Strongyloides Stercoralis

Infância é uma época susceptível de contrair verminoses. Em função disso, a criança vive cercada de cuidados e orientações. Para albergar parasitos nem é preciso descuidar da higiene.

Basta pegar numa maçaneta e colocar as mãos nos lábios, e o verme, que ali habita, viajará para o intestino do novo hospedeiro.

Alheio ao dano que o estrangeiro possa causar em suas defesas imunológicas, a pequena vítima apenas torce para que o vermífugo não tenha gosto ruim.

Vermes são sempre lembrados como causadores de inflamações, obstruções, hipovitaminoses e desnutrição.

Pacientes acometidos por verminoses, na maioria das vezes, respondem aos tratamentos disponíveis. A exceção fica por conta do Strongyloides stercoralis, nematoide oportunista capaz de complicar o precário equilíbrio do indivíduo imunodeprimido.

Este helminto habita no intestino delgado dos indivíduos infectados, não produzindo danos relevantes nos pacientes com sistema imunológico sadio.

A infecção humana ocorre quando há penetração na pele por larvas de Strongyloides stercoralis, geralmente por contato direto com o solo contaminado por fezes humanas.

Andar descalço é um dos fatores de risco mais importantes para se contaminar.

Além da invasão da pele, a parasitose também pode ser adquirida pela via oral, através da ingestão de água contaminada ou quando a pessoa ingere alimentos preparados por mãos infectadas, não adequadamente lavadas após uma evacuação.

Após a penetração na pele, as larvas migram para os pulmões, sendo inconscientemente engolidas pela vítima ao chegarem próximos à faringe, caindo no sistema gastrointestinal.

Quando alcançam o intestino delgado, elas amadurecem e evoluem exclusivamente para a forma de fêmeas adultas, produzindo ovos e liberando novas larvas dentro dos intestinos.

Estas larvas são excretadas com as fezes, reiniciando o ciclo de transmissão do verme.

As larvas lançadas ao ambiente junto com as fezes podem contaminar outras pessoas ou evoluir para vida adulta no meio ambiente, tornando-se, dessa vez, macho ou fêmea.

O Strongyloides stercoralis é o único helminto capaz de completar seu ciclo de vida dentro do hospedeiro. Nem todas as larvas nascidas no intestino serão excretadas nas fezes.

Algumas delas conseguem penetrar na mucosa do cólon ou na pele da região perianal e retornar à circulação sanguínea, partindo em direção aos pulmões.

A estrongiloidíase disseminada é aquela que o verme consegue acometer órgãos além do intestino, como o sistema nervoso central, coração, trato urinário, glândulas, etc.

A maioria dos pacientes infectados pelo Strongyloides stercoralis não apresenta sintomas relevantes. Em alguns casos, a única pista para a verminose é um aumento do número de eosinófilos detectados no hemograma.

Quando existem sintomas, os mais comuns são dor abdominal, náuseas, vômitos, diarreia e perda do apetite.

Lesões na pele no local da penetração das larvas também é um achado comum. São pequenas inflamações que coçam bastante.

Em alguns casos, as lesões têm forma de serpente, evidenciando o caminho de migração da larva sob a pele.

Sintomas respiratórios também podem surgir durante a fase de migração das larvas pelos pulmões. Tosse, garganta irritada, falta de ar, febre e até expectoração sanguinolenta, são alguns dos sintomas possíveis.

Os quadros severos costumam ocorrer em pacientes com sistema imunológico debilitado. Nestas situações, o parasito pode favorecer a ocorrência de infecções generalizadas por bactérias naturais que habitam no intestino, tornando a mortalidade alta.

Saúde é o quartel onde reside o sistema imunológico, esse guardião que se nutre de higiene.

João Evangelista Teixeira Lima é gastroenterologista e clínico geral


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