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Subindo no salto por decreto
Claudia Matarazzo
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Subindo no salto por decreto

“Saltos altos no trabalho são necessários”. Essa afirmação é de ninguém menos do que o ministro do Trabalho do Japão, Takumi Nemoto.

Enquanto muitas mulheres usam saltos altos por diversão e autoexpressão, outras os utilizam por causa dos padrões da indústria, por uma questão de dress code (código de vestimenta, conjunto de regras relacionadas a roupas) da empresa e porque é o que seu chefe esperaria...

Submissão ou sabedoria? De verdade, não sei. Pode simplesmente ser um caso de estarmos culturalmente tão habituadas a esse incômodo que, sequer o percebemos.

Mas há quem se incomode, que não consiga usar, e quem não goste e não se identifique com eles – e, portanto, sofra com saltos altos e finos, em sapatos de plataformas impossíveis com bicos finos e desconfortáveis...

Esse debate foi ressuscitado recentemente, quando Yumi Ishikawa, escritora japonesa, enviou uma petição ao Ministério do Trabalho de seu país solicitando a proibição da exigência do uso de sapatos de salto alto pelos empregadores.

Seus esforços foram reforçados por uma hashtag inteligente: #KuToo, um trocadilho com as palavras japonesas para sapato (kutsu) e dor (kutsuu).

Na última contagem, a petição acumulava mais de 23.000 assinaturas.

Mas nada é tão fácil: o Ministro do Trabalho e da Saúde já respondeu defendendo os locais de trabalho que exigem que as mulheres usem salto alto, descrevendo a prática como “necessária e apropriada”.

O fato é que saltos altos são vistos como o equivalente feminino à gravata do empresário: usados em um ambiente de negócios, enviam uma mensagem de formalidade e profissionalismo.

Ora, os saltos altos têm sido um componente-chave do poder feminino há décadas...

O bestseller “Dress for Success”, dos anos 1970, alertou as mulheres americanas a nunca irem sem seus preciosos pisantes de salto alto se quisessem ser levadas a sério no local de trabalho.

Ok, se os homens são frequentemente obrigados a usar paletó e gravata, o que há de errado com um equivalente feminino?

Há que nenhum item de roupas masculinas provoca tanto prejuízo aos movimentos ou dor física.
Sem exagero: os saltos altos se encaixam em uma longa história de repressão física e sofrimento das mulheres.

A história – Os saltos altos fizeram sua estreia nos pés dos homens da cavalaria persa do século XVI, migrando para os exércitos europeus e as cortes, até que se transformassem em norma para homens e mulheres na Europa ao do século XVIII.

Ora, se usar saltos altos no trabalho fosse apenas para aumentar a altura, mais pessoas usariam plataformas pois os homens, também se beneficiam profissionalmente por parecerem mais altos.

Mas não usam, porque os saltos altos são uma maneira de comunicar feminilidade.

Foram considerados uma parte tão vital do vestuário profissional feminino nas décadas de 1970 e 1980 porque o próprio ato de ter um emprego e buscar sucesso e poder era visto como masculino.

Terceiro milênio – Se em pleno século XXI ainda temos que nos submeter a usar algo que nos tortura aos poucos para merecer respeito profissional é porque o “empoderamento” das mulheres ainda tem muito a conquistar...Pensem nisso e #KuToo !!!

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