Redes sociais: aliadas ou vilãs?

 (Foto: Divulgação)
(Foto: Divulgação)
Muitas pesquisas envolvendo as redes sociais têm analisado as transformações da sociedade sob a interferência dos novos modos de interações e conexões nos espaços digitais.

Enquanto dados mostram que plataformas comunicacionais com ferramentas de fotos e vídeos, como YouTube, Facebook e Instagram, atraem milhares de usuários - com variados propósitos, existem pesquisas que apontam que o uso das redes sociais influencia na insatisfação com a imagem corporal, sobretudo, doa adolescentes, considerando ainda que quanto mais vezes eles acessam as redes ao dia, há mais chances de se sentirem insatisfeitos com o corpo.

Seria, então, as redes sociais uma ameaça para sustentação de graves problemas sociais e de saúde, como a depressão e os suicídios?

Para tal questionamento é válido analisar os usuários das redes sociais digitais a partir da psicologia social sob uma perspectiva de Representações Sociais, considerando tanto a individualização quanto a socialização, proposta pelo psicólogo francês Serge Moscovici.

Ele acredita que o papel das representações partilhadas é o de assegurar que sua existência é possível e explicita que é justamente este estado de coisas que torna a noção de conflito tão essencial, quer se trate de transformações cognitivas, quer se trate de comunicações públicas. Para ele, sem essa noção não se pode compreender nem o dinamismo da sociedade nem a mudança de qualquer uma das partes que a compõem.

Vale lembrar, ainda, a relação tempo x espaço sob a visão de Milton Santos, a fim de compreender as variantes relações e as subjetividades que envolvem os indivíduos inseridos no universo digital. O geógrafo considera que apesar de toda imersão às novas ações que as redes digitais possibilitam na atualidade, existe toda uma materialidade herdada de uma formação cercada de transformações do tempo e do espaço em um vasto mundo de territorialidades.

E hoje, os infoterritórios, portanto, acabam interferindo na construção da identidade e formação da imagem dos atores sociais, os quais estão suscetíveis à algumas ações limitadas ao virtual, de forma volátil, e até com certa ilusão, entre a vida real e o mundo digital.

Diante de um universo cibernético e de exposição, surgem novas buscas por inserção social, reconhecimento, prestígio, e consequentemente diferentes manifestações sociais, culturais e psíquicas.

Em “Modernidade Líquida”, o autor Zygmunt Bauman considera que adolescentes equipados com confessionários eletrônicos portáteis são apenas aprendizes treinando e treinados na arte de viver numa sociedade confessional, por transformar o ato de expor publicamente o privado numa virtude e num dever público.

Não há como negar essa visão de individualismo, fluidez e efemeridade considerada por Bauman, mas é possível também avaliar a condição humana sob uma perspectiva de constante capacidade de se reinventar.

Então, não é simplesmente uma questão de apontar aparatos do mundo moderno – como as redes sociais, em aliados ou vilões, mas encontrar neles possibilidades de romper o paradoxo da história da humanidade, marcada por tantos avanços e sérias regressões, vigentes, ainda, na atual sociedade globalizada.

Lu Lima é jornalista, graduada pela Ufes


últimas dessa coluna


Eleição presidencial: de volta ao terror

Ao longo da campanha eleitoral para Presidente da República do ano de 2002, quando o então candidato Luiz Inácio Lula da Silva estava à frente nas pesquisas eleitorais, o PSDB, estando no Poder, …


Você sabe quando e como utilizar um pronto-socorro?

Não é de hoje que assistimos pela televisão, internet ou até mesmo vivenciamos de alguma maneira a superlotação das unidades de urgência e emergência, comumente conhecidas como pronto-socorro. …


Vacinar ou não vacinar? Eis a questão

A reumatologia é mesmo uma especialidade que nos obriga a conhecer não só sobre doenças e medicamentos, mas também sobre exercício físico, nutrição, psicologia e imunização. Haja cérebro pra guardar …


Terceira idade: desafios e cuidados

Com o avanço da idade, é comum surgirem alterações no estilo de vida. Em razão desse processo, vem o comprometimento de funções e atividades que antes pareciam ser de simples execução. A partir …


A internet e a fragilidade das campanhas eleitorais

É consensual entre os analistas que a atual disputa eleitoral para a Presidência da República é a mais incerta desde a redemocratização do Brasil, nos anos 1980. Apesar da sensação difusa de …


Resolver só a corrupção, não resolve o Brasil

Em tempos de cenário eleitoral, Operação Lava a Jato, lideranças políticas apreendidas, democracia sendo questionada e vazio extremo de lideranças, urge a necessidade de parar, analisar e discernir. …


Nota fiscal eletrônica: avanço que exige novos hábitos

O Código Tributário Nacional define as obrigações acessórias como o conjunto de informações, declarações e prestações exigidas do contribuintes e de interesse do Fisco para fins de arrecadação e …


Diálogo com os presidenciáveis

Considerando o período eleitoral, o Sindiex iniciou um diálogo com os presidenciáveis, objetivando conhecer os seus projetos de governo, e percebemos que já são velhos conhecidos: ajuste fiscal, …


Segurança pública e eleições

Os números da segurança pública no Brasil podem ser considerados de um país em guerra. De acordo com os últimos dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, divulgados no 12º Anuário de Segurança …


O cuidado fora dos hospitais e o foco no paciente

A palavra desospitalização pode até assustar, mas nada mais é do que tirar, na medida do possível, os pacientes de dentro dos hospitais, garantindo a eles o melhor cuidado, com as terapias necessária…