao tocarmos alguém podemos exprimir toda a gama de emoções conhecida: ódio, amor, prazer, insegurança, medo, ansiedade e alegria.

Qualquer afeto que sentimos, seja positivo ou negativo, pode ser transmitido pelo tato.

As sensações táteis são os instrumentos por meio dos quais nossa pele fala com o mundo e o mundo fala conosco.

Nessa linguagem, as mãos têm função importantíssima, pois, no momento em que com elas tocamos um objeto externo, ou uma pessoa, as fronteiras visuais e táteis ficam praticamente idênticas.

A pele participa na construção da nossa organização e integração psíquica, favorecendo uma relação dialética com o mundo. Talvez, por isso, um abraço, um aperto de mão, um tapa espalmado, um roçar de pernas, possam expressar muito mais do que simples palavras.

Lançamos mãos das palavras para falar de sentimentos, mesmo quando eles não são verdadeiros. Mas é a nossa pele que dirá o que realmente sentimos. Querendo ou não, pensando ou não, nossos pelos se arrepiam, seja de raiva ou de desejo.

Podemos construir um discurso racional sobre qualquer coisa, mas é por meio do tato que nossas verdadeiras intenções, sensações e sentimentos chegam à flor da pele, essa roupa animal, vestimenta que nos envolve por completo, nos colocando em sintonia com o mundo natural, o universo das emoções, onde a razão não exerce controle.

A pele, estrutura responsável pelo tato, é o maior órgão do corpo humano. Nela existem diversos tipos de receptores de estímulos táteis. São eles que recebem e transmitem ao cérebro a sensação de toque. Alguns desses receptores são terminações nervosas livres, que reagem a estímulos mecânicos, químicos e térmicos, sobretudo os dolorosos.

Para impedir a sensação de dor durante uma intervenção cirúrgica, usa-se a anestesia, cuja função é impedir que os impulsos nervosos gerados pelos receptores da dor sejam transmitidos pelos nervos, não chegando, dessa forma, ao cérebro.

O método Braille, que permite aos deficientes visuais ler por meio do tato, foi criado considerando a capacidade existente na polpa dos dedos de perceber, de uma só vez, cerca de seis impressões táteis.

As partes do corpo mais sensíveis ao toque são as mãos, os dedos dos pés, o rosto, os lábios, a língua e a região genital, tanto masculina quanto feminina.

Nós temos um acervo de nervos na pele que respondem ao toque suave, fazendo-nos sentir com emoção, ou seja, o tato envia mensagens para as partes do cérebro que trabalham processando as emoções, em vez das partes que processam as sensações. O toque provoca reação emocional.
Vemos mais que sentimos. Mas a visão costuma enganar. Cada um de nós vê o que parecemos ser, mas poucos sentem o que realmente somos.

João Evangelista Teixeira Lima é clínico geral e gastroenterologista


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