Sesi e Senai: presente e futuro

Uma das iniciativas, no entanto, possui mais desvantagens do que benefícios, afetando uma das áreas mais estratégicas para uma nação que almeja o crescimento: a educação.

Um dos pontos em debate no momento é o enfraquecimento do Sistema “S” Indústria, que engloba Sesi e Senai, um erro que revela desconhecimento da importância destas duas instituições para o Brasil, bem como o grande caminho a ser percorrido na educação nacional. Enquanto na Alemanha e na França mais de 50% dos jovens concluem cursos técnicos, no Brasil, apenas 6,6% possuem esse tipo de formação. Nos países desenvolvidos, a média ultrapassa 35% dos estudantes.

Sesi e Senai cumprem também um papel essencial para o desenvolvimento socioeconômico do Espírito Santo. Somente em terras capixabas, as duas entidades realizaram mais de 438 mil atendimentos ao longo de 2018, somando ações de educação, formação profissional, consultorias em tecnologia e inovação, promoção da cultura, saúde e segurança do trabalhador.

O Sistema “S” Indústria possui 68 unidades no Espírito Santo, sendo 37 móveis, alcançando quase todos os municípios. No campo da educação, o Sesi é a maior rede de ensino privado do Espírito Santo, com 11 mil alunos, e está entre as 10 melhores no Ideb. Com custo acessível, temos feito a diferença na vida das famílias com renda de até dois salários mínimos – um terço de nossos alunos. Mais que uma escola, fizemos do Sesi uma ferramenta de transformação social.

Recebemos crianças e entregamos cidadãos com projetos de vida, que aprendem empreendedorismo, robótica, com ensino bilíngue, alinhado ao conceito maker. No Sudeste, fomos pioneiros na implantação do novo Ensino Médio, integrando-o à formação técnica do Senai.

O mundo está mudando rapidamente, a indústria está se transformando e exigindo novas habilidades. Foi pensando nisso que o Senai criou novos cursos, como Mecatrônica, e reformulou a grade curricular dos já existentes, inserindo disciplinas transversais de inovação, indústria 4.0 e lean manufacturing.

Nossos alunos são preferidos por 95% dos empresários, atestando a qualidade de um ensino cada vez mais conectado às demandas reais do mercado, o que beneficia cerca de 18 mil jovens anualmente.

Para apoiar as empresas na busca por mais eficiência, lançamos o “ES + Produtivo”, programa desenvolvido no Senai que registrou ganho médio de 59% na produtividade das 147 participantes. No ano passado, trabalhamos pela implantação da Mobilização Capixaba pela Inovação, que disponibilizou R$ 80 milhões para novos projetos.

Cientes da situação econômica do país, temos feito nossa parte. Em 2018, cortes de 11,1% no custeio melhoraram o resultado financeiro de Sesi e Senai, sem que nenhum dos serviços para a sociedade fosse afetado. Estamos zelando pelo recurso coletivo, a exemplo da implantação do compliance, um dos primeiros do país, e da publicação das informações no portal da transparência, dados fiscalizados pelos órgãos de controle.

Se desejamos um futuro de oportunidades, empregos e desenvolvimento, precisamos preservar Sesi e Senai e continuar evoluindo.

Léo de Castro é presidente do Sistema Findes


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