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"Porteiro de ferro" em busca de título Sul-Americano no levantamento de peso

Esportes

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"Porteiro de ferro" em busca de título Sul-Americano no levantamento de peso


Ao longo do dia, Pedro dos Santos Resende Júnior, de 32 anos, trabalha como porteiro em um prédio no bairro Bento Ferreira, em Vitória. Durante a jornada de 12 horas de trabalho, ele é responsável por tarefas como monitorar a entrada e saída de moradores e visitantes, receber encomendas destinadas a quem mora no local.

O vai e vem de pessoas na portaria não é o único na vida de Pedro. Depois do expediente no prédio, ele ainda tem que lidar com o vai e vem dos halteres. Além de porteiro, Pedro também é atleta de levantamento de peso.

O porteiro é pentacampeão estadual e compete na categoria supino (o atleta deitado desce com a barra com peso até o peito e depois sobe com ela, esticando os braços sobre a cabeça) até 60kg.

No próximo dia 4, ele vai até a cidade de Bagé, no Rio Grande do Sul, para disputar o Sul-Americano de levantamento de peso. “A disputa vai ser bastante equilibrada no Sul-Americano, mas estou confiante. Venho trabalhando muito para dar certo. Só de estar lá é um grande incentivo para não desistir jamais”, afirmou ele.

Pedro e a mulher, Yara, vão competir no Sul-Americano de levantamento de peso no Rio Grande do Sul (Foto: Acervo pessoal)
Pedro e a mulher, Yara, vão competir no Sul-Americano de levantamento de peso no Rio Grande do Sul (Foto: Acervo pessoal)

Pedro tem como objetivo uma boa colocação na campeonato, mas também quer superar seu recorde que é de levantar 130kg. “Isso é mais do que meu peso duas vezes. Vou tentar bater meu próprio recorde. Consegui levantar 130kg pela primeira vez, em 2015 ou 2016, no Tancredão”, lembrou o atleta.

O porteiro contou que as competições de levantamento de peso entraram em sua vida há cerca de cinco anos. Tudo aconteceu, revelou ele, por conta de uma brincadeira na academia onde malha.

“Foi um desafio. Eu gostava muito de pegar peso na academia. Já tinha esse hábito. O pessoal me perguntava porquê eu não fazia isso (levantamento de peso). Rolou um campeonato perto da minha casa, participei e fui campeão serrano. Hoje, sou pentacampeão estadual de levantamento de peso e campeão carioca”, destacou.

Casal unido pelo levantamento de peso

A paixão pelo levantamento de peso também contagiou a mulher de Pedro. A manicure Yara Fraga, de 21 anos, divide o tempo entre o trabalho, cuidar dos filhos e os treinos. Ela também vai competir no Sul-Americano, mas na categoria agachamento (em pé, o atleta posiciona a barra de peso próximo ao corpo na altura dos ombros e, em seguida, se abaixa e levanta).

“Minha mulher sempre me acompanhava nas competições. Ela já era atleta, era carateca, mas teve que parar, porque engravidou. Mesmo grávida, ela ia comigo nas competições. Acabou tomando gosto pela coisa e passou a competir também. Foi campeã estadual de agachamento e nós não paramos mais”, contou Pedro.

O casal tem planos de disputar, ainda este ano, o Mundial de Levantamento de Peso, que acontece em Catanduva, interior de São Paulo, em outubro.

O dinheiro para o casal ir competir no Sul-Americano veio através de vaquinha feita por moradores do prédio e com a ajuda de algumas empresas.

“O pessoal de onde trabalho fez a campanha 'Força, Pedro!' para conseguir o dinheiro. A meta foi batida e conseguimos comprar as passagens. Agora, é esperar o grande dia e trazer esse título para o Espírito Santo”, celebrou ele.

Rotina pesada e pouco descanso

Conciliar o levantamento de peso com o trabalho e a família não é fácil para o casal. No caso de Pedro, a rotina é de muito trabalho e pouco descanso. Ele explicou que o dia começa cedo às 4h30 e só termina depois da meia-noite.

“Moro em Serra Sede. Levanto às 4h30 para pegar o ônibus às 5h30 para chegar ao trabalho antes das 7 horas. Trabalho de 7 horas às 19 horas. Saio do serviço e vou direto para o treino na academia. Chego para treinar por volta das 20h30, quando o trânsito está bom. Quando está pesado chego umas 21 horas. Treino até quase 23 horas. O treino é bastante pesado e exige muito de mim”, disse ele.

Enquanto o porteiro treina na academia, Yara cuida do enteado de 11 e do filho de 3 anos. Depois que sai do treino é a vez de Pedro ficar com as crianças e a mulher dele cumprir a rotina de exercícios para se preparar para as competições.

“Nos tempos de competição, quase não nos vemos. Ela também tem o trabalho dela de manicure”, explicou ele.

O casal consegue ter um tempo junto no caminho da academia, já que ele acompanha Yara até o local após o término do treino dele. A manicure chega em casa quase meia-noite depois de mais um dia de treino.

Por conta da rotina pesada, o casal opta em treinar um dia sim e outro não para descansar a musculatura e evitar lesões. “A nossa vida é muito corrida. Não vivemos só do esporte. Tentamos conciliar. Amamos o esporte e, por isso, estamos nessa pegada até hoje”, frisou.
 


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