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Quem ganha e quem perde no Fla-Flu por Pedro
Papo do Dias
Flávio Dias

Flávio Dias


Quem ganha e quem perde no Fla-Flu por Pedro

Pedro comemora gol pelo Fluminense (Foto: Lucas Merçon/Fluminense)
Pedro comemora gol pelo Fluminense (Foto: Lucas Merçon/Fluminense)
Pedro tem 22 anos. Era artilheiro do Brasileirão e xodó da torcida do Fluminense, candidatíssimo ao posto de ídolo, quando sofreu a lesão no joelho direito em jogo contra o Cruzeiro em agosto do ano passado. Por causa dela, ficou oito meses sem jogar, foi cortado da Seleção Brasileira logo em sua primeira convocação e perdeu a chance de ser negociado com o Real Madrid.

De volta aos campos, fez sete jogos e três gols. E voltou aos holofotes. Mas não pelos gols. E sim pela possibilidade de trocar o Flu pelo Fla. Quem ganha e quem perde com essa novela?

Flamengo

Está no seu direito de fazer proposta por um jogador que lhe interessa, desde que siga as normas (jurídicas e éticas). A conversa de que conversou só com a diretoria do Fluminense, e não com representantes do jogador, é papo para boi dormir. É claro que houve uma negociação anterior com os empresários – e, quem sabe, até com o atacante – antes de a proposta oficial ser entregue ao clube tricolor. Como houve nos casos recentes de Arrascaeta e Bruno Henrique, por exemplo. Destaco: não é prática exclusiva do Fla. Pelo contrário, a maioria dos clubes segue o mesmo caminho.

Com todo o seu poderio financeiro recente, tirar Pedro do Fluminense seria, para o Flamengo, a batida de martelo que o isola de vez dos rivais. É um recado direto do atual abismo que o separa dos demais.

É o que os demais clubes chamam de “espanholização”. Ou seja, assim como acontece na Europa, apenas dois ou, no máximo, três clubes brigam pelo topo e, sempre que querem, compram dos outros seus destaques. É o que Real Madrid e Barcelona fazem na Espanha, o Bayern faz na Alemanha, o PSG faz na França... É o que Flamengo e Palmeiras, hoje, já começam a fazer por aqui.

Tecnicamente, Pedro é o centroavante clássico pedido pelo técnico Jorge Jesus. Muito bom, jovem e com potencial de lucro em venda futura. Faz todo sentido.

Fluminense

Segurar Pedro, caso se confirme, seria a primeira vitória da nova gestão do Fluminense, agora com Mário Bittencourt no comando. Fosse ainda Pedro Abad o presidente, Pedro já vestiria vermelho e preto. A nova diretoria, porém, pensa grande e sabe que não pode começar a gestão perdendo o camisa 9 para o Flamengo.

Tecnicamente, também vale muito a insistência pela permanência do jogador, que ainda precisa retomar o ritmo de jogo (e de gols) de antes da lesão.

O “xis” da questão para o Fluminense é o lado financeiro. Asfixiado, quebrado e ameaçado constantemente de bloqueio de rendas e rescisões de contrato de jogadores na Justiça por causa dos atrasos salariais, o clube precisa vender para aliviar um pouco a crise.

Pedro foi campeão no Torneio de Toulon, mas não brilhou (Foto: Fernando Torres/CBF)
Pedro foi campeão no Torneio de Toulon, mas não brilhou (Foto: Fernando Torres/CBF)
Foi por isso, por exemplo, que o Flu não fez o menor esforço – ainda com a diretoria anterior, é verdade – em pedir a liberação do Pedro no Torneio de Toulon, nada mais do que uma vitrine para vender jovens jogadores aos clubes europeus. Só que Pedro não foi bem, se machucou e, apesar do título da seleção brasileira olímpica, não brilhou.

Por algo entre R$ 40 milhões e R$ 50 milhões, valores aproximados do que seria a proposta do Flamengo, faz sentido vender. Apesar de a multa ser algo perto dos R$ 225 milhões. A não ser que o Fluminense consiga segurar o atacante até o fim do ano e ele volte a ter o desempenho do ano passado, voltando, inclusive, à Seleção Brasileira. Assim, o clube tricolor volta a ter poder de barganha para vendê-lo pela multa integral na janela europeia de janeiro de 2020.

Pedro

É o maior interessado. Ficando ou saindo. Saindo para o Flamengo ou para a Europa.
Não fosse a lesão, Pedro já estaria no futebol europeu. No Real Madrid ou emprestado a algum outro clube para ganhar adaptação. E estaria na Copa América. Talvez, até como centroavante titular.

A possibilidade de ganhar até quatro vezes mais de salários mexe com qualquer profissional. Só que Pedro vai ganhar isso ou até mais. Se não agora, saindo para o Fla ou para fora, ganhará na próxima janela europeia de transferências.

Tecnicamente, Pedro é titular no Fluminense e no Flamengo. Em um, pode ser campeão da Copa Sul-Americana. Em outro, pode brigar por título no Brasileirão, na Copa do Brasil e na Libertadores.

Emocionalmente, trocar a identificação com um clube, com uma torcida, depois de ficar oito meses parado por lesão incomoda. Depois de tanto tempo fora, poderia ficar e encerrar pelo menos o Brasileirão pelo time que o projetou.

Em agosto do ano passado, antes da lesão do camisa 9, escrevi sobre o valor de um ídolo e usei Pedro como exemplo. O Fluminense dormiu no ponto e, agora, vai ter que se virar como pode.
 


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