Filho empurra cadeira por 5 km e abandona corpo do pai em matagal de Paulista
Filho empurra cadeira de rodas por 5 km e abandona corpo do pai em terreno no bairro de Maria Farinha
O sol ainda não havia castigado o asfalto de Paulista, na Região Metropolitana do Recife, quando uma cena macabra começou a ser desenhada, por volta das 6h. Por quase duas horas, um homem empurrou uma cadeira de rodas por cinco quilômetros. Nela, o corpo inerte de um idoso de 56 anos.
O destino final não foi um hospital ou uma delegacia, mas num terreno de matagal, na estrada que dá acesso a uma fábrica de cimentos, às margens da PE-001, no bairro de Maria Farinha., na mesma cidade Lá, o cadáver foi deixado sob o descaso do tempo no dia 14 de abril.
O crime, que chocou os moradores da área, terminou com a prisão do filho da vítima, Rodrigo Gomes da Conceição, 36 anos, nesta última quinta-feira (23). Ele foi localizado pela Polícia Civil após uma sequência de diligências que remontam o caminho percorrido com o corpo do pai, conhecido como Almir.
Os detalhes do caso foram repassados nesta sexta-feira (24) pela Polícia Civil. As investigações começaram a partir de um boletim de ocorrência. O idoso era deficiente e tinha tido um AVC dias antes, sem ser socorrido.
O rastro da indiferença
As imagens das câmeras de monitoramento são secas e brutais. Elas mostram o homem, de passos constantes, conduzindo a cadeira pelas calçadas e acostamentos. Em depoimento à delegada, a companheira de Rodrigo disse que o idoso saiu de casa ainda com vida. Ele avisou que iria lhe prestar socorro e o tinha deixado numa casa de saúde.
Numa das imagens, o idoso aparece debilitado, com a cabeça pendente para o lado esquerdo - não se sabe se ele sentiu os solavancos das rodas no chão irregular. Não havia pressa do filho, mas havia um propósito: o descarte. Ele nem sequer foi enterrado.
Ao chegar em um terreno isolado, o homem retirou o corpo da cadeira e o abandonou entre os entulhos. O cadáver foi encontrado horas depois por populares, que acionaram as autoridades. A perícia inicial aponta que o idoso já estava morto há algum tempo antes de ser levado ao local.
O depoimento da autoridade
A delegada Talita Rates, responsável pelas investigações, detalhou a frieza do suspeito durante os procedimentos policiais. Segundo a autoridade, o esforço físico de empurrar o corpo por uma distância tão longa reforça a premeditação do abandono.
"O suspeito percorreu cerca de cinco quilômetros com a vítima já morta na cadeira de rodas. Foram aproximadamente duas horas de trajeto até o ponto onde ele decidiu abandonar o corpo do próprio pai em um terreno baldio", afirmou a delegada Talita Rates.
O homem agora responde pelos crimes de homicídio e supostos maus tratos. A polícia ainda investiga a causa exata da morte do idoso para determinar se houve homicídio por omissão ou se a morte ocorreu por causas naturais antes do "passeio" fúnebre.
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