Grazieli Esposti

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Que não só o agosto seja dourado

E para encerrar o agosto dourado, este mês tão importante de conscientização sobre a amamentação, mais um depoimento cheio de amor e superação, afinal, amamentar não é automático. Precisamos aprender, mães e bebês, insistir, persistir e não desistir. E além desse querer muito, ainda é fundamental termos orientações e informações adequadas, de profissionais responsáveis e atualizados, e, ainda, de muita rede de apoio e incentivo. Este tripé fará a diferença no sucesso da amamentação. Acompanhe o relato a seguir:

“A amamentação foi a etapa mais difícil da maternidade para mim. Em nenhum outro momento me senti tão desafiada, nem nos nove meses de gestação, nem no parto. O primeiro mês foi de muito aprendizado e depois disso a amamentação passou a ser mais prazerosa para nós duas, eu e a minha filha. Mesmo com todas as dificuldades iniciais, nunca passou pela minha cabeça desistir.

Havia conversado com várias amigas e parentes sobre o assunto e participei de um curso para gestantes no qual se falou apenas de pontos recorrentes sobre o tema, como tempo de amamentação exclusiva e posições para amamentar.

Eu sabia que não era como nas propagandas da TV, nas quais as mães e bebês parecem já ter nascido prontos para a tarefa. Isso até pode acontecer em alguns casos, mas depois que me tornei mãe percebi que para a maioria a amamentação demanda trabalho árduo para dar certo. Falta orientação adequada para as gestantes sobre o assunto.

Confesso que não li tanta coisa sobre amamentação como li sobre parto normal, afinal, durante a gestação este parece ser o maior desafio a ser superado. Engana-se quem acredita nisso. O parto pode durar horas, mas a amamentação dura meses, anos, caso as recomendações das organizações de saúde sejam seguidas corretamente. E pouco se fala e se faz para a nova mãe estar preparada para amamentar, não somente do ponto de vista físico, mas principalmente mental.

Obtive orientação adequada com uma fonoaudióloga e consultora de amamentação, depois de algum sufoco, dor e choro. O banco de leite, muito recomendado por todas as mães com as quais conversei, estava lotado no dia em que saí da maternidade e só tinha vaga por agendamento para a semana seguinte.

Eu hoje compreendo muito melhor aquelas que não conseguiram amamentar. Não é uma tarefa fácil! Amamentar é muito mais que alimentar um filho, é doar-se, de corpo e alma, para esse novo ser que acaba de desembarcar em um mundo totalmente novo. Já se vão três meses de amamentação em livre demanda e muitas trocas de olhares, mãozinha acariciando a mamãe e muito amor”. Ednalva Andrade é jornalista e mãe da Sara, de três meses.

Que possamos continuar falando sobre amamentação e disseminando informações para que todos os meses sejam dourados, não só o agosto. Até a próxima!