Por que precisamos do feminismo no Brasil?

Instituído pelas Nações Unidas e comemorado mundialmente em 8 de março, no Brasil o Dia Internacional da Mulher ganha novos simbolismos ao se tornar um grito por igualdade e justiça. O mês de março passa a ter, para as mulheres brasileiras, a marca da mobilização pelo respeito à dignidade feminina.

Defender o feminismo é acreditar que mulheres e homens que desenvolvem as mesmas funções profissionais devem ser remunerados igualmente.

E, se você compreende que, independentemente de gênero, todos devem ter as mesmas possibilidades de ascensão profissional, por exemplo, então você percebe a importância do feminismo, assim como eu.

Se você acredita que mulheres e homens que trabalham fora do lar devem compartilhar igualmente as tarefas domésticas e cuidados com os filhos, então sabe que aí está, também, a importância do feminismo para que tenhamos uma sociedade mais justa.

E se você, assim como eu, entende que mulheres e homens devem ter as mesmas oportunidades de acesso à educação e ao desenvolvimento intelectual, penso que estamos de acordo.

Quem ainda não compreende a importância do feminismo para o nosso país precisa começar a refletir sobre essa questão.

Para se pensar um país com fraternidade e igualdade de gênero, devemos considerar a importância do conceito de sororidade, segundo o qual as mulheres devem desenvolver empatia entre si.

A partir da sororidade devemos ampliar nossos espaços na atividade política do País, nas decisões econômicas, nas políticas públicas e sociais, no desenvolvimento de ciência e tecnologia, e em todas as áreas ocupadas predominantemente pelos homens.

Unidas, devemos enfrentar preconceitos, estereótipos e machismos, e propor novos alicerces de ética e convivência.

A sororidade também deve nos impulsionar a combater todas as formas de violência e desrespeito, porque este é um fator que tem aumentado significativamente nos últimos anos, com números estarrecedores e revoltantes.

Relatório divulgado no mês passado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) aponta que, em 2017, a cada hora, em média, 1.830 mulheres sofreram algum tipo de violência.

Os dados mostram que 27% das mulheres brasileiras sofreram algum tipo de violência ou agressão em 2017, e é extremamente preocupante que 80% desses crimes foram cometidos por conhecidos das vítimas – cônjuge, ex-marido, namorado, vizinho – e que 40% ocorreram no próprio lar.

Os números no Espírito Santo, lamentavelmente, acompanham os indicadores nacionais. Em 2017 o Estado registrou a maior taxa de feminicídio da região Sudeste, proporcionalmente à população, com 41 mulheres assassinadas por razões de gênero – no ano anterior foram 35 – além de incontáveis casos subnotificados.

Entendo que temos uma importante estrutura de atendimento à mulher em situação de violência, como o Ligue 180, legislação específica, delegacias e juizados especializados, entre outras ações que representam avanços.

Entretanto, a gravidade do cenário exige novos posicionamentos do poder público e mudanças comportamentais transformadoras na sociedade.

Para que possamos alcançar uma sociedade com desenvolvimento humano, tolerância e respeito, é necessário que a mulher viva em condições de igualdade. Para isto o empoderamento feminino deve ser compreendido e buscado permanentemente.

Ethel Maciel é vice-reitora da Ufes
 


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