Flávio Dias

Flávio Dias


Quanto vale um ídolo?

Pedro brilhou praticamente sozinho contra o Bahia  (Foto: Mailson Santana/Fluminense)
Pedro brilhou praticamente sozinho contra o Bahia (Foto: Mailson Santana/Fluminense)
Num futebol brasileiro em que os jogadores vão embora ainda tão jovens, normalmente antes de terem grandes conquistas pelos clubes daqui, é raro ter um ídolo. Digo ídolo mesmo, aquele cara que tem qualidade, mas também tem liderança, carisma, leva torcida aos estádios, vende camisas e faz o torcedor se sentir representado.

O Fluminense teve dois recentemente. Fred e Conca. O primeiro viveu o auge da carreira com a camisa tricolor. Caiu, levantou, comprou brigas, vestiu a camisa e, claro, fez gols (muitos!) e conquistou títulos e admiração. Saiu de um jeito até hoje mal explicado, mas ainda tem o carinho da torcida tricolor (mesmo daqueles que fingem que não).

Conca foi o xodó da torcida. Um carisma diferente. Calado, tímido, mas de uma entrega tamanha que disputou todos os jogos do título brasileiro de 2010. Saiu e voltou, e já não era o mesmo. E jogou tudo fora ao vestir a camisa do rival, numa passagem apagadíssima que não acrescentou em nada à sua carreira. Conca só foi ídolo no Fluminense. Não é mais.

Hoje, o clube tem um grande ídolo em potencial. Pedro, ou Dom Pedro! Prata da casa, carismático e, desde janeiro deste ano, decisivo. Aos 21 anos, já é o principal jogador do time. É educado, fala bem e faz questão de reverenciar a torcida a cada gol. Um pacote completo para o departamento de marketing de qualquer clube deitar e rolar. Menos o do Fluminense, pelo jeito.

A cada atuação, a cada jogo, a impressão é de que o clube está doido para vendê-lo. E a crise financeira é sempre a desculpa pronta. E nunca resolvida. Por causa dela, já foram vendidos Kenedy, Gerson, Marlon, Wendel, Richarlison... E o clube segue quebrado. Imagina o time de hoje com esses “reforços”.

Dizem que Borussia, Atlético de Madrid, Bordeaux e outros europeus já sondaram a situação do camisa 9. O Fluminense só tem 50% dos direitos dele. Será difícil segurar.

Mas quanto vale um jogador que pode voltar a fazer a torcida feliz, que pode até aumentar o número de torcedores (consumidores) do clube. E ainda te dar retorno dentro de campo?

À torcida tricolor, só resta iniciar logo a campanha #FicaDomPedro.

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Zé do Fogão

Zé Ricardo chega ao Botafogo (Foto: Vitor Silva/SS Press/Botafogo)
Zé Ricardo chega ao Botafogo (Foto: Vitor Silva/SS Press/Botafogo)
Ídolo é o que não falta na rica história do Botafogo. De Garrinha, Nilton Santos, Zagallo, Jairzinho e tantos outros monstros do futebol mundial.

Que eles inspirem o clube a voltar a pensar grande. Não basta o Zé Ricardo como novidade. É preciso buscar reforços de verdade.

Já disse outras vezes e repito: acho Zé Ricardo um bom treinador, mas nada excepcional. Aceitar o Botafogo de hoje é um risco à curta carreira dele. Mas que possa trabalhar em paz por lá.

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Fritura em São Januário

Jorginho já balança (Foto: Carlos Gregório Jr/Vasco.com.br)
Jorginho já balança (Foto: Carlos Gregório Jr/Vasco.com.br)
Alguém duvida que Jorginho cai caso o Vasco não goleie a LDU e se classifique na Copa Sul-Americana?