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Vinte tratamentos que não podem ser adiados

Vinte tratamentos que não podem ser adiados

Lorrany Martins | Arte: André Felix
Saúde no Isolamento social

Médicos alertam que exames que detectam câncer, risco de infarto, arritmias e outras doenças devem ser mantidos na pandemia

Com a pandemia do novo coronavírus e a necessidade de isolamento social, muitas atividades no dia a dia foram suspensas. Até mesmo o cuidado com a saúde ficou em segundo plano, comportamento que, alertam os médicos, é perigoso.

Eles acreditam que o medo da contaminação por Covid-19 tem prejudicado o tratamento de muitas doenças. Com isso, médicos especialistas de diferentes áreas apontam 20 tratamentos e exames que não podem ser adiados.

Exames que detectam risco de infarto, arritmias, câncer e tratamentos de doenças crônicas, principalmente, não podem ser negligenciados pelos pacientes. Com indicação médica, devem ser feitos e precisam respeitar todos os protocolos de segurança contra o coronavírus.

“A Covid tem atrapalhado principalmente o cuidado das doenças crônicas. O medo excessivo e a necessidade de isolamento têm comprometido o cuidado das pessoas. Alguns pacientes não têm procurado tratamento. Estão afastados de suas equipes médicas. A falta de acompanhamento leva a outras doenças mais graves”, disse o geriatra do Medsênior Roni Mukamal.

O cardiologista José Vitelio destacou que existem exames que são fundamentais para identificar doenças cardíacas de forma precoce e prevenir outras que podem levar até a morte.

O cardiologista e médico do Centrocor Carlos André Peixoto explicou que exames de check-up também não devem ser adiados. “Houve uma fase inicial, em que não se sabia como essa doença se comportava. Mas, hoje, já sabemos e temos protocolos de segurança. Falo para os meus pacientes não adiarem exames e nem checkups”.

Ele explica que há muitas doenças que não apresentam sintomas anteriores e adiar os exames representa um risco.

A oncologista Kitia Perciano acredita que, enquanto não houver lockdown, nenhum exame de prevenção deveria ser adiado por quem não está no grupo de risco.

Oftalmologista do Hospital de Olhos de Vitória, Renato Vieira notou um aumento, no final de junho, de pacientes buscando novamente as consultas, mas relatando que teve piora da visão.

“Esses pacientes foram adiando o tratamento, tentando se proteger da Covid, mas tiveram piora no seu quadro. É preocupante”.

fábio nunes/at

Pensou em adiar

O aposentado Valter Delunardo, 58 anos, tem um coágulo nos olhos e precisa fazer acompanhamento a cada dois meses com oftalmologista.

Durante a pandemia, Valter contou que pensou em adiar a primeira consulta por medo do coronavírus. Mas, com o oftalmologista Renato Vieira, avaliou que o risco de não fazer o exame para monitorar era maior. “Medo a gente sempre tem. Chegamos até a ligar para a clínica para desmarcar. Mas nos explicaram as medidas de segurança e decidi fazer o acompanhamento, que é muito importante para mim”, contou.

O medo do novo coronavírus tem atrapalhado o cuidado das doenças crônicas, principalmente. Os tratamentos têm de ser mantidos”

Roni Mukamal, geriatra

Tratamentos oncológicos não podem ser suspensos, pois o atraso prejudica o resultado e também pode perder a chance de cura”

Carlos Rebello, radio-oncologista

Saiba mais

Tratamentos

1 Hipertensão

A falta de acompanhamento médico durante o tratamento de hipertensão pode trazer descontrole da doença e complicações graves, como problemas renais, retinoplastia e até a insuficiência cardíaca.

A recomendação é que pacientes em tratamento não deixem de procurar o médico de referência para checar a necessidade de exames de acompanhamento, medicação, entre outas alternativas.

2 Diabetes

pacientes diabéticos têm mudado hábitos do dia a dia durante o distanciamento social e descontinuado o tratamento da doença, que pode aumentar o risco para problemas de visão, nos rins e outros – alguns deles não mostram sintomas.

A recomendação é continuar o tratamento, procurar o médico para a necessidade de exames de controle. Qualquer alteração na saúde deve ser relatada.

3 Câncer

Pacientes com câncer não devem abandonar o tratamento por medo da Covid-19. O adiamento de tratamentos pode comprometer, de forma irreversível, o sucesso na luta contra a doença.

Apesar de serem grupo de risco, a recomendação é que pacientes quimioterápicos, radioterápicos ou de hormonioterapia não deixem de fazer o tratamento. Há clínicas que estão viabilizando novas formas de tratamento, que podem ser feitos em casa, de forma oral, mas é necessário indicação médica.

4 Glaucoma

A descontinuidade do tratamento pode levar ao descontrole da pressão intraocular e causar várias sequelas ao paciente, podendo levar à cegueira. O paciente não deve adiar as consultas marcadas, para o exame necessário. Geralmente, é necessário monitoramento a cada três meses, dependendo do paciente.

5 Retinopatia diabética

O número de pacientes com retinopatia diabética descontrolada tem crescido nos consultórios. Sem acompanhamento e com adiamento do tratamento, aumenta o risco de a visão ficar seriamente comprometida.

A recomendação é não adiar consultas para controle da doença e nem parar o tratamento por conta própria.

6 Doença renal crônica

Pacientes têm de ser monitorados constantemente pelo médico para avaliar a necessidade de exames capazes de observar as taxas de eletrólitos, como o potássio, que em grande quantidade no sangue podem causar complicações, como as arritmias, que podem ser fatais.

Geralmente, o paciente que faz tratamento para essa doença tem de se consultar e realizar exames a cada três meses.

7 Cálculo renal

A rotina do isolamento social tem aumentado o risco de novos cálculos. Para quem já teve a doença, a recomendação é não se descuidar e procurar o médico em caso de dor lombar, acompanhada ou não de febre. Tomografias e exames de urina podem ser necessários.

8 Hiperplasia benigna da próstata

De acordo com os médicos, cerca de 50% dos indivíduos acima de 50 anos terão a doença, que, se não for cuidada, pode levar à falência da bexiga. A diminuição do jato urinário é um dos principais sintomas.

Para quem já está em tratamento, não é recomendado adiar as consultas de revisão. Homens que tiverem mudanças no quadro urinário devem procurar o urologista para exames, mesmo durante a quarentena.

Exames

9 Tomografia de coerência óptica (OCT)

O exame auxilia no diagnóstico precoce e monitoramento de diversas alterações oculares, entre elas a retinopatia diabética, a degeneração macular relacionada à idade (DMRI) e o glaucoma. É indicado para pacientes que fazem o acompanhamento das doenças, pacientes hipertensos, diabéticos ou com 60 anos ou mais, que são fatores de risco para as doenças.

10 Tonometria

É o exame que faz a medição da pressão interna do globo ocular. É indicado para pacientes no tratamento do glaucoma ou para pessoas acima de 40 anos em caso de história familiar da doença. A avaliação de fundo de olho identifica danos que doenças como o diabetes podem causar à visão.

Kadidja Fernandes/at

Cuidados no
pré-natal

Grávida de 6 meses, a psicóloga Carolina Martinez Dias, 32 anos, está fazendo exames de pré-natal para cuidar da saúde dela e do pequeno Henrique. Ela contou que, por causa da pandemia, só tem saído para as consultas e os exames.

“Temos que fazer vários exames e ultrassonografias. Já fiz seis delas, incluindo as morfológicas, que são uma das mais importantes. É sempre um ritual antes de sair, no médico e quando chego em casa. Não está seguro, mas são exames importantes. Vou com medo mesmo”.

11 Mamografia

Um dos principais exames de rastreamento de câncer de mama. Mulheres acima dos 40 anos, principalmente aquelas com histórico familiar, não devem adiar o exame.

O autoexame em casa pode auxiliar. Qualquer alteração na mama ou axilas deve ser comunicada ao médico, que vai avaliar a necessidade de outros exames.

12 Papanicolau

Identifica alterações no colo do útero, bem como lesões pelo vírus HPV, que podem se transformar em câncer. É indicado para todas as mulheres com vida sexual ativa e deve ser feito anualmente com indicação do médico.

13 Exame da próstata

O exame ajuda a identificar de maneira precoce o câncer. É indicado a partir dos 50 anos de idade. Mas quando o homem tem histórico familiar é indicado realizar a partir dos 45 anos. Segundo médicos, o exame deve ser repetido uma vez por ano.

14 Eletrocardiograma

Um dos principais exames para verificar o risco cardiovascular. É indicado para pessoas acima dos 40 anos, principalmente aquelas que têm histórico familiar de problemas cardíacos, como infarto ou morte súbita. Dessa forma, o exame pode mostrar alteração de forma precoce.

A periodicidade deve ser estipulada pelo médico. Geralmente deve ser feito todo ano.

15 Ecocardiograma

O ultrassom do coração é um dos principais exames para identificação precoce de risco. É recomendado a partir dos 40 anos para pessoas que têm histórico familiar de doenças do coração ou têm pressão alta.

O exame avalia a capacidade de contração do músculo cardíaco e das válvulas, alertando para possíveis disfunções. Geralmente deve ser feita todo ano.

16 Colonoscopia

É um exame de imagem que investiga alterações ao longo do intestino para identificar leões e pólipos que podem se tornar câncer colorretal.

É indicado para todos os adultos a partir do 50 anos. Quem tem histórico familiar deve fazer antes dessa idade, sempre com indicação médica.

17 Doppler de carótidas e vertebrais

Exame que avalia doença das artérias que levam sangue ao cérebro. Os pacientes com história de acidente vascular cerebral (AVC) devem seguir o acompanhamento. A avaliação deve ser feita anualmente e ajuda a prevenir o AVC. Quem tem histórico familiar da doença também não deve adiar a indicação do médico.

18 Doppler arterial dos membros

O exame é fundamental para identificar ou comprovar a dificuldade de circulação nos membros. No período que estamos enfrentando, o exame se torna imprescindível naqueles pacientes portadores da doença aterosclerótica dos membros ou então naqueles que, de forma aguda, desenvolvem dor súbita associada à ausência dos pulsos. Ajuda prevenir e tratar doenças como insuficiência venosa crônica e tromboses.

19 Ultrassonografia da translucência nucal

O exame aponta as chances de haver anomalias e doenças genéticas. Tem de ser feito entre 12 e 13 semanas de gravidez, que é o único período que existe a translucência nucal do bebê. A recomendação é se proteger contra a Covid-19 e fazer o exame.

20 Teste do Pezinho

É um exame com o objetivo de identificar e tratar doenças como hipotireoidismo, doença falciforme e fibrose cística, antes que os sintomas se manifestem. O exame não pode ser adiado. Geralmente é feito nas unidades de saúde entre o 3º e o 5º dia de vida do bebê.

Fonte: Médicos consultados.

Divulgação

Leonardo Lessa diz que é possível fazer exames com segurança

Sinais e sintomas não devem ser ignorados

Enquanto o número de pessoas infectadas pelo novo coronavírus aumenta, os médicos notam uma diminuição preocupante dos pacientes nos consultórios e hospitais.

Mas eles explicam que não é porque as pessoas estão adoecendo menos e sim porque estão ignorando sintomas de outras doenças para evitar o contágio pelo novo coronavírus.

“O problema é que vários pacientes apresentam sintomas e não procuram o médico, ficam em casa esperando passar. Mas, quando chega a procurar atendimento, já está em uma situação de emergência. Sinais e sintomas não podem ser ignorados e nem adiados. Têm de ser valorizados”, alertou o oftalmologista do Hospital de Olhos de Vitória Renato Vieira.

De acordo com o clínico geral e coordenador da Samp Eletivo, Thiago Mariani Baptista, o índice de infarto aumentou no mundo todo.

“Houve aumento de 38% dos casos de atendimento cardiológico na emergência. Muitos desses pacientes sentiram sintomas e não foram ao hospital com medo.”

O presidente da Associação Médica do Espírito Santo (Ames), Leonardo Lessa, ressaltou que é muito importante que o paciente consulte o médico sempre que sentir algo diferente.

“A melhor orientação é o paciente entrar em contato com o médico para saber se pode ou não esperar. Ele pode fazer isso remotamente, mas equipes médicas e clínicas estão com equipamentos de proteção individual e é possível fazer consultas e exames com segurança”.

Cardiologista da Samp, Diogo Viriato recomenda que quando o paciente sentir mal-estar, dor no peito, alteração de pressão ou alguma queda significativa do seu estado geral deve procurar um médico.

“O que não se pode é começar a ter os sinais e sintomas sugestivos de alterações cardiológicas, como os citados acima, e ficar com medo e subestimar a sua importância”.

O urologista Gabriel Moulin destacou que a dor é um dos principais sintomas de que algo está errado. “Dor é sinal de alarme! Sangue na urina e aumento dos testículos também são sinais de alarme. Podem indicar câncer”.

O cuidado do pré-natal também não pode ser adiado. Segundo o ginecologista obstetra Coridon Franco, para evitar o risco só exames extremamente importantes sendo feitos. “Mas não há como adiar por muito tempo”.

O problema é que vários pacientes apresentam sintomas e não procuram o médico. Ficam em casa esperando passar”

Renato Vieira, oftalmologista

Kadidija fernandes - 11/01/2019

Lorena baldotto: modo virtual

Consultas a distância são uma alternativa

Consultas a distância foram regulamentadas pelo governo federal durante a pandemia e têm ajudado médicos no contato com seus pacientes para evitar riscos de outras doenças.

De acordo com o clínico geral e coordenador da Samp Eletivo, Thiago Mariani Baptista, planos de saúde e prefeituras se adaptaram à telemedicina e têm ajudado os pacientes.

“Tem ajudado muito no acampamento de doentes crônicos, sintomas mais leves, renovação de medicação. Quando há necessidade, peço que venha a uma consulta pessoalmente”.

Geriatra do Medsênior, Roni Mukamal revelou que o contato do médico, mesmo que remotamente, ajuda muito a monitorar os pacientes, principalmente os idosos mais frágeis.

A ginecologista e sexóloga Lorena Baldotto também tem atendido as pacientes de forma virtual.

“Na obstetrícia, o acompanhamento das gestantes não parou. Mas, para mostrar exames e nas consultas em que não é necessário examinar a paciente, estou realizando de maneira virtual”.

Jackson Gonçalves

Luana: “Pacientes deixarão de ser diagnosticados em estágios iniciais”

Cinquenta mil sem diagnóstico de câncer

Essa é a estimativa de entidades médicas do número de pacientes no Brasil que não foram consultados desde o início da pandemia

Estimativas das Sociedades Brasileiras de Patologia (SBP) e de Cirurgia Oncológica (SBCO) indicam que, desde a chegada do novo coronavírus no Brasil, pelo menos 50 mil brasileiros deixaram de ser diagnosticados com câncer.

Isso ocorreu em função dos cancelamentos de procedimentos não urgentes, como exames e consultas, além do receio dos pacientes em procurar um hospital ou clínica, por medo de contrair a Covid-19.

Médicos já preveem um aumento significativo de diagnósticos em estágios mais avançados da doença.

“Os pacientes deixarão de ser diagnosticados em estágios iniciais de câncer porque estão sem sintomas. Assim, os exames de rastreamento serão postergados para depois da pandemia, o que trará prejuízos no diagnóstico precoce dos pacientes com câncer”, disse a oncologista do Samp Luana Pescuite.

De acordo com o radio-oncologista do IRV, Carlos Rebello, serviços de oncologia chegaram a ter diminuição de 70% na procura por tratamento durante o isolamento social. No serviço de radioterapia houve queda de 40% no atendimento.

“O que nos faz entender que esses pacientes vão chegar posteriormente com tumor bem mais avançado e talvez percam efetivamente a chance de resolver sua doença, necessitando de tratamentos mais agressivos. Isso vale para outras doenças, não só o câncer”.

Atento à situação, o Conselho Regional de Medicina do Espírito Santo (CRM-ES) lançou uma campanha com médicos do Estado para lembrar que o cuidado com outras doenças é tão importante quanto o cuidado com o novo coronavírus.

“As pessoas ficaram com medo de ir a consultórios, hospitais e clínicas para fazer acompanhamento. O problema é que as outras doenças foram prejudicadas. Nas doenças oncológicas, por exemplo, o sucesso do tratamento é proporcional à precocidade do diagnóstico”.

O CRM-ES está orientando clínicas, consultórios e hospitais a adotarem medidas de segurança para atender também pacientes de outras patologias.

Oncologista do Cecon/Oncoclínicas, Cintia Givigi lembrou que as clínicas estão adotando medidas preventivas para que o paciente possa continuar o tratamento com segurança.

Publicado em 12 de julho de 2020

Reportagem: Lorrany Martins

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