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Sem controle remoto
Luiz Trevisan

Sem controle remoto

Nem Chile nem o nosso litoral, em tão pouco tempo, já não são os mesmos. Sem controle remoto, outras realidades e sentimentos cavalgam correntezas.

Quem viajou pelo Chile, nos últimos tempos, atraído por belezas naturais, vinhos, segurança e o bom padrão sócio-econômico do país, ainda não entendeu direito o que se passa por lá agora. Em pouco tempo, tudo mudou rapidamente, resultado daquilo que analistas consideram o “destampar das tensões acumuladas no subsolo social”. Dono de uma renda per capita elevada, acima da brasileira e chinesa, o Chile vinha impressionando também pelo avanço da sua infraestrutura e modernidade urbana. Mas as aparências, que tão bem fazem ao mercado de turismo e aos negócios, também enganam.

Súbito, as tarifas do transporte viraram estopim de violentos protestos, que embutem outras insatisfações, como a precariedade dos serviços públicos, os impostos, o elevado custo de vida, a baixa aposentadoria e a grande concentração da renda. Há quem veja semelhança de motivos entre os incendiários protestos de lá agora com aquelas manifestações de rua no Brasil, em 2013. Mas lembram dos black blocs encapuzados fazendo desordem e depredações em nossas ruas? Comparados aos incendiários ativistas chilenos de agora, parecem amadores.

Há exatos dois anos – o Facebook me lembrou isso, dias atrás – fui ao Chile e de lá voltei impressionado com a boa qualidade de vida, a prosperidade exibida, Santiago repleta de obras, drones fiscalizando o trânsito, segurança, os restaurantes e hotéis lotados, um bom lugar para se visitar, bem diferente daquele sinistro período do país sob as botas e tanques do Pinochet. Taxistas, que costumam dar um pulso do clima político, reclamavam que o segundo governo de Michele Bachelet, de viés socialista, não era tão bom quanto ao primeiro. Contudo, nada indicava que seu sucessor, Sebastián Piñera, de centro-direita, teria futuro tão conturbado e nebuloso pela frente.

Em outro extremo, quem sondava pacotes de Réveillon e temporadas de verão nas praias do Nordeste brasileiro, rapidamente está sendo levado a refazer planos de viagem. As manchas de óleo que ameaçam chegar ao Espírito Santo, nas próximas semanas, há um mês desafiam as autoridades e defensores ambientais. Em um texto com o explicativo título “No rastro da inépcia”, o articulista capixaba José Casado, de O Globo, aponta para a destruição e omissão registradas diante da “goma negra que cavalga correntezas”.

Aquela temporada de sol e mar, peixe frito e espetáculos da natureza num cantinho do litoral, tão aguardada, talvez tenha que ser alterada. E tudo isso revela como é vasto e indefeso o nosso mar, somente o céu por testemunha, na maioria das vezes. Um verão que se avizinha banhado de goma negra na praia era tudo o que não precisávamos. Porém tudo muda o tempo todo no mundo, feito a canção “Como uma onda”, de Lulu Santos. Às vezes para melhor, em outras para pior, mas sempre superando nas surpresas. Nem Chile nem o nosso litoral, em tão pouco tempo, já não são os mesmos. Sem controle remoto, outras realidades e sentimentos cavalgam correntezas.


 


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