Flávio Dias

Flávio Dias


Perdidos no espaço

Valdir Bigode pode ter nova chance no Vasco (Foto: Rafael Ribeiro/Vasco)
Valdir Bigode pode ter nova chance no Vasco (Foto: Rafael Ribeiro/Vasco)
Um ano para lá de complicado. E que ainda pode piorar. Essa é sensação de quem torce por Vasco, Botafogo ou Fluminense. Um trio perdido, sem coerência entre discurso e ação. E que corre sério risco de terminar a temporada de maneira trágica.

Difícil cravar quem vive situação mais preocupante no momento. Mas vamos começar pelo Vasco. Demitiu Jorginho com apenas 10 jogos! O aproveitamento realmente foi ruim — 4 vitórias, 1 empate e 5 derrotas —, mas, sinceramente, o desempenho do time não deixou tanto a desejar assim na maioria dos jogos. Nas Copas do Brasil e Sul-Americana, por exemplo, a classificação nos jogos de volta contra Bahia e LDU, respectivamente, bateu na trave!

As derrotas que mais pesaram foram as para a LDU em Quito (3 a 1) e a pancada recebida do Corinthians em Brasília (4 a 1).

Dizem que Jorginho “perdeu” o vestiário. Nas entrevistas pós-jogos, o discurso também não convencia mais. Só exaltar o tamanho do clube e o peso da camisa era muito pouco.

Com ou sem ele, o que preocupa é a falta de direção da diretoria cruz-maltina. Que admite que não sabe qual perfil de treinador procura! Como assim? Demite um técnico e não sabe quem procurar? É claro que os dirigentes — e os empresários! — estão se mexendo, mas não acho que pode haver muita demora. O Vasco já jogou fora o período de treinos da Copa do Mundo, não tem mais tempo a perder.

Minha sugestão de novo técnico: fica com Valdir Bigode. Tenho certeza de que a torcida vai “comprar” a briga com ele por lá.

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Quantidade não é qualidade

Zé Ricardo no Botafogo (Foto: Vitor Silva/SS Press/Botafogo)
Zé Ricardo no Botafogo (Foto: Vitor Silva/SS Press/Botafogo)
Quatro técnicos em um ano. Ou melhor, em oito meses! É o recorde que o Botafogo conseguiu nesta temporada.
Dos quatro treinadores, três possuem perfil parecido, guardadas as devidas proporções. Começou o ano com Felipe Conceição, que era a aposta do clube para ser o “novo Jair Ventura”, ou seja, um ex-auxiliar técnico, barato, estudioso, novo e que poderia surpreender. Não surpreendeu.

Caiu o “Tigrão” e chegou o Alberto Valentim. Também um ex-auxiliar técnico, um pouco mais rodado e com necessidade de se firmar na função de treinador. Mesmo sem convencer tanto, foi campeão carioca. No Brasileirão, o time já oscilava quando Valentim pediu conta.

E assim como fez com Felipe Conceição, o Botafogo errou feio ao buscar Marcos Paquetá. Já experiente, nunca se firmou no futebol brasileiro. Com exceção de trabalhos na base, só fez alguma coisa no “fortíssimo” futebol árabe. Qual era a chance de funcionar? Não funcionou, é claro.

Zé Ricardo é a bola da vez. Se repetir o que fez nos primeiros anos de trabalho no Flamengo e no Vasco, vai fazer o Fogão um time competitivo, sem brilho. Suficiente para terminar o ano sem maiores sustos. Se for teimoso como foi nos últimos meses por Fla e Vasco, a torcida vai sofrer.

O jogo contra o Nacional/PAR é um bom termômetro. Basta uma vitória em casa por 1 a 0 para o Botafogo ir às oitavas de final. Placar bastante provável. E uma classificação que pode esquentar o segundo semestre alvinegro.

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Só São Pedro para salvar

Pedro é a joia solitária do Flu (Foto: Lucas Merçon/Fluminense)
Pedro é a joia solitária do Flu (Foto: Lucas Merçon/Fluminense)
Pedro é o nome da vez quando o assunto é centroavante no futebol brasileiro. Ótima notícia para o Fluminense? Talvez. Se for pelo retrospecto da diretoria vigente, péssima notícia. Por quê? Porque será vendido a preço de banana, o dinheiro vai sumir e as dívidas vão continuar sufocando o clube. Tem sido assim desde a gestão Peter Siemsen, sucedida pela turma do Pedro Abad.

O Flu trocou de técnico também este ano. No caso tricolor, Abel Braga pediu para ir embora. Chegou Marcelo Oliveira que, nos primeiros jogos pós-Copa, parecia que iria animar as coisas por lá. Já esfriou. A última sequência é para lá de preocupante: derrota para o então lanterna Ceará, empate em casa com o Bahia e goleada dentro de casa para o Inter.

A posição na tabela pode enganar. O Flu é o nono colocado. Mas tem somente 22 pontos. Se repetir o desempenho no returno, termina o campeonato com 44, pontuação de times que brigam para não cair. O time é fraco, as contratações são duvidosas. A torcida tricolor vai ter de rezar muito por São Pedro.

Assim como o Botafogo, o Fluminense pode ganhar nova força se avançar às oitavas de final da Copa Sul-Americana. Para isso, não pode dormir diante do fraco Defensor/URU.