Repórter capixaba acompanha a Seleção Brasileira na Rússia

Nascida em Alegre, Laura Zago faz parte da equipe que está acompanhando a Seleção Brasileira (Foto: Acervo Pessoal)
Nascida em Alegre, Laura Zago faz parte da equipe que está acompanhando a Seleção Brasileira (Foto: Acervo Pessoal)

A Copa do Mundo Fifa 2018 na Rússia está para começar e não queremos ficar de fora. E não vamos ficar! No campo, na arquibancada, na cabine de imprensa, nas redações, a presença feminina é cada vez mais frequente no jornalismo esportivo e na cobertura do futebol. E o “Elas em Campo” veio ao encontro dessa realidade. Mesmo a mais de 14 mil km da Rússia, estaremos presentes com muito futebol e Copa, aqui no Tribuna Online.

E nada melhor que já começar falando dela: Laura Zago. Não conhece? Então vai valer a pena saber quem é! Ela é uma das sortudas repórteres que vai acompanhar a Seleção Brasileira e o sonho do Hexa de pertinho - de pertinho mesmo!

A Laura tem 26 anos, é jornalista, capixaba, natural de Alegre. Apaixonada por futebol desde criança, muito por influência dos irmãos, descobriu que queria seguir no jornalismo esportivo ainda adolescente. Para ir atrás do sonho, foi estudar no Rio de Janeiro e lá trabalhou nos canais do Esporte Interativo. Há seis meses foi para a Confederação Brasileira de Futebol, a CBF, para acompanhar a Seleção Feminina como cinegrafista e editora. O que ela não esperava era ser chamada para acompanhar a Seleção Brasileira masculina na Rússia.

Quer saber mais? Se liga no bate-papo que tivemos com a Laura.

Laura Zago (Foto: Acervo Pessoal)
Laura Zago (Foto: Acervo Pessoal)
Elas em Campo - Como tem sido sua história no Jornalismo Esportivo?
Laura Zago - Eu acho que a faculdade de Jornalismo em geral nos desencoraja muito, às vezes. Claro que há professores e professores. Mas lembro que muitos falavam: “Jornalismo Esportivo? Nossa! É muito difícil, muito concorrido”.
As coisas pra mim foram acontecendo muito naturalmente e eu nunca me fechei a nenhuma oportunidade. Trabalhei na TV da PUC. De lá fui para o Grupo Sal (uma produtora de vídeo para o Canal Off, aí comecei a trabalhar com surfe. Depois, fui para a Assembleia Legislativa do Rio, fiz intercâmbio para a Espanha, e voltei meio desesperada porque já ia me formar e estava sem estágio. Aí, depois de 3 meses, consegui um estágio em outra emissora, mas querendo sempre ir para o esporte.
Até que fiquei mandando vários currículos para o Esporte Interativo. Era um canal que eu já acompanhava. Eles me chamaram para uma entrevista, para ser produtora de artes marciais. Eu falei que super toparia. E foi assim que comecei. Fazia tudo de MMA, ia em eventos. Era uma vida dedicada a trabalhar.
Aí, no próprio EI, abriram uma equipe de Esportes Olímpicos. Foi quando eu mudei de área. Fiquei enchendo o saco pra todo mundo me deixar fazer teste de vídeo. Fiz muitos. Às vezes, eu fui até desencorajada. Lá mesmo, sabe, falavam que era difícil demais, que tinha muita concorrência. Mas continuei. Até que um dia a apresentadora do programa que eu produzia faltou, e eu ia cobrir. Aí foi sendo assim: quando alguém faltava, eu cobria. Depois, começou a ser assim na reportagem: alguém faltava, eu cobria. Até que eu comecei a dobrar no horário e fazia os dois: produzia e fazia reportagem.

E a CBF, como aconteceu?
Depois de 3 anos lá no EI, surgiu a possibilidade de ir para a CBF acompanhar o futebol feminino, como cinegrafista e editora. Eu fiquei muito na dúvida porque estaria me afastando do vídeo. Mas aceitei pela oportunidade. E foi muito bom ter arriscado. Muito! Hoje estou muito feliz, acompanhando as meninas e vendo como o esporte feminino é mal divulgado pela própria imprensa, que muitas vezes finge que não existe a categoria.
Fui contratada pra ser cinegrafista e editora do feminino, acompanhando a base e a categoria principal. E dentro da CBF surgiu a ideia de fazer uma parceria com a Mixer e o Twitter pra gente fazer os treinos ao vivo da Seleção durante a Copa, no estilo de programa. Nisso, eu já fazia reportagem na própria CBF e, sempre que pintavam umas coisinhas, eu pedia pra fazer. Na hora de decidir a equipe, optaram por me levar. Hoje sou eu de repórter, dois cinegrafistas homens e um produtor. Agradeço muito aos meus chefes por terem me escolhido e me dado esse apoio.

E como foi o convite para fazer parte da equipe que vai para à Copa do Mundo?
Ah, na hora foi muito louco! O meu chefe me chamou e falou: começa a se preparar que você deve ir pra Rússia. Eu quis chorar ali, naquele momento! Mas sempre com os pés no chão, pois não tinha nada confirmado. Quando confirmou, eu liguei chorando para os meus pais, agradecendo muito, porque, se não fossem eles, eu não teria chegado nem no Rio. Depois, falei com a minha fonoaudióloga, porque, desde os tempos de Esporte Interativo, eu faço fono, nunca parei, já são 3 anos, toda semana, fazendo e me preparando mesmo sem ao menos estar no vídeo. Eu nunca parei. Claro que também agradeço demais aos meus chefes que, neste momento, tem um milhão de pessoas, e, dentro desse milhão, eles me escolheram.
Eu não tenho palavras. E, claro, agradeço muito ao meu namorado, minha família e amigas porque essa rotina na CBF não está sendo nada fácil. Este ano já fiquei 80 dias fora de casa.

Laura Zago e o mascote da seleção (Foto: Daniel Avila)
Laura Zago e o mascote da seleção (Foto: Daniel Avila)

E a sua emoção ao saber da novidade?
É inacreditável, mas eu estou indo, Domingo (10), já embarcamos rumo a Sochi. Passa um filme de tudo o que aconteceu pra chegar até aqui, e eu penso: caraca, eu consegui, né não é possível! Eu??? Tô aqui. É ainda muito surreal, mas, ao mesmo tempo, eu penso que sempre temos que melhorar e fico me avaliando todos os dias pra ser sempre merecedora de estar aqui.

Como é fazer parte de uma equipe de reportagem da CBF para a Copa, sendo a única mulher?
Eu acho a minha equipe muito legal nesse sentido. A gente divide muito bem todas as tarefas e não tem diferença para ninguém. E quando precisa, eu ajudo com a câmera e edito. Acaba sendo uma troca mútua.

Você tem contato com os jogadores e com a equipe técnica?
Sim, tenho mais com a equipe técnica porque são eles que a gente encontra sempre no prédio da CBF ao longo do ano. Com os jogadores é mais na hora da entrevista.

Capixaba Laura Zago (Foto: Acervo Pessoal)
Capixaba Laura Zago (Foto: Acervo Pessoal)
Está esperançosa para o Hexacampeonato?
Com certeza! Acho que o Brasil chega dividindo o posto de favorito com outras seleções, mas pelo menos nas duas últimas 3 edições não tivemos uma equipe tão bem montada, focada e com talentos tão únicos individualmente. Alisson, Marcelo, Casemiro, Fernandinho, Paulinho, Phillipe Coutinho, Willian, Neymar são só alguns exemplos dos jogadores que fizeram grandes temporadas nos seus clubes.

Ficou nervosa ao conhecer alguém da Seleção?
Fiquei nervosa quando conheci o Tite. Foi no meu segundo dia de CBF. Ele é uma pessoa pela qual tenho muito respeito. Na hora fiquei nervosa, mas depois, como passei a encontrá-lo com mais frequência pelos corredores, fui ficando mais tranquila.

Qual Seleção você acha que pode ser maior adversária para o Brasil?
Alemanha e Espanha. Pois possuem grandes talentos individuais e os times estão entrosados. Acho que junto com o Brasil são as grandes favoritas.

por Thaísa Côrtes