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Soldado da PM reage a assalto e mata motoqueiro


Luã de Alencar Santos teria sido morto depois de não respeitar a voz de prisão dada por policial, conforme a versão do PM (Foto: Acervo Familiar)
Luã de Alencar Santos teria sido morto depois de não respeitar a voz de prisão dada por policial, conforme a versão do PM (Foto: Acervo Familiar)
Um soldado da Polícia Militar à paisana reagiu a um assalto e matou a tiros um suspeito de 19 anos. Luã de Alencar Santos estava com um cúmplice em uma moto e morreu na hora. Os dois teriam tentado assaltar o militar, que estava de carro. De acordo com o Departamento Especializado de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), o crime ocorreu na madrugada deste sábado (13), por volta das 2h, no bairro São Torquato, em Vila Velha.

O soldado revelou que estava passando pela rua Francisco Lacerda Aguiar em um HB20, quando os dois criminosos deram uma fechada em seu veículo. Os suspeitos estavam em uma Yamaha XTZ 150 Crosser cinza e um deles carregava uma arma.

Os criminosos anunciaram o assalto e apontaram a arma para o soldado, que se identificou como policial. Os bandidos não se renderam e o militar efetuou disparos. Na ocorrência, o PM informou que não sabia determinar quantas vezes disparou com sua pistola .40.

Nesse momento, os dois suspeitos abandonaram a moto e cada um correu em uma direção. O militar saiu de seu veículo e foi atrás dos assaltantes. Luã foi alcançado pelo soldado e tentou se esconder embaixo de um carro que estava abandonado na rua Magno Coutinho, a cerca de 150 metros de onde ocorreu a tentativa de assalto.

O militar afirmou que deu voz de prisão ao suspeito. No entanto, Luã não teria obedecido à ordem.
De acordo com o boletim de ocorrência, o assaltante, mais uma vez, teria apontado a arma para o policial, que efetuou outros dois disparos. Somente nesse momento, Luã teria largado o revólver calibre 38 que carregava.

O policial, então, recolheu a arma, que estava com três munições intactas. O soldado relatou que acionou uma ambulância do Samu, mas o rapaz não resistiu aos ferimentos. Ele tinha três perfurações, uma no tórax e duas no ombro direito.

O cúmplice de Luã conseguiu fugir e, até a tarde de ontem, não tinha sido localizado pela polícia, que fez buscas na região. A moto utilizada pelos suspeitos possuía restrição de furto e roubo e foi apreendida. O revólver que estava com Luã também foi recolhido.

A auxiliar de serviços gerais Alfonsa de Alencar Santos, de 44 anos, mãe de Luã, afirmou que não acredita na versão da polícia e que espera que o caso seja investigado.

“Quero saber a verdade”, diz mãe

Alfonsa de Alencar Santos chorou a morte do filho e afirmou não acreditar na versão da polícia sobre o caso (Foto: Kadidja Fernandes/AT)
Alfonsa de Alencar Santos chorou a morte do filho e afirmou não acreditar na versão da polícia sobre o caso (Foto: Kadidja Fernandes/AT)

Muito abalada, a auxiliar de serviços gerais Alfonsa de Alencar Santos, de 44 anos, mãe do jovem Luã de Alencar Santos, 19, suspeito de tentar assaltar um policial militar ontem, em Vila Velha, esteve no Departamento Médico Legal (DML) de Vitória para fazer a liberação do corpo do filho.

Ela disse que espera que o caso seja investigado e que a verdade seja descoberta.
“Gostaria muito que tudo isso fosse investigado para saber de fato o que aconteceu. Eu só quero saber a verdade. O que me falaram foi que o meu filho se rendeu e largou a arma no chão, mas, mesmo assim, o policial teria atirado. Meu filho era um menino tranquilo e não acredito que ele fez tudo o que estão falando”, disse a auxiliar.

Ela destacou que Luã saiu da casa onde morava, em Alto Lage, Cariacica, por volta da meia-noite, para comprar bebidas com um amigo. “Eles estavam bebendo na frente de casa e saíram para ir até uma distribuidora comprar bebidas. É muito ruim para uma mãe perder um filho e ainda ouvir que ele estava roubando.”

Segundo a mãe, o jovem nunca havia sido preso. “Ele era uma pessoa alegre e não levava problemas para dentro de casa. Pelo que eu conheço do meu filho, não creio que ele faria essas coisas que estão falando. Era um menino bom e que não usava drogas”.

Já o soldado da PM que reagiu ao assalto esteve no Departamento Especializado de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) para prestar depoimento. Ele deixou o local na manhã de ontem e preferiu não dar entrevistas à imprensa. Por nota, a Polícia Militar informou que, a princípio, o soldado agiu em legítima defesa, mas que o caso será investigado pela Polícia Civil.

“Como é praxe em qualquer ocorrência que tenha como resultado a letalidade, o militar envolvido responderá a um processo após conclusões dos inquéritos que serão instaurados pela Polícia Civil e pela Polícia Militar. Tais instrumentos servirão para elucidar as circunstâncias exatas em que o fato ocorreu”, destacou a nota.