Preço do combustível nas calendas

“O mercado de petróleo e derivados tem experimentado um forte movimento de queda de preços... Mas quando isso vai se refletir efetivamente no bolso do consumidor? Bem, aí já é coisa que vai pras calendas gregas... Nem a turma do Posto Ipiranga sabe”

Nos últimos três meses, o preço da gasolina vendida nas refinarias pela Petrobras baixou 17 vezes, resultando numa queda de 32,5%. Contudo, essa redução não chega ao bolso do consumidor, quando muito vem em conta-gotas. O valor do litro agora na porta da refinaria custa R$ 1,5, mas na bomba sai por três vezes mais, em média. Essa multiplicação de valor é atribuída aos impostos, principalmente. Mas entre a refinaria e a bomba dos postos o produto também engorda por conta da logística.

Volta e meia, algum posto de revenda faz promoção desonerando o litro por algumas horas. Então o preço sai um pouco acima de R$ 2,00 e atrai filas quilométricas. Um gerente de posto da Praia do Canto aponta que o vilão é mesmo o imposto alto e que o estabelecimento trabalha com margem reduzida de lucro. Garante que o dono anda até pensando em arrendar o espaço, encravado numa das áreas mais nobres de Vitória. Se ali for mesmo assim, imagina na... Jamaica.

Há outra notícia boa, em tese, para o consumidor: o mercado de petróleo e derivados tem experimentado um forte movimento de queda de preços, com o barril saindo de uma máxima de US$ 86, no início de outubro, fechando a US$ 58,80 dias atrás. Contribui para isso o aumento de oferta, principalmente por causa da maior produção americana conjugada com a da Opep. Porém, quando isso vai se refletir efetivamente no bolso do consumidor? Bom, aí já é coisa que vai pras calendas gregas, como se dizia nos primórdios da elaboração dos calendários.

A propósito, já prestou atenção no atual calendário? Percebeu a velocidade do tempo escorrendo. Que 2019 bate à porta para começar tudo de novo? E vamos rebobinar aniversário, Natal, Ano Novo, Carnaval, Dia dos Pais, dos Namorados, novas taxas, matrículas etc. Há quem diga que o sujeito que inventou o calendário era capitalista nato de boa cepa. E que, ao longo dos milênios, sua invenção ajudou a passar a perna em Marx, Hegel e outros menos cotados.

Pesquisas indicam que o primeiro calendário surgiu na Mesopotâmia, por volta de 2700 a.C., provavelmente entre os sumérios, e foi aprimorado pelos caldeus. O primeiro calendário solar foi criado pelos egípcios em meados do terceiro milênio antes de Cristo. Muito mais preciso, já tinha 365 dias. Hoje, utilizamos o calendário gregoriano, que não sofre influência do movimento dos astros. Foi instituído em 1582 pelo Papa Gregório XIII (1502-1585), que reformou o calendário Juliano – uma herança do Império Romano.

De calendae, os romanos criaram o adjetivo calendarius, "relativo às calendas", e o substantivo calendarium, com o qual designavam o livro de contas diárias e, mais tarde, o registro de todos os dias do ano. O calendário dos gregos não tinha calendas e, assim, os romanos conceberam a expressão que também era usada ironicamente para definir a data de algo que jamais ocorreria.

Vem daí o popular Dia de São Nunca, que se encaixa na resposta para a pergunta rotineira feita nos postos de combustíveis da vida: quando esse preço vai baixar de fato? Nem a turma do posto Ipiranga sabe responder.