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Rock e revolução
Luiz Trevisan

Rock e revolução

Luiz Trevisan
Luiz Trevisan
Chamou minha atenção o anúncio de uma feira do livro em Iúna. Historicamente, Iúna sempre foi associado a um lugar rude, com disputas de terras, conflitos e pistolagem. Vicente Silveira, que foi deputado estadual pela região, costumava ilustrar o clima local com a seguinte frase: “Lá, quem é vivo não fica de costas para a rua”.

Bradar revolução em festival de rock e mesa de bar é fácil. Fazer como o capixaba, que vai “pro rock” quando sai para a balada com os amigos, também. Agora, ir ao Rock in Rio defender a Amazônia e, ao mesmo tempo, deixar espalhadas toneladas de lixo ao redor, é outra coisa bem diferente. Rock subentende atitude, postura libertária com consciência não apenas política, mas social e ambiental. Rock ingênuo, tatibitati, só para jovens rebeldes sem causa.

Todo roqueiro que se preza, além de abominar alienação, precisa se reciclar, apto a entender o mundo como ele é, e os desafios que se renovam. Rock é contra a corrente, mas vivemos numa fase tão distópica que agora existe até o rock de direita associado ao pensamento parcial e fragmentado. Aquele que nega a potência chinesa e, comodamente, centra fogo na conturbada Venezuela ou em Cuba cada vez mais bloqueada economicamente. Pois é, chutar cachorro morto...

Agora, nas comemorações dos 70 anos da China comunista, volta toda uma discussão. A China é mesmo comunista ou apenas um híbrido do capitalismo que deu certo? As estatísticas evidenciam que a China, pelas mãos de Mao e Deng Xiaoping, entre erros e acertos, avançou muito: saiu de um estágio de analfabetismo para se tornar a segunda maior potência mundial, e que ostenta um PIB em alta com a pobreza em baixa. Pode ter liberdades individuais restritas e imperialismo territorial – o barulho em Hong Kong é cada vez maior ­–, o partido é único, o trato com o meio ambiente não é nenhum exemplo, mas a China, até pelo tamanho, não pode ser ignorada.

Chineses comemoram os 70 anos da revolução comunista (Foto: Reprodução / Youtube)
Chineses comemoram os 70 anos da revolução comunista (Foto: Reprodução / Youtube)

“Não importa se o gato é branco ou preto, desde que cace os ratos”. A frase de Deng Xiaoping, sucessor de Mao, vai além do simbolismo. Deng norteou todo um processo de modernização do país, que hoje tem mais de 1,3 bilhão de habitantes e possui um PIB acima de 12 trilhões de dólares. Tudo na China é gigantesco, e de sabedoria milenar. Uma parlamentar capixaba me contou que foi à China, há coisa de uns 10 anos, e na manhã seguinte à viagem acordou com certa paralisia facial, a boca meio torta.

No desespero, pensou em pegar o primeiro avião de volta para se tratar, no que foi alertada por uma assessora: “Estamos na China, vamos ver o que eles têm de tratamento?”. Pouco depois, estava numa clínica submetida à sessão de acupuntura. Bingo: como por encanto, o rosto voltou ao normal graças a um velho chinês. Sabedoria não vem só da prática, dos milênios, da filosofia e arte. Às vezes surge do inesperado. Recentemente, a escritora Ana Maria Machado exaltou o surgimento de festivais literários pelo interior do País, num contraponto à crise vivida pelas livrarias.

Pois, tempos atrás, chamou minha atenção o anúncio de uma feira do livro no município de Iúna. “É isso mesmo?”, fiquei pensando. Historicamente, Iúna sempre foi associado a um lugar rude, com disputas de terras, conflitos e pistolagem. Vicente Silveira, quando era deputado estadual eleito pela região, costumava ilustrar o clima local com a seguinte frase: “Lá, quem é vivo não fica de costas para a rua”.

Então, considerei que lugares remotos e toscos trocando armas por livros representam avanço, principalmente numa época em que tanto retrocesso é sinalizado. De resto, fiquei pensando que Ana Maria Machado, imortal da Academia Brasileira de Letras e que costuma frequentar a praia de Manguinhos, na Serra – onde residem familiares seus ­– gostaria de saber da transformação registrada no ambiente de Iúna.

Porém, nosso contato inexiste. Aliás, na última vez em que a vi, caminhando naquela praia, inadvertidamente a escritora me ajudou a criar uma imagem em que busquei um traço literário. Eis a minha descrição de uma manhã de vento sul, na praia de Manguinhos: “Eu ando contra o vento e não há viva alma por ali, exceto uma imortal em sentido contrário. Então, ela passa por mim, simples mortal, como se a praia estivesse totalmente deserta”.


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