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Serviços digitais vão mudar mercado de trabalho em três anos

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Economia

Serviços digitais vão mudar mercado de trabalho em três anos


A chegada de cada vez mais dispositivos digitais, conectados a internet, têm sido uma preocupação constante do mercado, que busca se adaptar à medida que novas ferramentas surgem e outras desaparecem. Especialistas lembram que, com a popularização dos dispositivos, mercado de trabalho terá que ser reinventado daqui a três a cinco anos.

Segundo o especialista em empreendedorismo, Pedro Mello, este é um caminho sem volta. “A tecnologia está mudando radicalmente toda a estrutura do setor de serviços, quer os empresários queiram ou não. É fato que, talvez, nos próximos três a cinco anos, o mercado inteirinho será reinventado”, destaca.

 (Foto: Pedro Mello)
(Foto: Pedro Mello)

Mello conversou com a reportagem de A Tribuna e falou um pouco sobre o futuro do mercado de trabalho atrelado ao digital.

O mercado está sempre em transformação. Como saber quando é a hora de mudar?
Quando se fala em dores, e mudanças no mercado de serviços, acredito que elas estejam ligadas ao avanço da tecnologia, principalmente, quando vemos diversos negócios sendo montados voltados para a automação de processos dentro das empresas. A inteligência artificial e os processos de digitalização das empresas estão vindo com uma força muito grande nos últimos anos, com iniciativas que vão desde alocar serviços na nuvem para pequenos negócios e à diversas iniciativas inovadoras de startups que estão realmente mudando a maneira como as empresas podem oferecer o seu trabalho e cobrar por eles.

E como a revolução digital tem modificado a maneira de fazer negócios?
Fato é que a revolução digital está mudando radicalmente toda a estrutura do setor de serviços, quer os empresários queiram ou não. Essa mudança se torna visível quando vemos empresas oferecendo pacotes de serviços na internet por até R$ 100, enquanto que existem empresários que suam para colocar um ticket médio de R$ 1 mil. A grande mudança é que a revolução digital está pegando todo o trabalho braçal, todas as tarefas repetitivas e previsíveis, tirando isso do ser humano e colocando em máquinas. Nessa mudança, se o empresário não repensar sua maneira de atuar, ele vai perder mercado, não tem jeito. É fato que, talvez, nos próximos três a cinco anos, o mercado inteirinho será reinventado.

Como agregar valor por meio da tecnologia?
A tecnologia vem para fazer com que os processos sejam extremamente conectados, sem retrabalho, com alto nível de confiança e fornecendo dados. Porque dessa maneira, é possível que as empresas de serviços possam se reinventar e oferecer algo que hoje elas não oferecem que é a inteligência. Inteligência, principalmente, para a frente, não para trás, porque para trás já aconteceu, né?! O que eu vejo é que trabalhamos com muitas redes que têm pequenas empresas trabalhando nessas redes de franquia, de varejo, e a maior parte delas pagam serviços contábeis, por exemplo, só para ter uma visão pelo retrovisor que elas não veem valor, porque é muito mais uma obrigação fiscal do que uma leitura de tendências, uma análise de indicadores financeiros. E, por outro lado, a maior parte desses empreendedores não tem conhecimento financeiro para poder administrar seu negócio. Então, por um lado, existem as empresas de contabilidade oferecendo serviços que os clientes veem baixo ou nenhum valor e, por outro lado, uma dor muito grande dos proprietários de pequenos negócios que, em sua grande maioria, não sabem fazer uma gestão financeira, não entendem de indicadores de tendências e que poderiam ter um serviço muito bom, caso os contabilistas oferecessem isso para eles, fazendo essa parte administrativa e financeira ah que normalmente é um sofrimento pros pequenos.

Quais os desafios de montar um negócio hoje?
Maior desafio é entender se aquilo que você está montando vai existir daqui a pouco, porque são tantas as transformações com essa revolução digital, que ainda está acontecendo, com a revolução das máquinas, que está no início, a nanotecnologia, biotecnologia... Então, são tantas mudanças, um momento de tanta volatilidade, que eu acho que o mais difícil é entender se aquilo que você está fazendo vai existir; qual será a situação do seu negócio em cinco, dez anos. Até porque é sabido que, para um negócio estar realmente consolidado, ele leva de cinco anos e pode ser que, nesse período, todo varejo e indústria, da maneira que conhecemos, terão mudado. Hoje, a maior dificuldade é entender essas mudanças e fazer escolhas assertivas de onde investir ou trabalhar.


 

O perfil empreendedor é algo natural ou é algo que pode ser aprendido?
Existem as duas visões: sim, tem pessoas que já nascem com um perfil comportamental com predisposição para empreender e também existem pessoas que podem aprender a empreender.

Se analisarmos o comportamento das pessoas, é possível perceber diferentes perfis: o dominante, mais focado em objetivos; o influente, focado em relacionamentos interpessoais; o estável, focado em planejamento e rotina; e os conforme, mais analítico e estudioso. Nós somos a somatória desses quatro perfis e, quem tem os perfis dominante e influente mais forte, é predisposto ao empreender. Mas, isso não quer que quem não tem esse perfil não possa empreender; ele pode, sim, aprender essa habilidade, desde que se libertem dessa visão do arquétipo do empreendedor que existe na cabeça das pessoas: que precisa ter iniciativa, tem que ser herói.

A hora que finalmente desconstruímos esse arquétipo, conseguimos explorar as características positivas de cada perfil. Uma pessoa com características de personalidade estável ou conforme que, a princípio, não tem o perfil empreendedor; mas o estável, é ótimo em planejamento e relacionamento com as pessoas e, dependendo do negócio que ele quiser investir, ele será um ótimo empreendedor também, com planejamentos de longo prazo, onde a constância e relacionamento com o cliente são importantes. Da mesma forma, pessoas com perfil conforme também podem empreender; eles são pessoas mais técnicas, profundas, e podem fazer negócios, desde que atuam em segmentos que exigem um nível de tecnicidade maior.


Qual o seu conselho para quem não tem o perfil de empreendedor nato?
Olhem para si mesmos, encontrem onde vocês mais brilham e, nesses pontos, coloque a sua energia para empreender, porque este é um caminho bem diferente.


Melhor investir em franquias ou abrir um negócio próprio?
Teoricamente, é melhor abrir um negócio que já está testado e funciona. Mas, quando vamos olhar a realidade das franquias no Brasil percebemos que não é bem assim. 76% das redes de franquias no Brasil tem menos de 20 unidades e os royalties deste número não conseguem pagar o que fundador da rede precisa para se sustentar. Existem contradições entre o modelo de franquia e o quanto ele está preparado para colocar negócios testados na rua.

Outro ponto a ser observado é que, a maior parte das redes, possui um nível de maturidade relacional – que ainda é o segundo nível de maturidade de um negócio, onde a empresa consegue vender e ter receita. Uma gestão de rede deve ter comportamentos em um nível de consciência mais elevado, de olhar para a rede, trabalhar em prol da franquia, não olhando só para o próprio umbigo. Esse é o grande paradoxo das franquias. Desse ponto de vista, levando em consideração a revolução digital e conhecendo esse sistema onde trabalho há 20 anos com franquias, eu acho muito arriscado investir em franquias. São poucas as redes que estão maduras para trabalhar como redes e oferecer negócios sustentáveis.

Na sua avaliação as reformas trabalhista e previdenciária estão empurrando o brasileiro para um novo perfil de trabalho, o de empreendedor? Por que?
Tenho uma visão mais holística sobre essas reformas. Hoje, temos vivido um momento de profissionalização dos “bicos”, que é um movimento que está acontecendo no mundo inteiro, não só no Brasil. Percebo cada vez a economia dos freelancers sendo formalizada, com profissionais ganhando por dia, por trabalho, por hora; grandes plataformas como o Uber, o 99 já estão fazendo isso. Existe um direcionamento claro no mundo para essa nova forma de economia e é um caminho que não tem volta.

Palestra:
Pedro Mello é um dos palestrantes da 18ª Conescap, uma feira que aborda os desafios do setor de serviços no Brasil. Ela participa do evento no próximo dia 14 com a palestra “Empresas: mudar ou fechar? A dor é a mesma, mas o resultado é diferente”.


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