Luiz Fernando Brumana

Luiz Fernando Brumana

Sex Education: a série teen que o público jovem precisava

 (Foto: Divulgação)
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Por Kayque Fabiano

Investir em séries simples, com pegadas “teen” e voltadas para o público jovem tem sido uma saída da Netflix para aumentar consideravelmente seu catálogo nos últimos meses. Em alguns casos funciona, como os filmes originais “Sierra Burgess Is a Loser” e “Para Todos os Garotos que Já Amei”, em outros não (alô, 13 Reasons Why).

Em “Sex Education” o tema funciona. E muito bem. Em tempos onde se discute a importância da educação sexual nas escolas, a série cria discussões pertinentes ao público jovem e, no fim das contas, realmente serve como uma espécie de “aula” para quem assiste os oito episódios da primeira temporada.

 (Foto: Divulgalção)
(Foto: Divulgalção)
“Sex Education” é uma série britânica, por isso já se prepare para diálogos afiados, chás da tarde e típico humor inglês.

A série conta a história de Otis (Asa Butterfield), um jovem virgem de 17 anos que, apesar de conhecer na teoria como funciona o os relacionamentos, tem dificuldade para mantê-los na prática. O diferente aqui é que sua mãe Jean (Gillian Anderson) é uma terapeuta sexual, que atende seus pacientes em casa, e acaba passando seus ensinamentos para o filho, involuntariamente. Otis então se aproveita de seus conhecimentos e junto com seus amigos promove uma verdadeira aula de educação sexual e terapia com adolescentes do Ensino Médio.  

O interessante aqui é que a série se concentra na realidade em seus personagens adolescentes e nas tramas que os cercam. Sim, o tema sexo é tratado com naturalidade. Se por um lado sua série irmã, a animação “Big Mouth”, trata sobre o mesmo tema, mas usando metáforas e simbologias, “Sex Education” é direta.  

 (Foto: Divulgação)
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O seriado se destaca por apresentar uma sociedade britânica diversificada. E quando digo diversidade, me refiro desde o tom de pele até as origens geográficas e socioeconômicas dos personagens. A série vai além da orientação sexual e identidade, explorando a sexualidade entre casais heterossexuais e homossexuais, e não economiza nos detalhes em sua exposição. Pequeno spoiler: há dezenas de cenas de sexo e nudez. 

Cada episódio geralmente começa com uma cena de sexo ou situação sexual de algum tipo e que, por algum motivo, contém um problema ou um dilema. Dentro do mesmo episódio, a resolução para esse conflito é explorada. Mas, apesar dessa estrutura, a série não é previsível ou se prende a esta fórmula.

No fim das contas, seja por sua estética retrô, trilha sonora no ponto, ou cenas replenas de humor inglês ácido, “Sex Education” vale a pena uma maratona de pouco mais de oito horas. Ah, também é possível que a série cumpra o propósito de seu título e dê lições para quem a assiste.