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“Quero casar só uma vez”


Gianne Albertoni como Elke Maravilha (Foto: Suzanna Tierrie/Divulgação/Chacrinha - O Velho Guerreiro)
Gianne Albertoni como Elke Maravilha (Foto: Suzanna Tierrie/Divulgação/Chacrinha - O Velho Guerreiro)
Loiras, altas e magras, ambas conquistaram primeiro as passarelas e, então, ganharam as telinhas e a telona. A primeira nasceu na Rússia, mas era brasileiríssima e pura extravagância. “

A maioria das pessoas acha que sou travesti”, dizia. “Não é incrível? Era muito evoluída essa mulher”, derrete-se a segunda.

Há semelhanças entre Elke Maravilha e Gianne Albertoni, que vive a mais irreverente entre os jurados do “Cassino do Chacrinha” em “Chacrinha: O Velho Guerreiro”, quinta nos cinemas, com Stephan Nercessian como protagonista.

E, claro, há diferenças. “Vou casar também. Ainda daria tempo de casar várias vezes, mas quero casar só uma vez”, diz Gianne às gargalhadas, refletindo sobre os oito casamentos de Elke, que morreu em agosto de 2016 aos 71 anos.

Na conversa por telefone com o AT2, a paulista de 37 anos revelou outras diferenças entre ela e a russa bombástica.

“Elke era bem mais exuberante, uma musa! Eu sou uma pessoa bem mais tímida”, começou, para depois, novamente, render tributos à sua inspiração.

“Aprendi muito com ela, e a grande mensagem de Elke era 'seja feliz'. Concordo com ela. Não é preciso se preocupar se você está seguindo o caminho que o seu coração manda. É preciso ser feliz, seguir com leveza e plantar o bem”, avalia.

Elke com Chacrinha e Gianne com o ator Stephan Nercessian, que vive  o Velho Guerreiro  na telona (Foto: Suzanna Tierrie/Divulgação/Chacrinha - O Velho Guerreiro)
Elke com Chacrinha e Gianne com o ator Stephan Nercessian, que vive o Velho Guerreiro na telona (Foto: Suzanna Tierrie/Divulgação/Chacrinha - O Velho Guerreiro)

“Eu digo que não tenho medos” - Gianne Albertoni - atriz, modelo e apresentadora

AT2: Elke Maravilha era icônica e você pegou o jeito. Imaginou que se sairia tão bem?
Gianne Albertoni: Que nada, menina! Jamais imaginei que daria tão certo, mas torcia muito por isso. Quando eu recebi o convite, fiquei tão feliz! Super-honrada. A primeira coisa que pensei foi: “Espero que Elke se orgulhe de mim”. Busquei a essência dela. Era isso que eu queria. Não queria fazer uma caricatura da Elke.

AT2: Há semelhanças entre Gianne e Elke?
Gianne Albertoni: Algumas. Conheci pessoas que conviveram com a Elke e elas me falaram sobre a energia que ela transmitia. Era uma energia de amor, de alegria. Era uma mulher incrível mesmo, que terá o meu coração para sempre. Me identifico com a energia dela.

Elke também não se preocupava em agradar aos outros. Acho que nisso também somos semelhantes. Ela compreendia, como eu, o quanto o ser humano é eclético, diverso, livre.

AT2: Qual foi o grande desafio nessa personagem?
Gianne Albertoni: Me transformar em Elke. Tudo foi um grande desafio. Era preciso uma hora e meia de maquiagem, cabelo e figurino para virar a Elke.

Quando a transformação acabava, a sensação era de êxtase! E tirar tudo isso era muito triste. Quando eu tinha que me desmontar, ficava arrasada! (Risos)

AT2: É verdade que pediu a bênção dela?
Gianne Albertoni: É sim! Eu queria que ela e a família dela sentissem orgulho do trabalho que fiz. A primeira cena que eu rodei do filme era do velório da mãe do Chacrinha.

Gravamos no cemitério São João Batista, no Rio de Janeiro. Quando eu cheguei lá, um moço me disse: 'Você sabe que Elke está aqui, né?'. Na mesma hora, pedi que ele me mostrasse onde, porque eu precisava conversar com ela.

AT2: O que disse? Acredita que ela te ouviu?
Gianne Albertoni: Disse a ela que ia vivê-la, que queria fazer um trabalho bonito e pedi a Elke que me abençoasse. Acredito que ela me ouviu e espero que ela goste. Eu sou uma pessoa que acredita em tudo! (Risos)

AT2: Elke disse uma vez que enfrentava seus medos avançando. E como você os enfrenta?
Gianne Albertoni: Para te falar a verdade, eu não tenho muitos medos. Sei que há muitas coisas na vida que eu ignoro, que eu ainda não sei fazer. Mas é somente porque eu não aprendi. Então, eu me empenho, estudo, procuro saber. Tudo na vida é aprendizado, evolução.

Erro muito. Como todo mundo. Então, peço desculpas e espero não errar novamente. Mas sei que, fatalmente, vou errar. Levo tudo como lição e tento melhorar.

AT2: Saiu das passarelas para o cinema e a televisão. Como vê essa aventura hoje?
Gianne Albertoni: Abracei todos os projetos novos em minha vida com muita dedicação. Nada surgiu magicamente. Tudo foi resultado de muito estudo. Em um momento da minha vida, decidi parar de viajar para estudar Teatro.

Depois cursei Jornalismo. Investi e estudei muito para não precisar temer os desafios. Por isso, eu digo que não tenho medos. Sou abençoada por ter um trabalho que me diverte e me apaixona todos os dias.

AT2: Quais são os sonhos agora? Uma protagonista?
Gianne Albertoni: Meu sonho é melhorar sempre. Acho que um papel de protagonista virá naturalmente, deve ser uma consequência do trabalho, para que eu possa estar preparada para viver isso.

Não penso que tenho que ser uma protagonista. Penso que tenho de melhorar. Tudo vem no momento certo.