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Simbiose X Liberdade
Regina Navarro Lins
Regina Navarro Lins

Regina Navarro Lins


Simbiose X Liberdade

Na fusão com a mãe no útero, experimentamos a sensação de plenitude, bruscamente interrompida com o nascimento. A partir daí, o anseio amoroso parece ser o de recuperar a harmonia perdida. A criança, então, dirige intensamente para a mãe sua busca de aconchego.

Alguém que me “complete”

No Ocidente aprendemos que, na vida adulta, somente através do convívio amoroso com outra pessoa nos sentiremos completos. Quem, além do ser amado, pode suprir nossas carências e nos tornar inteiros? Aí é que entra o amor romântico, que promete o encontro de almas e a fusão dos amantes, acenando com a possibilidade de transformar dois em um só, da mesma forma que na fusão original com a mãe.

As necessidades da infância

O único problema é que tudo não passa de uma ilusão. Na realidade, ninguém completa ninguém. Mas, ignorando isso, reeditamos inconscientemente com o parceiro nossas necessidades infantis. O outro se torna tão indispensável para nossa sobrevivência emocional, que a possessividade e o cerceamento da liberdade sobrecarregam a relação. Por mais encantamento e exaltação que o amor romântico cause num primeiro momento, ele se torna opressivo por se opor à nossa individualidade.

Grande conflito

O grande conflito no amor hoje se situa entre o desejo de simbiose – ficar fechado na relação com o outro – e o desejo de liberdade. E este último parece predominar.


Alfred Kinsey

Ao observar o ser humano como objeto da ciência, Kinsey foi rigoroso. Seu primeiro projeto era ouvir 100 mil pessoas num estudo de 20 anos de duração. Fez a proposta à universidade em que trabalhava e com o dinheiro da Fundação Rockefeller criou o Instituto de Pesquisas Sexuais.

Espiões

O “Comportamento Sexual do Homem” reuniu 1.800 entrevistas e chegou às livrarias em 1948. Kinsey teve a má sorte de estar escancarando os hábitos da América num momento em que uma das mais nefastas figuras da história dos EUA estava em plena atividade. Trata-se do senador MaCarthy, um político fanático que, aproveitando o confronto entre as ideologias no pós-guerra, reunira 60 mil voluntários para espionar atividades relacionadas a sexo, comunismo e outras, por ele, consideradas suspeitas.

Vício e virtude

“O vício e a virtude se revezam incessantemente, marcando, cada um por sua vez, um século, uma década ou um curto período até os anos 1960, a partir dos quais a emancipação sexual das mulheres e o irresistível avanço de uma aspiração à felicidade imediata anunciam amplas mudanças, até mesmo uma revolução”, conclui o historiador Robert Muchembled.

Ciúme é prova de amor?

Há pessoas que se sentem lisonjeadas com qualquer manifestação de ciúme do outro e alimentam essa atitude por confundi-la com prova de amor. É comum se acreditar que sem ciúme não existe amor. Essa é mais uma daquelas afirmações que as pessoas repetem, sem nem saber bem por quê. Por ciúme se aceitam os mais variados tipos de violência contra o outro, sempre justificados em nome do amor, claro. Entretanto, penso que qualquer atitude ciumenta é um desrespeito à liberdade do outro.

Ideal masculino

No Ocidente, onde os rituais de iniciação não são claramente definidos, a masculinidade necessita ser provada durante toda a vida de um homem, sempre havendo o risco de se ver diminuído ao nível de condição feminina. Para corresponder ao ideal masculino da nossa cultura, o homem tem que rejeitar uma parte de si mesmo, lutando para não se entregar à passividade e à fraqueza.

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