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Psicólogo investigado por ameaça de massacre diz que textos publicados são literários

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Psicólogo investigado por ameaça de massacre diz que textos publicados são literários


delegado Brenno Andrade disse que o psicólogo pode responder, ao fim das investigações, por três crimes (Foto: Leone Iglesias)
delegado Brenno Andrade disse que o psicólogo pode responder, ao fim das investigações, por três crimes (Foto: Leone Iglesias)

“Olá, estou planejando um atentado. A intenção é invadir um shopping na hora do rush”. É dessa forma que começa uma mensagem enviada nas redes sociais por um psicólogo e engenheiro aposentado, de 61 anos, de Vitória.

Após as mensagens em que diz estar recrutando pessoas para um massacre com a intenção de “fuzilar o máximo possível de pessoas”, ele agora é alvo de uma investigação da Polícia Civil. No entanto, o autor das mensagens alega que os textos por ele publicados são literários.

O titular da Delegacia de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC), delegado Brenno Andrade de Souza Silva, afirmou que o investigado publicou em um grupo do WhatsApp um texto no qual ele solicitava interessados em cometer um ataque em shopping. “Um dos integrantes desse grupo ficou com medo, pois em nenhum momento o investigado disse ser brincadeira. Então ele foi à Polícia Federal (PF) já que o grupo tinha abrangência nacional.”

O delegado explicou que a PF colheu o depoimento e confeccionou um relatório de investigação, mas a conclusão foi que não se tratava de terrorismo. Por isso, o caso foi encaminhado à Polícia Civil. “Após analisar essa publicação e outras postagens também no Facebook, entendemos por bem solicitar o mandado de busca e apreensão domiciliar.”

Brenno Andrade frisou que o mandado foi cumprido na manhã de ontem, mas o psicólogo está em viagem para o exterior, por isso não foi encontrado. “Na residência, foi localizada uma arma de fogo, calibre 38. Além de responder por posse ilegal de arma de fogo de uso permitido, ele também pode responder crime de apologia ao crime, ou criminoso, tendo em vista que ele fez uma exaltação ao fato lamentável na escola de Suzano (São Paulo), chamando os criminosos de heróis.”

Ele revelou que o psicólogo também deve responder pelo artigo 41 da Lei de Contravenções Penais, pelo fato de ele causar pânico ou tumulto. “Vamos esperar que ele retorne da viagem para ouvi-lo, o que está previsto para o início de junho. Depois, serão analisadas se outras medidas poderão ser tomadas”, afirmou.

Acusado diz que textos publicados são literários

Em viagem ao exterior, o psicólogo de 61 anos investigado pela Polícia Civil conversou com a reportagem e afirmou que todos os textos publicados por ele nas redes sociais são literários. Ele ainda ressaltou que os textos visam ressaltar a importância da literatura como tratamento psicológico.

“Os textos publicados geram debates literários que trazem comentários mostrando filmes, livros, músicas... Nos textos, argumento que, se os estudantes escrevessem sua angústia e sua revolta em seus textos, funcionaria como uma espécie de teatro e se aliviariam de seu sofrimento.”

E completou: “Você assiste filmes, parece tudo real. Pessoas que 'cometem um crime' no teatro não são criminosos. O teatro terapêutico visa a pessoa encenar o crime, nunca praticá-lo na realidade.”

Ele ressaltou que em sua rede social tem o alerta a respeito dos textos apresentados serem literários.

À Polícia Civil, um filho do psicólogo disse que o pai fazia esse tipo de publicação para observar a reação das pessoas. “O filho disse que, pelo fato de trabalhar com psicologia, gostava de fazer as postagens para verificar as reações, para ver se as pessoas iriam levar a sério ou não, como se fosse um estudo”, disse o delegado Brenno Andrade de Souza.

Segundo o titular da Delegacia de Repressão aos Crimes Cibernéticos, fica um alerta para as pessoas. “Nem todos nas redes sociais se conhecem. Elas não sabem se a intenção com um texto é fazer um estudo, causar pânico ou publicar em forma de desabafo, mas há consequências e vai ser investigado.”

O delegado reforçou que em outra publicação o psicólogo disse que tinha um atentado planejado, que as armas estavam no carro, mas ele pensou e desistiu. “Como a polícia não sabe se isso trata-se de um texto fictício ou de uma verdade, precisamos apurar.”

Saiba Mais

Denúncia

- Um psicólogo e engenheiro aposentado, de 61 anos, é alvo de investigação, após publicar em um grupo do WhatsApp um texto no qual ele diz estar recrutando pessoas interessadas em cometer um ataque em shopping, na hora de grande movimento. Diz ainda que a intenção era fuzilar o maior número de pessoas.

- Em março, um dos integrantes desse grupo denunciou a publicação à Polícia Federal, que encaminhou depois à Polícia Civil.

Publicações

- Além da publicação no grupo de WhatsApp, a Polícia Civil também identificou outros textos em suas redes sociais que fazem referência à tragédia de Suzano ou que disse já ter “quase” cometido atentado.

Busca e apreensão

- Após essas investigações iniciais, o titular da Delegacia de Repressão aos Crimes Cibernéticos, delegado Brenno Andrade de Souza Silva, solicitou um mandado de busca e apreensão em sua residência, em Vitória.

- O psicólogo está em viagem ao exterior, mas foi encontrada uma arma calibre 38 na casa.

Crimes a que pode responder

- O delegado informou que não há intenção de pedir a prisão no momento, já que o caso está em investigação e o psicólogo será ouvido.

- No entanto, ao fim das investigações, o delegado disse que ele deve ser indiciado e poderá responder pelos crimes: Posse irregular de arma de fogo de uso permitido, com pena de detenção entre um e três anos;

- Apologia de crime ou criminoso, que prevê detenção, de três a seis meses;

- Provocar alarma, anunciando desastre ou perigo inexistente, ou praticar qualquer ato capaz de produzir pânico ou tumulto, cuja pena prevista é de 15 dias a seis meses.

Fonte: Polícia Civil

Veja trechos das mensagens

 (Foto: Reprodução / Polícia Civil)
(Foto: Reprodução / Polícia Civil)


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