Cookies não suportados!

Você está utilizando um navegador muito antigo ou suas configurações não permitem cookies de terceiros.


Assine agora e tenha acesso ao conteúdo exclusivo do Tribuna Online!

esqueceu a senha? Assinar agora
Cookies não suportados!

Você está utilizando um navegador muito antigo ou suas configurações não permitem cookies de terceiros.

Sintomas são delações premiadas
Doutor João Responde

Sintomas são delações premiadas

Doutor João Evangelista, médico e colunista de A Tribuna (Foto: Arquivo/AT)
Doutor João Evangelista, médico e colunista de A Tribuna (Foto: Arquivo/AT)
Diante do delito cometido pela criminosa doença, o inocente corpo acumula provas, utilizando sintomas como forma de delação. Dessa maneira, ele espera, como prêmio, o retorno da saúde.

Sintomas são as queixas que um paciente relata ao profissional de saúde durante uma consulta, ou seja, trata-se de uma alteração no corpo que é percebida pelo próprio paciente, como dor de cabeça, angústia, náusea, tontura, prurido e cansaço, entre outras sensações.

Diz-se que os sintomas são subjetivos, pois não é possível medi-los, embora eles jamais devam ser descartados ou ignorados.

É importante diferenciar os sintomas dos sinais, que são alterações no aspecto, na estrutura física ou no metabolismo de um paciente que podem percebidos pelo médico, indicando uma possível enfermidade. Diferente dos sintomas, os sinais não dependem do relato do indivíduo, pois eles podem ser percebidos mesmo sem a queixa, como febre, icterícia e edema.

De maneira simplificada, pode-se dizer que os sintomas são sinais que não vemos, e os sinais são sintomas que enxergamos. Sintomas seriam então os relatos, as queixas, aquilo que o paciente diz para o médico durante a consulta, enquanto os sinais são as imagens, os sons e outros dados objetivos que o examinador percebe quando realiza o exame físico. É o que o profissional consegue de dados, através da observação direta.

Sinais e sintomas são entidades distintas, pois dependem da perspectiva de quem está contando a história ou avaliando a situação presente.

Semiologia médica estuda os sinais e sintomas das doenças, apropriando-se das manifestações no paciente e, complementado ou não por meios instrumentais, chegar a um diagnóstico.

Os sinais são manifestações objetivas das doenças e podem ser detectados por diversos meios. Já os sintomas são os distúrbios subjetivos relatados pelo paciente.

Nenhum médico suspeitará que um sintoma seja mentiroso, pois, se pode ser enganador, é porque o médico pode se equivocar e não porque o organismo mente.

O sintoma, além de ser tomado e decifrado para o estudo da doença, também deve ser escutado como queixa e sofrimento, nunca sendo desprezado, mesmo quando não é objetivável. A pessoa que procura o médico com suas lamentações, o faz no sentido implícito de receber cuidados e não apenas para ter excluída uma doença orgânica.

Se algo não está bem, o médico deve ser o primeiro a acolher, sem preconceitos e simplificações, o sofrimento do paciente.

Sintoma significa alguma coisa que não vai bem, algo de anormal e bizarro, uma alteração de função ou alerta de doença, alguma maneira de o paciente se perceber como um possível doente.

O médico deverá definir aquilo que é objetivo ou fantasia, ou, pelo menos, filtrar as queixas subjetivas indicativas de doença. Desta maneira, ele deve procurar, dentro dos sintomas, as manifestações abstratas e percepções confusas do paciente. Em outras palavras, compete ao médico discriminar se o sintoma tem como significado uma determinada enfermidade. Por outro lado, a falta de manifestação não significa ausência de sofrimento.

O terreno da doença vai além do organismo. Por esse motivo, ela deverá também ser investigada além do espaço humano.

Através do corpo a medicina encontra sua forma própria de expressão científica, sua racionalidade, a qual foi viabilizada pelo olhar e, só a partir daí, pela linguagem.

Na idade antiga já se observava a cisão entre o espaço do divino e do natural, embora a prática médica ainda permaneça mesclada de elementos religiosos. Curas milagrosas são explicadas pelo sagrado, cujo remédio é a fé.

Descobre-se a verdade, analisando os sintomas da mentira.

João Evangelista Teixeira Lima é clínico geral e gastroenterologista


últimas dessa coluna


Exclusivo

Afeto faz bem à saúde

Experimente caminhar pelas ruas distribuindo abraços e apertos de mãos. Infelizmente, a maior parte das pessoas não retornará as demonstrações de afeto oferecidas por você. Algumas reagirão com …


Tato, o olho da pele humana

O tato é o idioma do corpo. Vendo, ouvindo, cheirando, apalpando e sentindo sabores, percebemos o meio que nos cerca. Ao processar esses estímulos em nosso cérebro, nós os interpretamos, sejam como …


Saúde esterilizada vira doença

Ninguém questiona a imprescindível necessidade da higiene, do uso de medicamentos, do emprego de vacinações, entre outros cuidados que visam preservar a saúde. Antigamente, a preocupação do ser …


As frustrantes colites imunológicas

Existem basicamente três tipos de doenças: aquela que cura rápido, a que demora curar e aquela que nunca cura. Médicos apreciam enfermidades que evoluem rapidamente para o restabelecimento da saúde …


Ginecomastia na adolescência

O crescimento das mamas em homens pode criar constrangimentos de cunho estético.Anormalidade benigna, passível de correção, a ginecomastia é caracterizada por um excesso de tegumento, gordura e …


O sentido do olfato

Ao chegar, o cheiro tempera o ar. Quando parte, ele deixa lembranças – boas ou más. Um trivial aspirar pode despertar fome, provocar atração ou repulsa e resgatar cenas do passado. Quase tudo tem …


Surdez pode causar isolamento

A perda da audição causa um pesado infortúnio. Ela representa a ausência de um estímulo vital, o som da voz, que veicula a linguagem, agita os pensamentos e nos mantém conectados aos outros. A …


O medo de ter câncer

Carcinofobia – ou medo de câncer – é um temor que aflige grande quantidade de pessoas. Na maioria dos casos, esse medo é racional. Mas em pessoas com preocupação extrema, a condição pode gerar pânico …


Meningite, uma doença grave

Em 1977, apesar de ainda estar cursando o quinto ano de Medicina, fui chamado para consultar um adolescente que apresentava dor de cabeça e febre. Ao examina-lo percebi que se tratava de uma infecção …


Gripe intestinal e seus sintomas

Conhecida também como virose digestiva, a gripe intestinal provoca um quadro clínico bastante incômodo, embora desapareça, sem muitas complicações, depois de alguns dias. Esse tipo de gastroente…


Olá, !

Esse é o seu primeiro acesso por aqui, então recomendamos que você altere o seu nome de usuário e senha, para sua maior segurança.



Manter dados