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Saúde esterilizada vira doença
Doutor João Responde

Saúde esterilizada vira doença

Doutor João Evangelista, médico e colunista de A Tribuna (Foto: Arquivo/AT)
Doutor João Evangelista, médico e colunista de A Tribuna (Foto: Arquivo/AT)
Ninguém questiona a imprescindível necessidade da higiene, do uso de medicamentos, do emprego de vacinações, entre outros cuidados que visam preservar a saúde.

Antigamente, a preocupação do ser humano com a higidez vinha de fora do organismo. Bactérias, vírus e outros parasitas eram considerados os principais agentes adoecedores.

Mudanças nos padrões de higiene trouxeram melhorias no saneamento, na água potável e na recolha de lixo, diminuindo o índice de muitas doenças infecciosas.

Contudo, estas medidas também reduziram a exposição às substâncias microbianas úteis, que auxiliam o corpo a modular seu sistema imunológico.

A medicina tem feito avanços consideráveis. Pasteurização, esterilização, embalagens assépticas, limpeza e fiscalização em todas as etapas do processo produtivo têm permitido uma alimentação mais segura. Isso vem gerando menor quantidade de intoxicações, infecções alimentares e internações hospitalares.

A batalha contra agentes externos tem sido vitoriosa. Entretanto, o aumento de enfermidades respiratórias e autoimunes vem crescendo consideravelmente, revelando que esses dois fatores estão associados.

Excessivos cuidados com a higiene diminuem os estímulos imunológicos e, por conseguinte, baixam a resistência orgânica.

A crescente incidência de doenças alérgicas e autoimunes parece estar relacionada com o estilo de vida atual, em que o exaustivo combate de microrganismos suprime o desenvolvimento natural do sistema imunológico.

Acredita-se que a vida moderna, com sua obsessiva higiene, vacinas, alimentos pasteurizados e esterilizados, não permitiria a educação correta do sistema imune, que ficaria sujeito a cometer erros.

Outrora, a convivência com micro-organismos pouco agressivos, presentes naturalmente no ambiente, auxiliava na modulação das respostas imunes do corpo, já que esse contato nas primeiras fases de desenvolvimento evitam respostas imunológicas exageradas a substâncias estranhas, ao longo da vida.

A exposição a micro-organismos patógenos durante a infância estimula o sistema imune e protege o indivíduo contra o desenvolvimento de alergias. Uma resposta imunológica desregulada pode provocar rinites, dermatites, asma, etc.

Acredita-se que o crescimento dos casos de doenças alérgicas se deva ao aumento da higiene e consequente diminuição do número de doenças infecciosas nos países industrializados.

Vários fatores podem ter contribuído para a alteração da exposição microbiológica, como o uso de antibióticos, menor tempo de amamentação, emprego de antissépticos e detergentes, disponibilidade de água e comida limpas e a migração da vida rural para a vida urbana.

O uso de antibióticos nos primeiros anos de vida pode influenciar a colonização bacteriana intestinal, eliminando também bactérias úteis ao organismo.

As alterações induzidas por antibióticos no trato digestivo podem afetar o modo como o sistema imunológico responde aos alérgenos.

Seja qual for à realidade sobre atopia e exposição microbiana, uma higiene direcionada deve ser aplicada. Tal conduta é baseada na intervenção seletiva de quando e onde os riscos de infecção são maiores, procurando proteger quando há maximização dos efeitos nocivos, porém se expondo a micróbios de efeitos benéficos em nosso ambiente humano e natural.

Higiene excessiva prejudica o organismo, sendo necessário se atentar para a prática da higiene direcionada. Isso deve ser feito sem comprometer a proteção contra agentes prejudiciais à saúde. Remédio não é jujuba. Farmácia não é supermercado. Uso não é abuso. Excesso não é prudência. Obsessão não é saúde.

Flor criada em estufa tem medo da natureza.


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